350 vezes Ralf: o símbolo corintiano dos últimos anos

  • por Larissa
  • 5 Anos atrás
Foto: Daniel Augusto Jr./ Agência Corinthians - Ralf chega aos 350 jogos pelo clube

Foto: Daniel Augusto Jr/ Agência Corinthians – Ralf chega aos 350 jogos pelo clube

É comum ouvir que o primeiro volante não pode mais se resumir a marcação. Precisa aprimorar o passe, ter uma saída de bola melhor e, ainda assim, manter uma boa postura defensiva. Ralf sentiu diretamente os reflexos dessa cobrança este ano, quando, em meio a altos e baixos no time, precisou provar que pode ser bastante útil no meio-campo de intensidade criativa montado por Tite. São trezentos e cinquenta jogos de uma espécie quase extinta no futebol e, junto a isso, um fato também cada vez mais difícil de ver: a identificação de um jogador com um clube por um tempo prolongado.

Em tantos jogos como o talvez principal líder corintiano em campo, Ralf sempre foi um protagonista diferente. Se tivesse Elias ou Paulinho ao seu lado com o intuito de aparecer como um elemento surpresa, o conhecido “cão de guarda alvinegro” marcava seus gols a cada carrinho ou roubada de bola. Além da segurança de sempre, a ausência de cartões vermelhos em seu caminho no clube é um ponto importante. Neste consistente Corinthians campeão brasileiro, é um dos exemplos mais claros de obediência tática e da solidez apresentada rodada a rodada, mesmo que tenha sido reserva algumas vezes.

Analisando especificamente seu desempenho no Campeonato Brasileiro, mantém-se como um dos jogadores que mais acerta passes, além de ter regularidade e precisão nas roubadas de bola, facilitando a vida da primeira linha defensiva do 4-1-4-1 e, consequentemente, dando liberdade para Elias, Jadson e Renato Augusto pensarem ofensivamente. Só apareceu uma única vez balançando as redes: contra o Fluminense, em Itaquera, fazendo o goleiro Cássio atravessar o campo para comemorar o tão sofrido gol. Ralf guarda características e peculiaridades de um eternizado camisa 5, que, apesar de tudo, soube se adaptar.

É uma pena que toda relação passe por momentos turbulentos, e a do volante com o clube não é diferente. A dificuldade na renovação do contrato, a falta de acordo, é o contrário do que é visto dentro de campo, gerando há vários meses a incerteza se sua trajetória vitoriosa no Parque São Jorge está chegando ao fim. Mesmo que isso aconteça, Ralf permanecerá como o maior símbolo corintiano dos últimos anos porque esteve presente nas conquistas mais recentes e por sempre fazer o que pede uma das músicas mais famosas da torcida corintiana: jogar com raça.

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