O laboratório de luxo do Borussia Dortmund

  • por Rogério Júnior
  • 4 Anos atrás

A vitória dramática sobre o Krasnodar, na última quinta-feira, pela UEFA Europa League, serviu para sacramentar um aproveitamento excepcional de Thomas Tuchel e seus comandados. Ao todo, são dez jogos e dez vitórias na atual temporada – contabilizando jogos por Bundesliga, DFB Pokal, além da própria UEL.

Além dos russos, outras nove equipes já sentiram a força do novo e reinventado BVB, que preza pela posse de bola, propõe os jogos, minimiza os erros defensivos, tão comuns na temporada passada, e que tem se demonstrado letal no campo de ataque, através do desenho formado pelo trio Marco Reus, Kagawa e Mkhitaryan que, em entre outros ofícios, possuem a função de abastecer o gabonês Pierre Aubameyang, autor de nove dos trinta e seis gols do time no período.

Mas a estreia no torneio continental teve uma utilidade ainda mais importante para Tuchel. Ficou claro que o treinador irá fazer da Europa League, ao menos na fase de grupos, uma espécie de laboratório de ideias, promovendo alterações de jogadores, novas disposições táticas e outras maneiras de jogar, priorizando, num primeiro momento, a Bundesliga.

Contra o Krasnodar, o treinador surpreendeu em vários aspectos. Na escalação inicial, as mudanças já eram vistas nas entradas de Gonzalo Castro, Park Joo-Ho, Adnan Januzaj, além da manutenção de Ginter na lateral direita, mesmo com o polonês Piszczek já disponível na delegação.

Outra mudança notória foi o desenho tático inicial. Thomas Tuchel saiu do 4-2-3-1, utilizado na maioria do tempo na Bundesliga, e aplicou um 4-1-4-1, com Gündogan preso a frente da primeira linha e tendo a função de guarnecer a segunda, que tinha o belga Januzaj na ponta direita, Castro e Park preenchendo o meio e Mkhitaryan aberto pelo lado esquerdo do campo.

Foto: Divulgação BVB - Gonzalo Castro, Park Joo-Ho e Adnan Januzaj foram as principais novidades do time que foi a campo na estreia da UEL.

Foto: Divulgação BVB – Gonzalo Castro, Park Joo-Ho e Adnan Januzaj foram as principais novidades do time que foi a campo na estreia da UEL.

O jogo

Apesar da posse de bola superior e do domínio territorial, o Borussia foi surpreendido logo aos 12 minutos da primeira etapa, quando Mamayev escapou da marcação de Gündogan e apareceu livre na pequena área para anotar o primeiro gol da partida. Na base do ímpeto e na organização tática, o Borussia foi a frente e, nos instantes finais do primeiro tempo, Ginter apareceu livre na área para completar o cruzamento de Park, empatando a partida.

O gol ofereceu outras possibilidades ao inquieto Tuchel. Era hora de propor novas variações e foi isto que fez. Kagawa entrou no lugar de Schmelzer e, enfim, Park foi ocupar sua posição de origem – onde se destacou no Mainz, com o próprio treinador aurinegro no comando. Outra mudança foi a entrada do talentosíssimo Weigl no espaço de Gonzalo Castro, o que fez com que Gündogan fosse levado para a segunda linha do meio de campo, mantendo a ideia tática.

Foto: Divulgação BVB - Ginter e Park foram os grandes personagens da vitória aurinegra diante do Krasnodar

Foto: Divulgação BVB – Ginter e Park foram os grandes personagens da vitória aurinegra diante do Krasnodar

As mudanças logo surtiram efeito e, novamente nos acréscimos, o Borussia conseguiu a tão desejada virada no marcador. Sob a batuta de Weigl, que rodava a bola a todo instante, a pelota passou por sete jogadores até encontrar a cabeça de Park, que com os seus 1.74 metros de altura, foi a rede.

• O gol da virada:

Weigl, cumprindo a função do primeiro passe, dá a Park que logo entrega para o belga Januzaj, que flutua na ponta esquerda antes de entregar para Mkhitaryan. O armênio logo enxerga Gündogan que, calmamente, segura a bola e abre totalmente o jogo a entregando para Ginter, fixado na ponta direita. Coube ao lateral devolver o presente do primeiro tempo ao sul-coreano.

Foto: Divulgação BVB - Thomas Tuchel, uma verdadeira usina de ideias.

Foto: Divulgação BVB – Thomas Tuchel, uma verdadeira usina de ideias.

O gol nada mais é que o retrato da versatilidade do novo Borussia, que se apropria cada vez mais da usina de ideias de Thomas Tuchel, treinador que tem a Europa League como principal residência de suas idealizações.

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.