As novidades do Atlético de Madrid 4.0 de Simeone

  • por Victor Mendes Xavier
  • 4 Anos atrás

Duas vitórias em dois jogos, seis pontos e a coliderança da Liga Espanhola. A quarta temporada de Simeone à frente do Atlético de Madrid nem começou direito, mas já dá o que falar – de maneira positiva. A vitória do final de semana com autoridade contra o Sevilla em pleno Ramon Sánchez Pizjuan ratificou aquilo que vem sendo comentado desde a pré-temporada: o elenco colchonero é completo. Em um dos caldeirões mais intimidantes da Europa, o Atléti mostrou todo seu repertório para construir uma importante vitória por 3×0 a uma rodada do primeiro grande desafio de elite que o Vicente Calderón irá receber, o Barcelona, algoz rojiblanco em 2014/2015.

Por ora, é cedo para cravar que esse time é mais forte que o de duas temporadas atrás, que venceu Liga Espanhola e foi vice-campeão da Liga dos Campeões da UEFA. No entanto, é inegável o poderio do plantel, que dispõe de peças de reposição em praticamente todos os setores e permite variação de Simeone. Ter um banco de reservas de máxima utilidade dá a Cholo o privilégio de ter um plano B e até C quando as coisas não vão bem. Na campanha passada, foi justamente um ponto negativo da equipe. Quando, por exemplo, Koke e Arda Turan caíram de produção, o treinador argentino não conseguiu encontrar figuras à altura para desafogar a dupla. Para o ataque, figuras como Ferreira-Carrasco, Vietto e o fascinante e interessante de acompanhar Correa somam em agressividade e muita produtividade ofensiva.

Reprodução: Site Oficial do Atlético de Madrid

Reprodução: Site Oficial do Atlético de Madrid

O primeiro aspecto positivo do Atlético de Madrid 4.0 de Simeone se tratar de Oliver Torres. Depois de uma temporada promissora com o Porto, o jovem meia espanhol volta ao clube do coração para se reafirmar definitivamente no mundo da bola. A prova de que o canterano irá exercer uma função de fundamental importância ao longo do campeonato foi sua estreia contra o Las Palmas. Naquele dia, Cholo deu a Óliver liberdade total de movimentação e o menino entendeu o bem o papel. Aos 20 anos, ele é uma máquina de deslocamento (que, por consequência, o faz participar com maior frequência do jogo), garante pequenos períodos de controle (ou descanso) com a bola graças à sua destacável habilidade individual para protegê-la e dirige de maneira preciosa uma posse de bola. A passagem pela Liga Portuguesa caiu bem ao “Índio”, que tem se comportado de maneira constante e madura.

Desde a tática, já é possível notar que Óliver e Koke são os jogadores contextuais do “novo” Atlético. Nos dois primeiros jogos, Simeone começou no 4-4-2 e variou para um 4-3-3 que já vinha sendo testado nos amistosos de agosto. Com um triângulo no meio, o argentino adianta Óliver para a ponta direita do ataque e usa Koke como interior esquerdo. Aliás, um mês atrás, o treinador chegou a afirmar que poderia usar o camisa 6 de segundo volante ao lado de Tiago. Para sorte de todos, Simeone deixou essa ideia de lado – pelo menos momentaneamente. Principalmente depois do que Koke fez contra o Sevilla, não há dúvidas de que ele é interior: é muito melhor ajudando na pressão aos zagueiros (a ver seu duelo contra Krychowiak no último domingo) e movendo a bola próximo a sua área do que construindo o jogo desde o campo de defesa.

Reprodução: Site Oficial do Atlético de Madrid

Reprodução: Site Oficial do Atlético de Madrid

Por sua vez, Antoine Griezmann é um craque. Sim, um craque. O francês está melhor a cada partida. Enquanto Óliver garante comodidade e iniciativa, Griezmann é um elemento surpresa que mata o rival. Resolutivo, ele enriquece as linhas de passe e quando tem uma oportunidade não desperdiça. Com 24 anos, seu futebol está a ponto de decidir partidas. Isso porque Antoine não economiza, cada vez que faz algo para marcar gols. O extremo esquerdo da Real Sociedad não existe mais. Essa versão “montada” (ou melhor: descoberta) por Simeone, que acreditou no francês para jogar mais por dentro do ataque como segundo atacante, é mortal.

Taticamente, o esquema com duas linhas de quatro funciona melhor pois garante maior estabilidade. No 4-3-3, o Atléti consegue ter mais a bola, mas desconfigura a estrutura da retaguarda. De fato, a “mudança” para um sistema que privilegiasse mais a manutenção da pelota já era especulada a cada passo do Atlético no mercado de verão. Mas a verdade é que Simeone tem em mãos um grupo camaleônico, que permite ao comandante jogar da forma que quiser: adiantando as linhas, mostrando muita intensidade, contra-atacando, fazendo ligação-direta (Correa, Jackson Martinez, Carrasco, Vietto, Gabi) ou acalmando, tocando a bola e matando na impaciência do adversário (Filipe Luís, Tiago, Koke, Óliver, Griezmann). E Kranevitter, o talentoso volante do River, chega em janeiro. Um timaço.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.