O bom início da renascida Fiorentina

  • por Giovanni Ghilardi
  • 4 Anos atrás

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O cenário é Florença, e o nome já diz tudo: cultura, arte e ideologias floresceram por lá. A cidade italiana foi sede do Renascimento e, tempos depois, ganhou pinceladas violetas com seu time de futebol. A Fiorentina nasceu para mostrar ao mundo que aquelas terras também poderiam ser férteis para o esporte bretão.

Depois de belas primaveras e alguns invernos gelados pelas terras da Toscana, nos deparamos com um ótimo início de temporada da Squadra Viola, com direito a vitórias sobre Chelsea e Barcelona na pré-temporada e liderança do Campeonato Italiano nas primeiras seis rodadas.

Isso é fruto, veja só, de um “renascimento” da última temporada. Tudo bem, sabemos que ninguém pintou o teto da Capela Sistina no clube. Mas, mesmo assim, a diretoria teve que repensar tanta coisa que até podemos comparar um pouco o momento da Fiorentina com o movimento.

O homem no centro de tudo

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Sousa orienta a equipe.

Essa era a maior premissa para a linha de pensamento renascentista, mas, neste caso, estamos falando dos técnicos mesmo. É que Vincenzo Montella deixou o comando da equipe depois de três temporadas classificando o time para a Liga Europa.

O substituto foi o português Paulo Sousa, ex-treinador do Basel e ex-jogador da rival Juventus – o que o fez chegar com certa reprovação. Rapidamente, contudo, o novo treinador ganhou o respeito da torcida, mostrando sua calma enquanto montava um bom time, dava chance aos jovens e esculpia boas formações nos jogos.

Novo cenário, novas ideias, novos protagonistas

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Kuba comemora um gol com a camisa Viola.

Não foi só Montella que deixou a equipe. O grande destaque da última temporada, Mohammed Salah, causou a fúria dos torcedores ao trocar a capital do Renascentismo pela capital da Itália.

Além dele, outras peças importantes deixaram o Artemio Franchi. Joaquín e Savic foram para a Espanha (o primeiro para o Bétis e o segundo para o Atlético de Madrid), Mario Gomez não correspondeu às expectativas e foi jogar no Besikitas, o goleiro brasileiro Neto foi para a Juventus e, por fim, os medalhões italianos Gilardino e Diamanti também se despediram rumo ao Palermo e ao Watford, respectivamente. 

Para repor toda essa gente, novas peças chegaram para iluminar o elenco. O espanhol Verdú e principalmente Kuba do Borrussia Dortmund vieram para o lugar de Joaquín. Mario Suárez fez o caminho inverso de Savic e veio para a volância. Na zaga, a solução foi o jogador da seleção italiana Astori, que assumiu a camisa 13. Para o ataque, a Viola trouxe o croata Kalinic e Gilberto, do Botafogo, para jogar mais à frente do que costumava no clube carioca.

Surge um novo artista

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Festa do bambino.

Além desses nomes, a Fiorentina contou com a ascensão de Bernadeschi, jovem que também veste as cores da Azzurra nas categorias de base. O atacante anotou dois tentos na vitória contra o Barcelona, mostrou que poderia ser mais útil na temporada e herdou a camisa 10 que já foi vestida por Baggio.

O garoto tem personalidade e vem fazendo boas partidas, entrando muitas vezes como titular. Ele tem mostrado que pode brigar por espaço e ajudar a equipe Viola a chegar mais longe.

Trecento, quattrocento ou cinquecento?

O grito de Borja.

O grito de Borja.

Paulo Sousa tem promovido rodízio entre seus atletas e diversas variações nas formações táticas. O técnico muitas vezes adianta os laterais (já que conta com ótimas atuações de Marcos Alonso), recua os pontas ou deixa apenas um jogador responsável pela armação. Assim, o meio de campo se torna um organismo vivo, podendo contar com três, quatro ou cinco atletas. A certeza tem ficado por conta das ótimas atuações de Borja Valero, sendo o mestre do novo movimento fiorentino.

Nem tudo são flores em Florença

A derrota na Liga.

A derrota na Liga.

Mesmo com as boas vitórias do início, a equipe Viola precisa ter cautela. Pela Liga Europa, o time tropeçou contra o Basel em casa, perdendo por 2×1 e desanimando os torcedores.

Agora, com a equipe mais entrosada e com novas peças, a Fiorentina tenta manter a filosofia vencedora para ver belas flores no futuro. A liderança no Italiano é o primeiro broto desse trabalho, que, mesmo parecendo simples, não vinha desde 99.

Pra finalizar essa história toda, o que podemos fazer é nos basear na pintura mais famosa do período, a Gioconda ou Mona Lisa, e continuar acompanhando todos os passos da Viola com nosso olhar.

Comentários

Cresceu acompanhando de perto o glorioso Bragantino e viu que em meio às vitórias e derrotas, existem muitas boas histórias pra contar. Seja nos livros, nos cinemas ou até em uma mesa de bar; o futebol sempre está presente.