Sevilla para saber a verdade sobre o Barça

  • por Victor Mendes Xavier
  • 4 Anos atrás

Em meados dos anos 2000, o Barcelona completou sua ressurreição. Após viver um período de ostracismo no início do século XXI, os blaugranas deram um salto de qualidade imensa depois das chegadas de Joan Laporta, Frank Rijkaard e, principalmente, Ronaldinho Gaúcho, o argumento máximo para os catalães voltarem a competir tanto em âmbito doméstico quanto internacional. Comandado por R10, o Barça entrou em um período de vitórias e títulos com uma equipe ofensiva e, sobretudo, mágica.

Em 2005/2006, o Barcelona arrasou o Real Madrid no Santiago Bernabéu:

Venceu o Chelsea de Mourinho no Stanford Bridge e eliminou o Milan de Ancelotti no San Siro. Aquilo era uma festa. A sensação é que não havia nada que poderia parar aqueles pequenos monstrinhos. Depois da Copa de 2006, o Barcelona arrancou a temporada como o bicho-papão, o time a ser batido. O onze inicial, que já era temido, foi reforçado. Chegaram Zambrotta e Thuram, a lesão de Xavi estava curada e a promessa Messi cada vez mais se consolidava dentro de campo. Bastou apenas meia hora para percebemos, logo no pontapé inicial de 2006/2007, que havia algo errado.

2000px-Barcelona_vs_Sevilla_2006-08-25.svg

Os azulgrenás enfrentaram o Sevilla na Supercopa da UEFA em Mônaco. Comandados por Juande Ramos, os andaluzes haviam conquistado a Copa da UEFA em 2005/2006 e se preparavam para viver um ano inesquecível. A imagem daquele Sevilla era de consistência defensiva, muita intensidade e velocidade especialmente pela direita, por onde Daniel Alves subia ao ataque como se não houvesse amanhã.

Naquele dia, o meio-campo sevillista anulou por completo a medula blaugrana. À frente, Messi tentava, mas em vão. Eto’o nada pôde fazer contra a defesa rival. Mas o pior foi Ronaldinho.

BAD RONALDINHO

Aos 26 anos, o gênio já não era mais o mesmo. Meses antes, foi uma das maiores decepções individuais da história de uma Copa do Mundo. Estava no ápice da carreira, num esquadrão repleto de estrelas, mas fracassou. Era sua Copa e ele a deixou sem título e sem gols.

Ao longo da temporada, aquele Barcelona, que foi destroçado pelo Sevilla por 3×0 em Mônaco, caiu aos poucos. Ao final, era uma equipe totalmente dependente dos lampejos de Ronaldinho e das jogadas do monstrinho Messi. Não havia coesão futebolística, os experimentos de Rijkaard caíram por água abaixo (o 3-4-3 que foi amplamente dominado pelo 4-2-3-1 do Liverpool na eliminação na UCL) e qualquer rival de elite o derrotava. Zero títulos. O Sevilla nos revelou todos os defeitos daquela equipe.

Leia mais: Na fantástica temporada do Sevilla, o céu é o limite

Nove anos depois, Barcelona e Sevilla voltaram a se enfrentar numa Supercopa da UEFA. O contexto é outro, mas as semelhanças existem. A atual geração sevillista enche os torcedores de esperança quanto à possibilidade de novas taças, o melhor jogador do mundo veste a camisa 10 do Barcelona e os catalães são o suprassumo da bola.

https://www.youtube.com/watch?v=qMYWSC57Q64

Foi um jogo cheio de emoções em que, mais uma vez, o Barcelona sofreu ao enfrentar seu rival doméstico. O final foi diferente do que aconteceu em 2006, mas fica a lição: o Sevilla é mestre em explorar e evidenciar os defeitos dos catalães. Resta a Luis Enrique e sua trupe aprender com o ocorrido nos 5 x 4 de hoje.

Que comece a temporada 2015/2016.

Comentários

Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.