O encaixe de Danilo e Imbula

Foto: FC Porto

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Na última temporada, o Porto voltou a viver à sombra do Benfica, bicampeão luso em sequência pela primeira vez desde as temporadas 1982-1983 e 1983-1984. Na ocasião, os Dragões tinham uma peça extremamente sólida na composição do meio-campo, Casemiro, e outras que oscilaram muito durante a temporada. Diante disso – e da perda do brasileiro, que retornou ao Real Madrid –, o clube foi às compras e trouxe uma dupla que tem se entendido: Danilo Pereira e Giannelli Imbula.

Após início de carreira atribulado, Danilo vai se afirmando

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Nascido em Guiné-Bissau, Danilo Pereira passou por algumas equipes em Portugal em sua formação, casos de Estoril e Benfica. Acabou por se profissionalizar na Itália, atuando em um já decadente Parma, no qual não teve oportunidades e passou pelo calvário comum de viver uma sucessão de empréstimos.

Primeiro, passou pelo Aris, da Grécia, pelo qual atuou em apenas cinco partidas. Na sequência, retornou ao Parma somente para passar mais uma temporada no ostracismo. Assim, na campanha seguinte, 2012-2013, ganhou uma chance de verdadeiramente jogar, desta vez no futebol holandês.

Envergando a camisa do Roda JC, atuou em mais de 30 jogos, mas não viveu seus melhores dias, tendo feito grande parte da temporada na defesa central, longe do seu habitual e ideal lugar: a cabeça de área, à frente dos zagueiros e com mais liberdade para avançar no campo. Frente a essa realidade, Danilo rompeu seu cordão umbilical com o Parma e partiu, em definitivo, para o Marítimo, clube que o projetou no cenário nacional.

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Em duas temporadas no clube da bela Ilha da Madeira, disputou 70 jogos e mostrou grande nível. Forte fisicamente, dono de bom posicionamento, alto e tecnicamente útil, o jogador brilhou em sua primeira vitrine de verdade e chegou a ser pretendido pelo famigerado grupo dos três melhores clubes do país: Porto, Sporting e Benfica.

Após alguma controvérsia, sobretudo envolvendo os Leões, que chegaram a alegar que o jogador deixou de atender seus telefonemas, Danilo fechou com o Porto por pouco mais de £2 milhões e vem se firmando como titular indiscutível.

“Sinto-me confortável em qualquer posição no meio-campo, seja defensivo ou ofensivo, a “6” ou a “8” (…) Podem esperar um Danilo lutador e a honrar a camisa do FC Porto”, revelou em sua primeira entrevista como jogador do Porto.

Com sete jogos disputados no Campeonato Português, segundo o site goalpoint.pt, tem 83% de aproveitamento nos desarmes, 69% em disputas com os adversários e 77% no jogo aéreo, números extremamente interessantes, principalmente quando ladeados por outros como os 84% de acerto de passes do atleta.

https://www.youtube.com/watch?v=l2eVoQF-RH8

Assim, além de brilhar no Porto, aos 24 anos, Danilo ganhou vaga habitual na Seleção Portuguesa e vai cumprindo o que dele se esperava. Esteve presente no vice-campeonato mundial sub-20 de 2011, momento em que o time luso perdeu para um Brasil mais que especial, que tinha peças como Lucas Moura, Oscar, Casemiro, Danilo e Philippe Coutinho.

Com potencial enorme, Imbula tenta confirmar prognósticos

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Desde que apareceu no modesto Guingamp, o belga de nascimento e francês por opção, Gianni Imbula, é visto com olhos muito atentos por todo o mundo do futebol. Meio-campista alto, combativo, técnico e que demonstra elegância em muitos momentos, o jogador vem prometendo muito há tempos e houve quem estranhasse sua mudança do Olympique de Marselha para o Porto, uma vez que se esperava uma transferência para uma equipe de uma liga mais influente.

