05 times e 01 objetivo: Copa Libertadores 2016

Cinco por uma: a guerra pelo G4

Sem medo de errar, dá para dizer que a briga pelo título do Campeonato Brasileiro 2015 se polarizou entre Corinthians, o favorito, e Atlético-MG. Embora alguns apostem no Grêmio, a diferença atual (de nove pontos que volta e meia fica em seis) parece inalcançável. O elenco reduzido e as atenções dividas com a Copa do Brasil fazem com que o time tenha menos força na briga pela taça. Porém, seu terceiro posto na tabela parece bem encaminhado.

Com a solidez destes times, a quarta vaga ficou em aberto e virou motivo de uma verdadeira guerra entre Palmeiras, São Paulo, Flamengo, Santos e Inter. Cinco times por uma vaga na Libertadores 2015. Com vitórias, derrotas e muita oscilação entre as equipes, nada parece decidido e a disputa está, de fato, emocionante. Vamos analisar os postulantes e suas possibilidades nesta celeuma.

PALMEIRAS

SÃO PAULO, SP - 25.09.2015: TREINO DO PALMERAS - O técnico Marcelo Oliveira, da SE Palmeiras, concede entrevista coletiva antes do treinamento, na Academia de Futebol, no bairro da Barra Funda. (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

SÃO PAULO, SP – 25.09.2015: TREINO DO PALMERAS – O técnico Marcelo Oliveira, da SE Palmeiras, concede entrevista coletiva antes do treinamento, na Academia de Futebol, no bairro da Barra Funda. (Foto: Cesar Greco / Fotoarena)

Com boas contratações, o Palmeiras montou um elenco para voltar ao cenário de glórias em 2015. Osvaldo sucumbiu à pressão das derrotas, mesmo levando o time ao vice paulista. Marcelo Oliveira chegou e implantou conceitos vistos no Cruzeiro bi brasileiro: muita força ofensiva (melhor ataque da competição com 48 gols), mas problemas defensivos (sofreu 30 gols, pior defesa entre os cinco primeiros).

O Palmeiras iniciou o turno em 5º, a dois pontos do Fluminense – que nem está mais na briga. Entre muitas oscilações, dele e de seus adversários, se manteve na parte de cima. Em oito jornadas na segunda parte da competição, o time de Marcelo Oliveira venceu quatro, perdeu três e empatou uma. Marcando 16 gols e sofrendo 12 – marca bastante, dois por partida, mas sofre quase isso em média.

Palmeiras 4-3-1-2

O 4-3-1-2 do Palmeiras contra o Corinthians. Variação muito usada nos últimos jogos.

Taticamente, Marcelo encontrou uma variação do seu usual 4-2-3-1: o 4-3-1-2. Isso porque o garoto Gabriel Jesus despontou, mas ocupa a mesma posição de Dudu, outro jogador muito importante na visão do técnico. Com esse conflito, a solução foi recuar o Dudu para o centro do losango, como contra o Corinthians e Cruzeiro. Frente aos mineiros, Zé Roberto jogou no lugar de Arouca (em relação ao frame acima) e Barrios no lugar de Alecsandro.

Dudu foi suspenso, mas voltará em duas rodadas; Barrios se consolidou no ataque, com quatro gols nos últimos dois jogos; Jackson se tornou o parceiro de Victor Hugo após testes com Leandro Almeida e Victor Ramos; Thiago Santos se tornou importante parceiro de Arouca; e Rafael Marques está retomando espaço.

PALS

Com três confrontos diretos até o fim da competição (São Paulo, Santos e Flamengo), todos fora de casa, o Palmeiras ainda tem que conciliar a briga por G4 com a Copa do Brasil, que é um caminho mais curto, com título, até o objetivo: a Libertadores. A dupla jornada pode atrapalhar, apesar do bom elenco.

SÃO PAULO

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

Entre as boas ideias de Osorio, o São Paulo sofre com a grande oscilação de suas peças, que variam ótimos e péssimos jogos em um curto espaço de tempo, e o pequeno elenco, em tamanho e qualidade. No segundo turno, o time do Morumbi tem três vitórias, dois empates e três derrotas, marcando nove e sofrendo oito gols. Baixa produção ofensiva.

