Meninos de ouro

  • por Victor Mendes Xavier
  • 4 Anos atrás

Em tempos de crise econômica e desigualdade na divisão da receita televisiva, muitos clubes da Espanha apostaram no trabalho da divisão de base e/ou na compra de jogadores jovens, de baixo custo. Não à toa, as seleções de base da Roja vêm abocanhando títulos atrás de títulos nas competições das categorias sub-17, sub-19, sub-20 e sub-21. Neste início de temporada, três jovens têm ganhado destaque em seus times e começam a chamar atenção da imprensa: o croata Alen Halilovic, do Sporting Gijón; o argentino Ángel Correa, do Atlético de Madrid; e o espanhol Marco Asensio, do Espanyol.

Alen Halilovic, 19 anos
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Desde que estreou pelo Dínamo Zagreb, Halilovic sempre foi uma figura muito midiática em seu país. Na Croácia, muitos depositam nele a esperança de um futuro de maior competitividade da seleção nacional. O Barcelona não perdeu tempo e o contratou um pouco antes dele contratar 18 anos. Seu primeiro ano no Barça B foi marcado pela irregularidade, mas a diretoria blaugrana ainda deposita esperança no garoto. O empréstimo para o Sporting Gijón, que, na temporada passada, conseguiu o acesso à primeira divisão com um time recheado de jovens, lhe caiu bem.

Halilovic é um ponta com espírito de meia. No Sporting Gijón, isso está mais evidente. O jovem ganhou liberdade de movimento do treinador Aberlado atuando de maneira semelhante a Bale no atual Real Madrid. No 4-2-3-1 asturiano, Alen parte do centro, mas se desloca muito à ponta direita. Além disso, baixa alguns metros para tentar armar jogadas, especialmente quando os rojiblancos saem com a bola. Halilovic cresce a cada rodada e, no final de semana, embora o Sporting tenha perdido para o Bétis, o croata firmou sua melhor partida na elite espanhola. A positiva conexão com o também jovem Sanabria é um dos pontos de carisma deste início de temporada.

O que mais impressiona em Halilovic é a semelhança com aquele Messi de dez temporadas atrás, também jovem, que estava começando a se firmar no Barcelona de Rijkaard. O croata quer estar em contato com a bola a todo momento e mostra uma visão de jogo que, embora ainda precise ser melhor trabalhada, tem gerado muitos lances de perigo. Halilovic tem três assistências em dois jogos como titular e já assumiu todos os mecanismos ofensivos dos asturianos.

Ángel Correa, 20 anos
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O xodó de Simeone é, taticamente, um coringa para Cholo. Correa pode atuar aberto pelos lados, seja no 4-4-2, ajudando na transição defensiva, ou no 4-3-3, com maior liberdade para atacar, e também pode jogar de segundo atacante no 4-4-2, substituindo Griezmann. Na opinião deste que vos escreve, esta é a melhor posição para o argentino. Correa tem faro de gol, drible e muita movimentação. Elétrico, é garantia segura de passe vertical dos meias, pois se desmarca diagonalmente de maneira surpreendente para alguém tão jovem. Na derrota para o Villarreal, Correa por minutos mostrou-se solução para um pragmático ataque colchonero.

El Chico, às vezes, lembra o Tévez pré-Europa, aquele do Boca Juniors, principalmente quando conduz a bola. Na última Data FIFA, Tata Martino afirmou que “Correa é o jovem mais talentoso do futebol argentino”. Já nos planos do treinador, há uma certa expectativa para ver uma possível dupla com Lionel Messi, seu ídolo.

Ele já havia dado pinceladas de seu poderoso arsenal no Sul-Americano Sub-20 de 2014, quando foi campeão e eleito o melhor jogador. Inclusive, foi o autor de um belo gol contra a seleção brasileira. Depois de abandonar momentaneamente sua curta carreira devido a problemas no coração, Correa começa a dar a volta por cima. Ficamos na torcida.

Marco Asensio, 19 anos
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Asensio é a aparição mais positiva do futebol espanhol nos últimos anos. Muito acima da média, é claramente superior às outras promessas de sua idade do país. Basta ver dois minutos de Asensio para se encantar com seu futebol. Em apenas seis rodadas, Marco, que foi contratado pelo Real Madrid, converteu-se no mais decisivo jogador do Espanyol, clube para qual foi emprestado. Seja lançando bola à área adversária ou conduzindo desde os três quartos do campo, o menino gera perigo a todo instante.

No 4-4-2 de Sérgio, ele costuma partir da direita, mas com um deslocamento para o centro onde dialoga com os volantes, o meia esquerda e os atacantes. Nos últimos jogos, o comandante começa a dar prioridade para uma espécie de 4-4-1-1 ou até mesmo um 4-2-3-1, onde Asensio pode jogar mais centralizado e “tranquilo”. É bom destacar que há dois movimentos muito interessante do espanhol: ele gosta de recuar para construir de trás (somando em jogo interior) e fecha bem a linha de recomposição.

Marco, também, é duro na queda. Seu “ar messiânico” o faz nunca desistir de uma jogada ou cair quando sofre alguma entrada dura: Asensio quer sempre dar prosseguimento às jogadas. Na elite, isso é tudo. Entre outras palavras, um projeto de craque que, certamente, irá dar o que falar nos próximos anos.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.