O despertar dos Potros

  • por Raniery Medeiros
  • 4 Anos atrás

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Revelação da temporada 2014/2015 na Bundesliga, o Borussia Mönchengladbach teve um péssimo começo em 2015/2016, deixando seus torcedores preocupados. A queda de rendimento ficou comprovada quando os Potros perderam 6 dos 7 primeiros jogos do ano. Lucien Favre, técnico do clube desde 2011, pediu demissão e muitos porquês foram levantados.

Foi veiculado que fatores extracampo endureceram as decisões de Favre que, após classificar o time para a Champions League, não teve alguns pedidos sobre contratações atendidos. Parte da imprensa chegou a reportar uma possível indisposição com o próprio elenco.

Vale ressaltar que o suíço lutou, e muito, pelos Potros. Foi ele, por exemplo, que deu oportunidade e aprimorou o futebol de Marco Reus. Lucien Favre deixou uma herança positiva para a tradicional equipe alemã: passes envolventes, jogo vertical, poder de marcação e velocidade.

Apesar de tudo, Favre já não tinha o elenco na mão e perdeu peças importantes como Max Kruse e Christoph Kramer. O que aconteceu para que a equipe caísse tanto de rendimento? Destacaremos alguns pontos.

MARCAÇÃO QUEBRADA

O flagrante é da partida inicial, contra o Borussia Dortmund. O 4-4-2 (com variações), tão bem ajustado, deu espaços para Hummels sair com a bola. O zagueiro, de boa qualidade no passe, não foi pressionado em nenhum momento. Os dois homens de frente não o acompanharam. A goleada foi prelúdio do que estava por vir.

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DEFESA ADIANTADA

Defender-se de maneira adiantada, tentando pressionar o adversário em seu campo de defesa, não é suicídio. No entanto, quando o sistema está desorganizado, com jogadores lentos e desconcentrados, o resultado é terrível. A foto demonstra o forte contra-ataque dos aurinegros pelos lados, com um espaço enorme pelo meio. Dessa forma, Mkhitaryan teve total liberdade para concluir a jogada e fazer seu gol.

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Repare, novamente, no buraco pelo meio. O Mainz 05 soube jogar pelos lados e, na falha de posicionamento do lateral, fez seu gol.

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SOFRENDO COM A SAÍDA DE BOLA E NO JOGO AÉREO

Favre teve Kramer e Xhaka para organizar, com qualidade, a saída de bola. Com a saída do jogador alemão para o Leverkusen, o time bateu cabeça nas primeiras partidas e o erro neste quesito foi recorrente. O jogo diante do Hamburgo evidenciou ainda mais a problemática.

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Em jogos do Brasil, Galvão berrava: “quem é que sobe?”. Os potros sofreram muito com as bolas alçadas na área. Todas as equipes souberam tirar proveito da situação: Dortmund, Mainz 05, Hamburgo, Werder Bremen e Colônia.

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Lucien Favre pediu demissão após a derrota no clássico do Reno, contra o Colônia. Até mesmo na Champions, o time não se encontrou e foi facilmente derrotado pelo Sevilla.

Como mudar o cenário? André Schubert, então treinador do time sub-23, foi chamado para comandar interinamente a equipe. Poucas mudanças foram feitas, mas percebe-se a evolução da água para o vinho.

TOQUE DE BOLA E CONFIANÇA

A tática é de fundamental importância para o desenvolvimento de um padrão de jogo definido. No entanto, quando um jogador se sente confiante, a tendência é que tente coisas que não costumava. Lars Stindl foi a ótima contratação dos Potros para a atual temporada. Veja o que ele fez. Note a presença de área de Herrmann (7), e Julian Korb dando profundidade (direita).

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MARCANDO PRESSÃO

O time passou a jogar mais compacto e voltando a exercer a marcação pressão no campo de defesa do adversário. E o mais importante: Dahoud aparece como elemento surpresa.

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IMPOSIÇÃO, CONTRA-ATAQUE E POSTURA

Contra o Wolfsburg, pode-se ver atuações perfeitas do goleiro ao atacante. O time contou com bom toque de bola, marcação bem ordenada e jogadores concentrados. A frieza de outrora regressou nos 2×0 sobre os Lobos. As imagens evidenciam o time atacando em blocos, com os laterais dando profundidade e, acima de tudo, a aproximação na linha de frente.

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EFEITO SCHUBERT – CONFIANÇA

Na goleada sobre o E. Frankfurt, parecia que não havia passado por um péssimo momento. A partida corroborou a ideia de que o vestiário, outrora tumultuado, estava em paz.

Na Champions League, em um grupo tão complicado, não tremeram. Mesmo perdendo, fizeram um ótimo jogo diante do City e, no empate contra a Juventus, montaram um bom sistema defensivo, obrigando os italianos a chutarem de fora da área.

O Gladbach prima por jogadores habilidosos: Raffael, Herrmann, Stindl, Traoré. Outra qualidade encontra-se na ótima troca de passes, com a aproximação dos meio-campistas ao ataque.

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Clique e assista aos gols

A recente vitória sobre o Schalke 04 só ratifica o potencial dos Potros. Não estamos falando de um time fora de série, com grandes craques. Mas como não gostar do futebol do Raffael? Como não apreciar os dribles do Herrmann?

O time lutará pelo título? Não! Dá para sonhar com Champions League? Talvez! O fundamental é perceber que o Borussia Mönchengladbach é um time tradicional da Alemanha e que a má fase surge para qualquer um. Só não dá para chamá-los de clube pequeno. Os Potros, enfim, despertaram.

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