Como dito acima, o São Paulo faz ótimos e péssimos jogos em um curto espaço de tempo. Como exemplo, a última semana, quando venceu o Grêmio no Sul, jogando tudo e muito mais, e empatou com a inofensiva Chapecoense em casa. Esse histórico faz com que o time seja uma incógnita, pois pode dominar o líder e o terceiro colocado, mas empatar com Avaí e perder para o Goiás em casa. Rouba dos grandes para dar aos pequenos.

O São Paulo virou o turno em 6º, com 11 pontos a menos do que tem hoje. Atualmente, ocupa a 5ª colocação com 42 pontos – o Palmeiras, 4º colocado, tem 44. O objetivo é a Libertadores, independente de como ela venha. Osorio poupou alguns jogadores no último domingo e mostra que o caminho pode ser a Copa do Brasil.

Contra o Grêmio, Ganso na referência. Como Valdívia, como definiu Osorio.

Contra o Grêmio, Ganso na referência. Como Valdívia, como definiu Osorio.

Taticamente, o colombiano já usou 3-4-3 e 4-2-3-1, mas no 4-3-3 achou seu esquema. Repetido, com outras peças nos últimos jogos, Osorio fixou sua ideia: três ponteiros muito avançados, meias com bom passe e sempre um homem de combate à frente da frágil defesa – o preferido é Breno.

Pato achou seu melhor futebol na ponta esquerda; Ganso varia a composição do meio e uma vaga na frente ofensiva, como contra o Grêmio e o Atlético-PR; Carlinhos também viu seu rendimento aumentar no centro do campo ou nas pontas do ataque; e Michel Bastos, que rodou por lateral e meio, agora está bem mais habituado à ponta direita.

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Osorio trouxe bons conceitos, mas sofreu com o desmanche e a oscilação do elenco. O colombiano parece apostar suas fichas de forma mais confiante na Copa do Brasil, que parece ser o melhor caminho, de fato.

FLAMENGO

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Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

De Luxa, passando por Cristóvão Borges e chegando a Oswaldo de Oliveira: o ano do Flamengo não foi fácil. Em nove meses, o time teve três técnicos diferentes. No campeonato carioca, ficou nas semifinais, contra o Vasco, algoz também da Copa do Brasil.

No Brasileirão, o time não vinha bem, o que culminou nas demissões de Luxa e Cristóvão. Oswaldo chegou e não evitou a eliminação na Copa do Brasil – pegou no segundo jogo -, mas engatou uma série de 6 vitórias seguidas, levando o time do 13º ao 4º lugar. No alto da empolgação, com 70 mil pessoas no Mané Garrincha, derrota para o Coritiba, seguida da goleada para o Galo. Voltando ao 6º lugar.

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O 4-2-3-1 da vitória sobre o Cruzeiro.

O modelo de jogo Fla segue os conceitos de seu técnico: 4-2-3-1 de valorização de posse e boa movimentação ofensiva. Porém, o grande problema do time é defensivo, com zagueiros inseguros e muita debilidade na bola aérea. Apesar do um bom goleiro, sofre demais no setor que tem Jorge como revelação na lateral esquerda.

No centro da linha de três, Alan Patrick viu seu futebol crescer, ao lado de Emerson, Everton, Cirino ou Paulinho; à frente, Kayke foi uma das gratas surpresas da base, que voltou a servir o time de cima, mas disputa posição com Guerrero. Marcio Araújo e Canteros parecem ser um meio ideal, na cabeça de Oswaldo, mas Jonas se apresenta bem também, com Luiz Antônio contribuindo.

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O elenco não é tão fraco e reduzido, mas os problemas defensivos podem comprometer a disputa pela vaga na Libertadores – o Flamengo sofreu 37 gols na competição, pior defesa entre os dez primeiros. Porém é o único, entre os cinco postulantes à vaga que não disputa a Copa do Brasil e tem que tirar proveito disso.

INTERNACIONAL

Foto: Ricardo Duarte

Foto: Ricardo Duarte

No início do ano colorado, Diego Aguirre chegou com a missão de fazer uma boa Libertadores. Em sete meses de trabalho, o uruguaio ganhou o Gauchão e levou o Inter à semifinal do torneio continental. A campanha mediana no Brasileirão, completamente justificável pela força que voltou à Libertadores, fez com que o técnico fosse demitido às vésperas de um Grenal, um erro da diretoria colorada com históricas: 5 a 0 para o Grêmio.