Todavia, os Dragões têm sido uma grande saída para a carreira do jogador, que nada conquistou em seu tempo em Marselha, e custou relevantes £14 milhões aos cofres azuis e brancos. Não obstante, todo esse dispêndio vem se mostrando justificado, uma vez que o desempenho do jogador vem sendo excelente, como evidenciou sua atuação contra o Chelsea, na vitória por 2×1, válida pela UEFA Champions League.

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“O FC Porto não é um clube conhecido por dar muito dinheiro aos jovens, portanto não se pode dizer que tenha sido por uma questão de dinheiro que vim para cá. Foi, isso sim, pela confiança que depositaram em mim e pelo projecto desportivo que me apresentaram. Saindo do Marselha para aqui, sinto que subi um degrau na minha carreira e espero que possa confirmar todas as esperanças que o FC Porto deposita em mim”, disse em sua apresentação ao clube.

Com passadas largas e uma perna canhota especial, Imbula já disputou seis jogos no Campeonato Português, tendo um percentual de 90% de acerto de passes, 62,5% de aproveitamento nos desarmes, 50% nas disputas com os adversários e 75% no jogo aéreo. Além disso, o francês proveu uma assistência na partida contra o Marítimo.

Enquanto Danilo se posiciona mais centralizado, à frente da defesa, Imbula atua um pouco mais avançado, levemente deslocado pela faixa canhota. Embora tenham pouco tempo juntos, português e francês já formam um duo interessantíssimo.

https://www.youtube.com/watch?v=pHUtG5D3tR0

Desempenho da dupla pode potencializar a evolução de Rúben Neves…

Quem mais pode se beneficiar do bom momento de Imbula e Danilo é o jovem promissor e talentosíssimo Rúben Neves. Aos 18 anos, o português parece ainda estar longe de seu potencial máximo, o que anima muito o torcedor portista, que já tem estado extremamente feliz com o que tem visto até o momento.

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Dono de extrema personalidade, visão de jogo e qualidade nos passes, Rúben tem a possibilidade de se firmar como um meio-campo excepcional com a ajuda da dupla formada por Imbula e Pereira. Isso porque poderá atuar na faixa em que melhor tem mostrado seu futebol, no centro, mas um pouco deslocado pelo flanco direito, posição em que não tem que destruir tanto e tem mais liberdade para desenvolver sua veia criativa. Assim como Imbula, Neves foi brilhante contra o Chelsea, atuando justamente nesta condição.

…e preocupar outros concorrentes

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A notícia não é tão boa para outros jogadores, caso por exemplo de Héctor Herrera, que até evoluiu na última temporada, mas não joga o futebol que se esperava à época de sua contratação junto ao Pachuca. Embora ainda atue mais que Rúben Neves, muito em função da juventude deste, o mexicano pode, gradativamente, perder espaço no time.

Isso não quer dizer que deixará de ser útil, uma vez que dispõe de diferentes predicados em relação à joia do clube, sendo importante possibilidade para partidas que exijam mais da parte física dos jogadores. Outro indicativo de que pode seguir mais tempo no clube foi a recente renovação de seu contrato até 2019.

Atletas que realmente têm sido deixados de lado são o brasileiro Evandro e o jovem Sérgio Oliveira, que mostrou muito talento e liderança capitaneando Portugal no vice-campeonato do Campeonato Europeu Sub-21 deste ano, mas ainda não atuou em uma partida sequer na temporada. Enquanto o português ainda pode ter esperanças, uma vez que tem apenas 23 anos e foi recomprado junto ao Paços Ferreira (tendo passado anteriormente pelas categorias de base do Porto), aos 29, o brasileiro não deve ter muito futuro no clube.

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Por outro lado, por ser muito versátil e ter grande resistência, o recém-contratado André André é outro nome que se destaca neste início de temporada e deve continuar tendo muitos minutos na equipe principal dos Dragões.

Seja como for, para o torcedor portista, que se acostumou a ver figuras como João Moutinho, Lucho González, Fredy Guarín, Casemiro, Fernando e Raúl Meireles em seu meio-campo nos tempos mais recentes, o desempenho de Danilo Pereira e Gianni Imbula no início da parceria é extremamente animador. Também empolga a liderança do Campeonato Português, com boa vantagem, perante o grande rival Benfica.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.