Sinais de esperança em Dortmund

  • por Rogério Júnior
  • 4 Anos atrás

Bastou Hummels enxergar a boa infiltração de Kagawa que, inteligentemente, serviu de parede para Marco Reus abrir o placar no Signal Iduna Park para que as esperanças da Muralha Amarela fossem renovadas – como num passe de mágica. Este foi o contexto do primeiro gol anotado pelo Borussia Dortmund na estreia da Bundesliga 15/16 – frente ao Borussia Mönchengladbach.

A temporada passada, que marcou a despedida do simbólico e folclórico treinador Jürgen Klopp, foi um tanto conturbada para os amantes do BVB. O clube, que chegou a conviver com a zona do rebaixamento por várias rodadas, se recuperou apenas na parte final do certame e, de certa forma, precisou se reinventar para que entrasse na atual temporada com condições de brigar com Bayern e Wolfsburg, principais postulantes ao título do campeonato nacional.

A reinvenção veio e atende pelo nome de Thomas Tuchel. Com um estilo bastante peculiar, o treinador enraizado no Mainz e fã declarado do multicampeão Pep Guardiola, já declarou publicamente que pretende seguir os passos de seu antecessor no Borussia. Para chegar a este patamar, Tuchel se apropria de conceitos cada vez mais modernos e conectados ao contexto do futebol jogado atualmente no mundo.

Foto: Borussia Dortmund - Tomas Tuchel, o homem responsável por ditar o ritmo do novo Borussia Dortmund.

Foto: Borussia Dortmund – Tomas Tuchel, o homem responsável por ditar o ritmo do novo Borussia Dortmund.

O modernismo de Tuchel

• Estudioso, entende que seu trabalho passa por cinco aspectos que, trabalhados em conjunto, visam a perfeição: diligência, modéstia, coragem, abertura e perseverança.

Perfeição: invariavelmente, Tuchel é um dos primeiros a chegar ao centro de treinamento do Borussia. Os cronistas de Dortmund relatam que o treinador passa vários minutos preparando o campo de jogo (cones, dimensões, fitas) e que a repetição de módulos de treinamento é uma de suas maiores características.

Rapidez e dinamismo: O futebol que Tomas Tuchel promete implantar no Borussia obrigatoriamente tem a rapidez e o dinamismo como componentes principais. Em treinamentos e em entrevistas, o comandante deixa claro que espera formar um time que se mova a todo o momento dentro de campo e que costumeiramente troque de sistema tático em meio a uma partida.

Movimentação, fluidez, infiltração, ultrapassagem de linhas, sistema polivalente e rotatividade dos atletas dentro do campo são outros atributos observados na rotina de treinamentos de Tuchel.

Agressividade: O técnico espera que o seu Dortmund tenha capacidade de dominar completamente as partidas e, que a partir disso, possa utilizar-se de seus talentos individuais para propor o andamento do jogo.

Reflexo em campo

Se Tomas Tuchel pudesse dar uma nota aos seus atletas depois da estreia diante do Mönchengladbach, ela certamente seria 10. Com um futebol solto, ofensivo e vistoso, o time aurinegro aplicou 4 a 0 no adversário – gols de Reus, Aubameyang e Mkhitaryan (2x).

O fator de dominância do jogo que o treinador espera enraizar em Dortmund foi refletido na posse de bola (60,1% x 39,9%) e na troca incessante de passes (626 x 387) durante o jogo. O BVB, que chutou 17 bolas no alvo, ainda apresentou um giro contínuo de posições entre Reus, Kagawa e Mkhitaryan, peças que jogaram atrás do gabonês Aubameyang, o que fez com que o sistema defensivo do adversário se atordoasse completamente.

Foto: Borussia Dortmund - Aubameyang, Reus, Mkhitaryan e Kagawa formam o quarteto mortal do BVB.

Foto: Borussia Dortmund – Aubameyang, Reus, Mkhitaryan e Kagawa formam o quarteto mortal do BVB.

O futebol agudo do novo treinador foi outro aspecto observado na estreia dos amarelos na Bundesliga. Dos 626 passes, 209 foram trocados no campo de ataque, o que só corrobora a característica ofensiva do treinador.

Além do quarteto ofensivo, outros três se jogadores que se destacaram em meio a apresentação de gala do Dortmund foram Gündogan, o estreante Julian Weigl e Mats Hummels, o general do sistema defensivo.

Imagem: FourFourTwo - O mapa de passes do estreante Julian Weigl demonstra a sua importância na primeira bola do time. A implantação de um futebol mais vertical passa por ele.

Imagem: FourFourTwo – O mapa de passes do estreante Julian Weigl demonstra a sua importância na primeira bola do time. A implantação de um futebol mais vertical passa por ele.

Hummels, além de ter iniciado a jogada nos dois primeiros gols, reforçou a solidez defensiva do time – esta talvez a principal dificuldade nos tempos de Klopp. Julian Weigl, de 19 anos, parece não ter sentido o peso da camisa aurinegra, tendo uma feita ótima e eficaz partida. Gündogan, o homem que mais deu passes no jogo, parece ter finalmente recuperado à forma que o colocou como sendo um dos melhores volantes do mundo na temporada 2012/2013.

O certo é que time permanece cercado de expectativa para o prosseguimento da temporada. O inegável é que a premissa é realmente muito boa.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.