O renascimento de Willian

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: Cruzeiro - Willian comemorando um de seus 28 gols pelo clube

Foto: Cruzeiro – Willian comemorando um de seus 28 gols pelo clube

Quando chegou ao Cruzeiro em meados 2013, após uma negociação envolvendo Diego Souza, Willian desembarcou em Belo Horizonte sob muita desconfiança. “O que um jogador que não era titular nem em seu time no futebol ucraniano poderia acrescentar ao Cruzeiro?” era a dúvida que pairava na cabeça dos torcedores. Nem no Corinthians, seu último clube até então no Brasil, foi unanimidade. Mas em campo o resultado foi bem satisfatório.

Sendo apenas uma opção no banco em sua chegada, não demorou a ganhar a titularidade, colocando Dagoberto, um dos destaques do time no momento, na reserva. No Brasileirão daquele ano, disputou 26 jogos, sendo 20 como titular, marcou sete gols e deu nove assistências. Só não teve maior destaque porque a temporada foi de Everton Ribeiro e Ricardo Goulart, os principais nomes do tricampeonato Brasileiro celeste.

O padrão tático foi o mesmo durante toda a temporada. Um 4-2-3-1, em que inicialmente Dagoberto atuava aberto pela esquerda. Com a chegada de Willian o time ganhou mais intensidade, além de melhorar a recomposição defensiva por aquele lado, já que tinha um preparo físico melhor que o de Dagoberto para marcar o lateral-direito adversário. Entre os atacantes do clube que disputaram o Brasileirão, ele foi quem mais realizou desarmes certos (37) e errados (11). Na parte ofensiva, foi o segundo com mais assistências (9), o terceiro em passes para finalização (44) e o terceiro em finalizações certas (27).

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Veio o ano de 2014 e Willian, mesmo vindo de ótima temporada, não tinha vaga absoluta no time. Culpa do ótimo elenco celeste e de sua queda de rendimento. O primeiro semestre foi marcado pela conquista do Campeonato Mineiro e pela eliminação precoce na Copa Libertadores. Após a Copa do Mundo, o time tinha dois objetivos para fechar com chave de ouro a temporada: os títulos do Brasileirão e da Copa do Brasil.

No primeiro torneio, o time fez bonito e foi campeão com duas rodadas de antecedência. Willian, de uma temporada de altos e baixos, terminou a competição com 27 jogos, sendo apenas 15 como titular, com dois gols marcados e seis assistências. Já na Copa do Brasil o atacante foi titular na maior parte do torneio, tendo como destaque a partida de volta contra o Santos, em que marcou dois gols no empate por 3×3 no jogo de volta, na Vila Belmiro. Talvez, sua melhor atuação na temporada.

O ano de 2015 tinha tudo para ser o ano de Willian. Com as saídas de Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Dagoberto e Marcelo Moreno, o “Bigode Grosso” ganhava a missão de ser o responsável em auxiliar os novos e jovens contratados a manter o time na disputa por títulos. Mas os resultados não vieram, e com a queda de Marcelo Oliveira tudo desmoronou. Luxemburgo chegou e Willian, de titular, passou a figurar cada vez mais no banco de reservas.

Nas últimas dez partidas sob o comando de Luxemburgo, Willian ficou em campo apenas 188 minutos. Mas Vanderlei caiu, e Mano Menezes foi o escolhido para reerguer a equipe. De um time desorganizado e inofensivo, o Cruzeiro se mostrou um time competitivo e com muito potencial para evoluir. E evoluiu. Os resultados podem dizer o contrário, em quatro jogos foram uma vitória, dois empates e uma derrota, mas as atuações dentro de campo tem agradado a torcida, que não à toa colocou 70 mil pessoas no Mineirão somando os dois últimos jogos no estádio.

William map

Foto: Reprodução Footstats – Movimentação de Willian na vitória sobre a Chapecoense

E quem mais cresceu nesse novo momento foi Willian. De isolado na ponta esquerda, onde já se sentia desconfortável com a obrigação de marcar o lateral adversário, o atacante foi deslocado para o centro, onde participa mais da partida e auxilia na criação, além de se destacar como principal finalizador. No 4-1-4-1 que foi implantado na equipe celeste por Luxemburgo e que foi aperfeiçoado por Mano, Willian atuou como referência nos dois últimos jogos, e, graças a seu bom passe, drible, visão de jogo e ótimo poder de finalização, tem agradado bastante. Além disso, alternou esta forma de jogar com um posicionamento mais recuado, partindo da direita para o centro, sendo muito mais acionado e participativo.

Desde a chegada de Mano Menezes, Willian disputou cinco jogos, marcou seis gols e é o grande nome do time que reage no campeonato. Ainda é cedo para cravar que o jogador cruzeirense voltará a apresentar aquele futebol de quando chegou ao clube ou que conseguirá guiar o time a uma reta final de campeonato sem tantos sustos. Mas podemos dizer que o Bigode Grosso renasceu das cinzas e que a torcida é quem mais sai ganhando.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.