A difícil Arte de Flamengar

  • por Nilton Plum
  • 6 Anos atrás
Canteros perplexo com um objeto que não lhe parece mais familiar (foto arquivo)

Canteros perplexo com um objeto que não lhe parece mais familiar (foto arquivo)

Existe uma expressão criada especificamente para contextos nos quais o Flamengo se envolve que a maioria dos flamenguistas detesta: Flamengada. Consiste basicamente naquele momento em que o torcedor rubro-negro deixa de lado sua arrogância natural, sua fé inquebrantável, seu fanatismo religioso e diante de uma situação completamente e estupidamente favorável à glória, ele chega à conclusão de que o time chafurdou na lama fétida do fracasso.

A flamengada mais antiga é do histórico primeiro Fla x Flu. É bem conhecida. Brigas, intrigas, dissidências… e nascia o futebol no Flamengo!! No primeiro confronto, todos pensaram: “Virão com a faca nos dentes!! Com sangue nos olhos!!!”. Perderam de 3×2. Flamengaram.

Notem que a flamengada não é uma derrota qualquer, ela envolve ritos. A mais famosa, sem sombra de dúvida, é contra o América do México. O time venceu bem no México. Convenceu. Jogo de volta, Maraca lotado, clima de festa, 2 gols do gordinho Cabañas na derrota por 3 x 0, desclassificação, crise, vexame.

O paraguaio Cabañas foi o carrasco do Flamengo em 2008 (foto arquivo)

O paraguaio Salvador Cabañas foi o carrasco do Flamengo em 2008 (foto arquivo)

O Flamengo de 2015 é um entusiasta da difícil arte de flamengar como somente o Flamengo sabe fazer. Apunhala os Césares sofridos, como bem dizia o Nelson, várias e várias vezes e com requintes de crueldade, porque lhes oferece a esperança efêmera; o mais afiado punhal.

Dos 10 clubes que constituem a atual segunda página da tabela do brasileirão, o Flamengo empatou em condições precárias contra o Sport, perdeu o primeiro jogo para o Fluminense, perdeu o primeiro para o Cruzeiro, perdeu os 2 jogos para o Figueirense (sendo o primeiro um vexame e o segundo um chocolate), perdeu o primeiro para o Avaí (com gol irregular dos catarinenses), perdeu o segundo para o Coritiba (com 70 mil torcedores no estádio), perdeu os 2 jogos para um dos piores Vascos da história (somatizando as eliminações do Estadual e da Copa do Brasil). Ganhou 2 vezes da limitada Chapecoense e do fraquíssimo Joinville. Ainda não jogou a segunda partida contra o Goiás nem contra o CAP (de quem ganhou em casa, mas de quem NUNCA ganhou no Paraná em Brasileirões). Não conseguiu ganhar a patética Taça Guanabara, porque não venceu o Nova Iguaçu. Virou pouquíssimos placares adversos.

2015 entra para a História do clube como o ano em que mais se flamengou… Se por uma destas ironias do futebol a vaga da libertadores cair no colo rubro-negro, porque por esforço próprio será dificílimo, a base torta do elenco frouxo e torto de 2015 deve ser reformulada do massagista ao departamento médico (ahhhhh o departamento médico!!!!),do roupeiro à contratação milionária. Tudo deve ser pensado e repensado, porque na competição intercontinental sempre haverá Emelecs e Américas…

Contra o Figueirense, que luta com todas as forças para permanecer na Série A, o Flamengo teve 70% de posse de bola impotente. Precisava de uma combinação improvável de resultados para dormir no G4. SP, Palmeiras e Inter deveriam perder seus respectivos jogos. A combinação aconteceu e o Flamengo perdeu de 3 x 0. Flamengou.

Existe o outro lado da moeda, é claro. Os gols de Rondinelli, Pet, Elias e Márcio Araújo… Os Fios, Obinas e Brocadores… As improváveis arrancadas… Mas a flamengada existe e é um padrão histórico. Nestes tempos ela só está… rotineira.

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