Os méritos de Dorival Jr. no Santos 2015

  • por Doentes por Futebol
  • 5 Anos atrás

(Por José Victor, do blog Padrão Tático)

No dia 9 de julho de 2015, Dorival Júnior foi anunciado oficialmente como novo técnico do Santos, assumindo a equipe na zona de rebaixamento, após o time ter sido goleado por 4 x 1 pelo Goiás (ao final da 12ª rodada).

Atualmente, a equipe está  nas quartas-de-finais da Copa do Brasil e brigando por uma vaga no G4 do Brasileirão. Se fôssemos considerar apenas os resultados, o trabalho já seria tachado como excelente. Porém, analisando o desempenho tático, o trabalho de Dorival merece ainda mais elogios: seu Santos é um time organizado, ofensivo, agressivo, de mobilidade e, principalmente, baseado no jogo coletivo.

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC

Com o treinador, a principal mudança da equipe em relação ao trabalho Marcelo Fernandes é aposta no jogo coletivo – não esquecendo de explorar o potencial individual. Foi assim que, o talentoso Gabriel ganhou uma vaga no time titular.

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A joia santista passou a ser orientada por Dorival a se doar mais pelo coletivo, como disse o próprio treinador em entrevista. Vale ressaltar que, além de Gabriel, Dorival apostou em outros jogadores da base, como por exemplo Thiago Maia, que ao lado do experiente Renato forma uma ótima dupla de volantes.

“Trabalhamos buscando caminhos, acentuando trabalhos táticos e técnicos. Conseguindo dar essa repetição de trabalho, se tira mais de cada um deles. Mas se não houver uma mudança de postura individualmente, não alcançaremos nada. A repetição ajuda. O Gabriel passou a ser coletivo nas últimas três partidas. Espero que não mude este comportamento” (disse Dorival, ainda em julho).

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Sistema tático:

A base da equipe é o 4-2-3-1, geralmente com Renato e Thiago Maia à frente da defesa e por trás da móvel linha intermediária de ataque formada por Gabriel pela direita, Lucas Lima pela faixa central e Geuvânio (que está lesionado, com Marquinhos Gabriel no seu lugar) à esquerda, com Ricardo Oliveira – artilheiro isolado do Brasileirão, com 17 gols – mais a frente.

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Movimentos-chave do time santista:

No momento em que o time adversário está fazendo a saída de bola, o Santos adianta no mínimo 5 jogadores – na imagem abaixo são 6 – pra pressionar a saída, com o objetivo de roubar a bola próximo do gol ou forçar o chutão – facilitando o trabalho defensivo da equipe e, consequentemente, prejudicando a organização ofensiva do adversário.

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Quando a equipe não executa com sucesso a marcação pressão e o adversário chega no campo de ataque, o Santos se fecha, como na imagem abaixo, com duas linhas de quatro bem compactas, com Lucas Lima – que hora fica por trás de Ricardo, formando uma espécie de 4-4-1-1 – e Ricardo Oliveira à frente da segunda linha. Mas com um grave problema: mesmo apresentando grandes características da marcação por zona, o time ainda insiste em fazer marcações individuais (com Marcelo Fernandes no cargo, isso era muito mais comum).

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O encaixe individual de marcação (o famoso ”cada um pega o seu”) ainda é, infelizmente, muito utilizado no Brasil. Ao utilizar esse tipo de marcação, a equipe enfrenta diversas dificuldades. A maior delas se dá quando enfrenta um time com movimentação bem coordenada, podendo se desvencilhar dos encaixes individuais, pois cria-se uma indefinição na marcação do adversário. Além de uma possível criação de um efeito dominó: um erro individual do marcador força uma cobertura, que abre um espaço e deixa um adversário livre pra receber a bola. Considero isso é um dos atrasos do futebol brasileiro.

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Vale ressaltar que a equipe sempre busca intensamente a criação de superioridade numérica no setor onde a bola está (no jogo) – como na imagem abaixo – e fechar as linhas de passe do adversário com a bola, até recuperá-la ou ”quebrar” o passe e, consequentemente, prejudicar a organização ofensiva. Isso exige um forte trabalho coletivo:
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Na saída de bola, o Santos tem uma peça fundamental: Lucas Lima – as jogadas nascem com ele, o segundo melhor passador da equipe no Brasileirão (1058 passes certos), fica atrás apenas de Victor Ferraz (1178).
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O jovem é um meia dinâmico, que se aproxima dos volantes, recebe a bola, pensa, agiliza e qualifica ainda mais a construção de jogo da equipe – como na imagem abaixo. Mas não é só ele que participa ativamente da saída de bola, pois os volantes Renato e Thiago Maia não ficam parados, criam linhas de passe e quando recebem a bola, possuem passe qualificado pra fazer o time ter progressão vertical pelo centro do campo.
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Em entrevista ao blog Painel Tático, Dorival disse que o conceito que sempre o acompanhou foi a busca pelo gol a todo momento: isso se aplica dentro de campo no Santos. Após a saída, a transição da equipe entre defesa e ataque é muito rápida e agressiva, com troca rápida de passes curtos e participação importante do quase onipresente Lucas Lima, que procura tabelas – como na imagem abaixo – e/ou triangulações com os companheiros pela faixa central e/ou pelas beiradas no terço final do campo. Com essa dinâmica, o time alvinegro muitas vezes envolve os adversários, um dos objetivos de Dorival.
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“Gosto de montar equipes de orientação ofensiva. Acredito que futebol é isso: trocar passes em velocidade, buscando o gol sempre” (disse Dorival, em entrevista ao blog Painel Tático).
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Na mesma entrevista, Dorival afirmou que quer ver Lucas Lima na área adversária, pois ele tem qualidade pra isso: ele vem executando a instrução muito bem – como mostra o flagrante tático abaixo – chegando para finalizar ou dar o passe final pra algum companheiro dentro da área (já que a equipe santista costuma chegar com vários jogadores nela, sejam se infiltrando pelo meio ou entrando em diagonal, tudo treinado por Dorival Júnior).
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”A princípio, não quero o Lucas tão recuado, pois perde muito do que ele tem de melhor: a chegada na intermediária e distribuição de bola. Quero ver o Lucas pisando na área pois ele tem qualidade pra isso” (ressaltou Dorival, em entrevista ao blog Painel Tático, do globoesporte.com. Dito e feito).

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Entretanto, o time alvinegro não vive apenas de propor o jogo, e sabe como poucos jogar na base da reação ao adversário, o famoso contra-ataque. Nele a equipe busca definir rapidamente as jogadas, trocando passes rápidos e curtos ou invertendo rapidamente o lado da jogada, utilizando do talento individual de seus jogadores, mas sem esquecer do jogo coletivo. É admirável.

O trabalho de Dorival é excelente até o momento – como já foi dito anteriormente – porém, oscilações ocorrerão (como na derrota no clássico contra o Corinthians). O treinador tem feito por merecer iniciar finalmente um trabalho com planejamento a longo prazo, algo faltou em suas últimas passagens por clubes.
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