As pontuais mudanças na Espanha e um Diego Costa mais à vontade

  • por Victor Mendes Xavier
  • 5 Anos atrás

No dia em que concordou com os rótulos de “seleção defensiva”, Vicente Del Bosque e sua Espanha tiveram uma de suas melhores exibições no ciclo pós-Mundial. No amistoso contra a Inglaterra em Alicante, a Roja manteve a tendência agradável dos jogos de 2015 e em nada deixou o jogo chato. Pelo contrário.

As novidades estiveram no ataque. Pela primeira vez desde a famosa dupla Villa e Fernando Torres, Del Bosque escalou dois atacantes de origem no time titular: Paco Alcácer e Diego Costa. A Espanha, que até pouco tempo atrás “aboliu” o uso do camisa 9 para introduzir mais um meio-campista como “falso atacante”, começa a colher os frutos com o retorno da dupla de ataque.

É verdade que o madrilenho vem dando prosseguimento ao famoso estilo de jogo que preza pela manutenção da posse de bola, mesmo sem dois de seus artífices no passado recente, Xabi Alonso e Xavi Hernández, e gestores de jogo que possam emular a dupla. No entanto, é nítido que o ‘mister’ vem fazendo experiências atrás de experiências, principalmente no esquema de jogo. Para encarar o English Team, um nítido 4-2-2-2 à brasileira da década de 90.

Busquets e Thiago como dupla de volantes; Fàbregas e Iniesta à frente; Diego Costa e Alcácer no ataque. Por característica, a dupla de meias não tem o costume de ir à linha de fundo, especialmente o jogador do Chelsea. Até por isso, a cada deslocamento de Andrés e Cesc ao centro, um dos atacantes abria pelos lados para receber a bola. Diego Costa, mais móvel que Alcácer, foi o encarregado de fazer isso com maior frequência.

A história de DC com a Roja ainda está bastante incompleta. Desde a famosa e polêmica decisão de defender a seleção, o hispano-brasileiro passa por um processo de adaptação que parece sem fim. Até porque, o sistema de jogo com o qual está acostumado (tanto no Chelsea, quanto no Atlético de Madrid, em 2014) é diametralmente oposto ao da Espanha. Diego, acostumado a um jogo mais físico e de espaços, encontra um ambiente de ritmo mais lento e paciente na Fúria. Ainda que não tenha tido sua grande noite, foi possível vê-lo mais à vontade ao lado de um outro 9, principalmente pelo fato de não ter que ficar de costas para o gol a todo momento.

Obrigado a se mover, o centroavante não cansou de dialogar com Jordi Alba, inclusive próximo à faixa central do campo. Por vezes, lembrou sua versão de 2012/2013, quando jogava ao lado de Falcao García no Atléti. Talvez se vivesse um momento mais fino tecnicamente, o natural de Sergipe poderia ter balançado as redes. O segundo tempo foi diferente porque Del Bosque optou por uma maior verticalidade ao invés de controle. O enérgico Nolito entrou no lugar de Iniesta, Fàbregas passou a tomar maior conta da saída de bola e Diego Costa passou a atuar mais no centro do ataque. A posse espanhola diminuiu (consequência da substituição forçada de Thiago, por causa de uma nova lesão), e a Inglaterra, preparada estrategicamente de maneira simples, teve maior variedade para agredir a defesa liderada por um sublime Bartra.

Quando o conservador Del Bosque abriu sua mente para a escolha de novas opções, coisas boas vieram. Fica a dica para a Eurocopa.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.