Sigurvinsson, um pioneiro islandês

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A Seleção da Islândia está na moda. Comandada pelo talento de Gilfy Sigurdsson, craque do Swansea City, a equipe acaba de conseguir sua primeira classificação para uma Eurocopa, superiorizando-se a equipes como Holanda, Turquia e República Tcheca. Apesar do atual destaque, poucas pessoas se lembram de um dos primeiros islandeses a brilhar no cenário internacional: Ásgeir Sigurvinsson.

Quando se fala em futebol islandês, a primeira lembrança que ocorre à maioria das pessoas é a de Eidur Gudjohnsen, ex-Chelsea e Barcelona (os mais privilegiados mnemonicamente podem se lembrar do fato de que o atacante chegou a atuar com seu pai com a camisa da seleção). O que poucos se recordam é o brilho de um outro atleta islandês, que desfilou bom futebol em solo germânico na década de 80.

Considerado o maior jogador de futebol da história do país, segundo pesquisa promovida pela Associação Islandesa de Futebol em parceria com um canal de televisão, Ásgeir Sigurvinsson jogou excelente futebol no Standard de Liège nos anos 70, passou rapidamente pelo Bayern de Munique, conquistando uma Copa da Alemanha, e brilhou no Stuttgart, onde foi referência, capitão e encerrou a carreira.

Sigurvinsson deu seus primeiros passos no modesto ÍBV Vestmannaeyjar, equipe centenária da cidade de mesmo nome, que, todavia, só conquistou três vezes o campeonato local. Em seu tempo, o craque foi o jogador mais novo a vestir a camisa da seleção, estreando aos 17. Pela ÍBV, também aos 17 anos e antes de partir para a Bélgica, conquistou uma Copa da Islândia, seu único título no time.700w

Meio-campista de talento, com boa capacidade de controle do jogo, condução de bola e criatividade – podendo também atuar no ataque, sobretudo pelo flanco esquerdo –, o jogador marcou época com a camisa do Standard Liège, onde chegou em 1973. Ao todo, foram oito anos no clube, com mais de 300 partidas disputadas e, no entanto, apenas um título: a Copa da Bélgica de 1981. Contudo, considerando o panorama do futebol belga de então, com amplo domínio do Club Brugge, que chegou a ser finalista da UEFA Champions League, as poucas conquistas são bastante compreensíveis.

Curiosamente, antes de partir para Liège, o jogador teve uma oportunidade importante e recusou-a. Convidado para treinar no Glasgow Rangers, chegou a receber um contrato, mas optou por não o assinar.

Em 1981, após sua única conquista com o Standard, partiu para o poderoso Bayern de Munique, pelo qual conquistou um título da Copa da Alemanha. A despeito disso, sua única temporada no clube foi marcada bem mais pelo excesso de horas no banco de reservas do que propriamente por glórias. Assim, logo deixou o clube bávaro e imediatamente seguiu para o Stuttgart, onde viveu os melhores dias de sua carreira.

Com a camisa dos Roten, Sigurvinsson mostrou seu melhor futebol e esteve em grande nível. O terceiro lugar da Bundesliga em sua primeira temporada pelo clube sinalizou o que estava por vir e, logo na sequência, em 1983-1984, o Stuttgart conquistou a Bundesliga e Sigurvinsson o título de melhor jogador da temporada, em votação dos próprios atletas que disputaram o campeonato.

Nos anos que se seguiram, compartindo lugar no campo com figuras importantes como Jürgen Klinsmann, não voltou a conquistar títulos, mas seguiu fazendo um ótimo papel e se tornou o capitão do time. Em 1989, bateu na trave na UEFA Cup, perdendo a final para o grande Napoli de Maradona, Alemão e Careca – seu último grande momento. Em 1990, após conduzir o time a um honrado 6º lugar na Bundesliga, Sigurvinsson pendurou as chuteiras.03072013_bundesligaclassic_napolistuttgart_header

Por sua seleção, atuou entre 1972 e 1989, entrou em campo 45 vezes e marcando cinco gols.

Desconhecido para muitos, Sigurvinsson foi um dos primeiros jogadores de seu país a romper as fronteiras islandesas e brilhar em outros centros. Embora não seja tão lembrado pelo mundo, de forma geral, é certo que a torcida do Standard Liège e, sobretudo, a do Stuttgart não o esquecem – assim como os próprios islandeses, que veem nele um grande motivo de orgulho.

Entre 2003 e 2005, comandou a seleção da Islândia sem grande êxito. Durante esse período, em entrevista concedida ao site oficial da UEFA, Sigurvinsson falou sobre o problema central do futebol islandês, dando sua explicação para um padrão do qual foi exceção em um tempo ainda mais difícil para o futebol do país e transparecendo sua esperança no futuro.

“Nós sempre tivemos bons e promissores jovens jogadores e, afortunadamente, clubes estrangeiros têm mostrado interesse na Islândia. O problema na Islândia é a curta temporada. Desde os 18 anos os jogadores precisam ir para outros países jogar futebol o ano inteiro. Você nunca pode esperar ter onze jogadores de classe mundial. Todavia, as pessoas têm olhado a Islândia há anos e espero que isso continue”.

Se depender do exemplo de Sigurvinsson, o futuro islandês está garantido e a continuidade ao brilhante trabalho que vem sendo feito na atualidade persistirá. Nessa toada, Sigurvinsson’s, Gudjohnsen’s e Sigurdsson’s farão parte, em um futuro não tão distante, dos elencos de grandes clubes mundo afora.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.