Red Bull Salzburg precisa ‘criar asas’ e voar alto no cenário europeu

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Investimento forte, domínio territorial e, consequentemente, títulos de expressão sendo conquistados dentro de seu âmbito. São fatores que, sem sombra de dúvidas, motivam qualquer equipe a buscar sempre novos objetivos, voos mais altos.

 

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Desde que foi comprado pela Red Bull, em 2005, o Salzburg mais do que dobrou o número de conquistas obtidas em sua história – como “Austria Salzburg” e “Casino Salzburg”, havia conseguido sete taças, enquanto como “Red Bull Salzburg“, até a atual temporada, foram nove. Com um investidor interessado em expandir a popularidade da equipe (a Red Bull é uma empresa austríaca e dá prioridade ao time do país sobre os demais espalhados pelo mundo no quesito investimento) e com o domínio nacional, o que se esperava do Salzburg nos últimos anos era pelo menos uma campanha de expressão em nível continental.

No entanto, até o momento, o RB passou longe de atingir tal feito. Acredite se quiser: em 2015, completam-se dez anos desde que o Salzburg foi comprado, e, até agora, ele não conseguiu sequer atingir a fase de grupos da UEFA Champions League.

 

Plantel sem qualidade definitivamente não é argumento para justificar essa frustração. Não é sempre que uma equipe de um país que não conta com vaga direta nos grupos consegue se garantir neles, mas também não é sempre que ela cai da forma como o Salzburg vem caindo nos últimos anos.

Desde sua compra, foram sete participações na Champions. A primeira em 2007/2008, quando foi eliminado para o Shakhtar Donetsk na terceira eliminatória. Revés totalmente compreensível, afinal, mesmo com grana, o Salzburg ainda não batia – nem bate – de frente com a equipe mais forte do leste europeu.

A ânsia por voar mais alto começou a secar a garganta do torcedor justamente a partir da temporada 2009/2010. Depois de despachar o bom Dinamo de Zagreb na terceira eliminatória, faltava vencer o Maccabi Haifa nos playoffs para finalmente chegar lá. Não conseguiu. Após duas derrotas e um placar agregado de 5×1, surgiu um certo clima de desconfiança na competição europeia.

A oportunidade de superar o trauma veio na temporada seguinte: novamente um time israelense pela frente, e, novamente, pelos playoffs. Considerado mais fraco que o Maccabi, poucos tinham esperanças no Hapoel Tel Aviv, mas ele conseguiu fazer frente. Venceu na RB Arena e empatou fora de casa. Agregado de 4×3, o suficiente para finalmente despertar uma fama que pegou e só ganhou força nos últimos anos: a de time pipoqueiro.

Na temporada 2012/2013, uma verdadeira catástrofe. Em plena segunda eliminatória, a vaga era obrigação para um time então tetracampeão austríaco desde que havia sido comprado. O adversário foi o F91 Dudelange, de Luxemburgo, um dos piores países rankeados nos coeficientes da Uefa. Pode acreditar: graças ao gol fora de casa – o time luxemburguês venceu em casa e perdeu por 4 a 3 na RB Arena -, eles foram eliminados. E a fama aumentou de forma massacrante.

Dois títulos austríacos depois (e uma eliminação normal na terceira eliminatória para o Fenerbahçe em 2013/2014), quando parecia que a lição havia sido aprendida, mais duas duras quedas. As duas contra o mesmo algoz: os suecos do Malmö.

Aus dem letzten Jahr! Dieser Wimpel hängt an der Wand im Trainingszentrum Taxham. // Reminiscences of last year. #RBSMFF #UCL   Uma foto publicada por FC Red Bull Salzburg (@fcredbullsalzburg) em Jul 28, 2015 às 6:26 PDT

Na última temporada, 2×1 na RB Arena e 3×0 contra na Suécia. Nesta, 2×0 em casa e, novamente, 3×0 contra fora. Resultados inacreditáveis, principalmente o da temporada que corre.

Vexames contra AEK Athenas e Standard Liège à parte, as campanhas do RB na Europa League até que foram boas. Mas a melhor ainda foi em 2013/2014, apenas uma oitava de final, quando era um dos favoritos ao título, e caiu para o Basel. Na ocasião, uma simples vitória em casa bastaria – perdeu por 2×1.

É pouco. É muito pouco. O Áustria Viena, hoje tentando se recuperar após um trágico 2014/2015, mesmo sem dinheiro e sem grandes destaques no grupo, conseguiu atingir a fase de grupos uma temporada antes e por pouco não pegou Europa League. Com isso, a pergunta que fica é: por que o Salzburg não consegue, como eles, ter uma campanha minimamente decente na Champions?

Angeschlagen ist heute nur unser Bus ?. Wir sind bereit! ⚽️? // Let’s get this evening started! #MFFRBS #UCL

Uma foto publicada por FC Red Bull Salzburg (@fcredbullsalzburg) em Ago 5, 2015 às 9:53 PDT

Falta foco e, acima de tudo, confiança. Os Touros, como você viu acima, eram favoritos em diversos confrontos, especialmente em playoffs (contra os israelenses e o luxemburguês), mas caíram porque não ainda não têm conhecimento do que realmente podem fazer numa competição tão grande.

É preciso, urgentemente, acabar com o medo e começar a fazer bonito no cenário europeu. Não é o caso de esperar que Salzburg seja semifinalista da Champions ou campeão da Europa League, mas, quando for pra cair, que seja com dignidade e diante de adversários mais fortes. Que não tropece mais nos próprios pés.

Além de prejudicar sua tentativa de expansão da marca – um problema deles, convenhamos -, os repetidos fracassos também complicam (e muito) a Áustria nos coeficientes da Uefa. Afinal, com exceção do Áustria Viena na temporada 13/14, o país não tem um representante que garanta bons pontos no ranking, já que seu campeão na grande maioria das vezes joga a chance de representá-lo com dignidade no lixo.

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Hoje, dominar o futebol austríaco passou a ser pouco para o Salzburg. É preciso representar bem seu país no continente, fazer boas campanhas e se consolidar como uma das forças da periferia da bola. Mesmo tendo caído já na terceira eliminatória desta Champions, ainda há chance de tentar fazer algo de bom na Europa League.

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Time para isso, tem. Mas o que precisa ter também é foco e a certeza de que essa série de vexames não podem mais ser tolerados.

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Estudante de Jornalismo. Foi editor de futebol alemão e holandês na VAVEL Brasil e cofundador da VAVEL Portugal. É blogueiro do Bayern no ESPN FC (projeto da ESPN Brasil) e completamente Doente por Futebol.