Leia mais: Machado e sua meia dezena

Argel Fucks, ex-jogador do time gaúcho, chegou com a missão de retomar o futebol e a vontade que pareceu perdida. Trata-se de um técnico motivador, não extremamente tático e estudioso, com linguagem mais próxima dos atletas. É inegável que sua campanha é boa: 5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas; 13 gols marcados e 7 sofridos. Tal desempenho levou o Inter do 11º ao 7º lugar, com chances reais de brigar por uma vaga na Libertadores.

Internacional 4-2-3-1

Flagrante do 4-2-3-1 contra o Figueirense

Após alguns testes, o 4-2-3-1 se fixou, com Nilton assumindo a vaga de Aranguiz, Vitinho tendo mais chances e muitas mudanças no comando de ataque, onde já jogaram D’Ale, Alex, Vitinho, Sasha e Valdívia. Ofensivamente, muitas rotações dão a dinâmica do ataque. Atrás, a defesa se solidifica como a melhor do segundo turno, sofrendo apenas 7 gols.

Assim como outros concorrentes, o Inter vive o dilema Copa do Brasil-G4. A três pontos do Palmeiras, o Colorado tem dois confrontos diretos pelo G4 (Santos e Fla), ambos fora, além do clássico com o Grêmio (em casa) e o duelo contra o vice-líder e postulante ao título, Atlético-MG (em BH). Tabela duríssima.

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SANTOS

Quem também esteve treinando, ao lado de @martacri24, foi o volante @alisonn05 #SantosFC #CTReiPelé #Treino

Uma foto publicada por Santos Futebol Clube (@santosfc) em

Dorival Junior pegou o Santos na 13ª rodada, na zona do rebaixamento e há quatro jogos sem vencer. Mesmo com o título paulistão – que não foi lá muito difícil –, o péssimo trabalho tático de Marcelo Fernandes cobrou seu preço. Dorival embalou 13 jogos sem perder, com 10 vitórias e 3 empates, e virou o turno em 12º, nove pontos atrás do G4.

Em 8 rodadas do segundo turno, conseguiu 16 de 24 pontos possíveis e a terceira melhor campanha do período, alçando o time à briga por uma vaga no G4. Reformulado, o Santos venceu times à sua frente na tabela, como São Paulo e Atlético-MG, goleados por 3×0 e 4×0, respectivamente.

Santos 4-2-3-1

A recomposição do time de Dorival. Pronto para um veloz contra ataque.

Dorival manteve a ideia do 4-2-3-1 com muita velocidade e ofensividade, mas deu mais movimentação a Lucas Lima, solidez ao meio-campo com Thiago Maia e Renato e revelou o bom lateral esquerdo Zeca. Além disso, conta com o momento abençoado de Ricardo Oliveira, artilheiro da competição com 17 gols.

Leia mais: Os méritos de Dorival no Santos 2015

O time ganhou conceitos modernos que não tinha com Marcelo, como a compactação defensiva. Tem boa saída de bola com três homens (invariavelmente Renato ao lado de Braz e Gustavo Henrique) e compactação que permite o rápido contra-ataque, como o que usou para tirar o Corinthians da Copa do Brasil, com direito a vitória em Itaquera.

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Hoje o último do bolo, o Santos tem Inter, Grêmio, Palmeiras e Flamengo pela frente – três confrontos diretos e uma Copa do Brasil entre esses jogos. O time da Vila também tem um plantel reduzido, mas acredita na força do ótimo ataque para chegar à Libertadores.

Cinco times e um mesmo objetivo: a Copa Libertadores 2016! Há apenas uma vaga para cinco candidatos, sendo que quatro deles têm a chance de chegar lá via Copa do Brasil. É possível que vejamos dois destes cinco na próxima competição continental, mas também é possível que não vejamos nenhum – caso haja um campeão diferente na Copa do Brasil e um brasileiro vença a Sul-Americana transformando o G4 em G3.

Disputa boa de ver, com oscilações que atrapalham, mas dão emoção a quem torce.

Tudo em aberto!

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]