Tão perto, não importa o quão distante

  • por Nilton Plum
  • 6 Anos atrás

Foto Arquivo

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Seria muito fácil escrever sobre o Flamengo alçado pela empolgação das 6 vitórias consecutivas com direito a belos gols. O Flamengo, único time do Brasil que se movimenta em hipérbole e se equilibra na crise, viveu dias com os quais não estava muito habituado. Bom futebol, organização, golaços, vitórias… Quando este conjunto ocorre é impossível frear o torcedor-médio e a mídia em geral que se acostumaram a arrancadas fenomenais, a vitórias milagrosas, a sangue e suor.

Ultimamente o rubro-negro carioca não tem se dado bem com recordes de público. Foi assim na derrota para o Grêmio (1 x 0) ano passado no Maracanã com requintes de crueldade do gol aos 46 do segundo tempo. Foi assim neste ano, no suadíssimo empate contra o Sport, no mesmo Maracanã. Foi assim na derrota para o Coritiba (2 x 0). O Flamengo tem sido um formidável visitante e, contrariando o cerne de sua história, um deplorável mandante. O que leva a crer que existe algo fundamental ocorrendo na relação time/torcida…

É preciso que se critique a postura da torcida em Brasília sim. Um torcedor de mimos como tantos outros que se espalharam país afora por estes estádios da Copa. Que paga um caro ingresso e absorve em espírito a ideia de que seu time não pode, de qualquer maneira, sob qualquer contexto, ser exposto à derrota. E contra o Coxa nem foi daquelas derrotas vexatórias às quais o Flamengo se expôs no início do campeonato… O que vale a pena então? Encher os cofres, viajar o país, lotar os estádios, jogar decisivos jogos, usando a maioria opressora que o time possui ou jogar pela média de público no calor do Maracanã?

Nem tanto, nem tão pouco. O Flamengo pode sim, ser nômade. Quando nada mais estiver em jogo. Até porque, este elenco, montado tardiamente ao longo da competição, a despeito das melhoras evidentes que começaram com o Cristóvão e estão a pleno vapor com o Oswaldo, não possui o escopo psicológico para suportar pressão de qualquer tipo, salvo algumas exceções. Parece não ter sido talhado para isto. É um cachorro latindo atrás de um carro que não saberá o que fazer se conseguir alcançá-lo. Pode vir o G4, pode vir um utópico título. O Flamengo continua se desmantelando ao tomar um gol adversário e este é seu calcanhar de Aquiles.

Num campeonato tão nivelado e equilibrado, onde existem sete, oito equipes grandes e apenas uma é campeã, a manutenção de um bom posicionamento na tabela vem com regularidade, postura, equilíbrio emocional e compreensão da torcida.

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