Ginter e o improviso que vem dando certo

Foto: BVB.de

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O negócio que levou o jovem Matthias Ginter a deixar o Freiburg e partir para o Borussia Dortmund foi cercado de perspectivas. Extremamente promissor, o garoto germânico, à época com 20 anos, havia feito um campeonato muito bom pelos Breisgau-Brasilianer. Embora o time tenha figurado apenas na 14ª colocação, jogando como zagueiro ou volante, Ginter recebeu apenas um cartão amarelo, disputou todas as partidas da Bundesliga 2013-2014 e esteve no elenco alemão campeão mundial de 2014.

Com passagem por algumas equipes de base da Seleção Alemã – Sub-18, 19 e 21 –, o jogador sempre mostrou talento, segurança e liderança, o que chama muita atenção. Dono de ótima estatura, 1,89m, Ginter mostra-se um jogador rápido, o que o ajuda a antecipar-se aos adversários, recuperar bolas e evitar as faltas. Foi com isso em mente que os aurinegros, ainda comandados por Jürgen Klopp, buscaram o jogador.

É evidente que a titularidade do garoto estava fora de questão, uma vez que Mats Hummels, Neven Subotic e Sokratis têm boa qualidade e muito mais experiência, mas, mesmo assim, era esperado que o jovem disputasse um número maior de partidas. Em sua primeira temporada no Vale do Ruhr, participou de apenas 22 partidas no total da temporada, sendo 14 pela Bundesliga, chegando a defender, inclusive, o Borussia Dortmund II. Com pouco espaço, sua saída do Signal Iduna Park foi cogitada na última janela de transferências e o Borussia Mönchengladbach tentou sua contratação.

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No fim das contas, o camisa 28 permaneceu em Dortmund, e o treinador Thomas Tuchel descobriu um novo lugar para o garoto: a lateral direita. O que muitas vezes é imaginado como um improviso temerário (quem não se lembra da opção de Maradona por Otamendi na lateral na Copa de 2010?) tem se mostrado uma alternativa excelente para os aurinegros, inclusive deixando o antigo titular, Lukasz Piszczek, na reserva nas últimas partidas. Inicialmente, a medida emergencial, usada em função de lesão do ala polonês e de Erik Durm, deveria durar o suficiente para que o primeiro se recuperasse, mas o desempenho de Ginter foi bom e o jogador permaneceu no time titular.

Até o momento, Ginter já jogou nove jogos na temporada 2015-2016, criou quatro assistências e marcou dois gols – impressionante, não? Como lateral, o jogador tem mostrado confiança e não tem se atido ao trabalho defensivo, que era o que muitos esperavam que ocorresse. Apesar da altura, o jogador tem mostrado desenvoltura para ir à frente, o que tem feito com frequência e qualidade – o gol marcado contra o Ingolstadt mostra com perfeição a forma como o jogador tem descido ao ataque.

Defensivamente, o jovem também vem bem. Segundo o Squawka, o jogador tem um percentual de 75% de aproveitamento das tentativas de recuperação de bola, 76% de sucesso nas disputas aéreas e 42% nos desarmes.

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“Ele faz as coisas muito, muito bem. Estamos extremamente felizes com seu nível de concentração, sua coragem e a convicção com que joga. Previamente, perguntei-o se ele se imaginaria na função (de lateral direito). A ideia ganhou terreno com as perdas de Piszczek e Erik Durm, lesionados (…) estou muito feliz por ele, que trabalhou muito duro por isso. Ele também nos dá presença aérea. Seu progresso é excelente, disse Thomas Tuchel após a vitória do Dortmund contra o Hannover.

Foto: DFB.de

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Pelas mãos de Tuchel, Ginter ganhou espaço no time e mostrou uma nova e boa faceta, como lateral. Quem não quer ter em seu elenco um jogador que oferece um leque tão vasto de possibilidades com qualidade? Aos 21 anos, o garoto já representou a Seleção Alemã cinco vezes e, com uma frequência maior de atuações em seu clube, deve receber mais oportunidades, até mesmo porque a Nationalelf tem sofrido com a lacuna deixada pela aposentadoria de Philipp Lahm (Emre Can, Sebastian Rudy e Shkodran Mustafi vêm sendo as opções usadas por Joachim Löw).

O que era apenas um improviso, uma situação transitória, vai se tornando, a cada dia, uma realidade permanente. A empreitada de Ginter pela lateral direita vem sendo um sucesso.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.