Calleri, o atacante que despertou com Tévez

Foto: bocajuniors.com.ar

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No Boca Juniors é praxe a busca de jovens talentos em outras equipes do próprio país. Assim foi com Diego Armando Maradona e Juan Roman Riquelme – para citar dois apenas. Seguindo esse modus operandi, em meados de 2014, o clube anunciou a contratação de Jonathan Calleri, atacante criado no All Boys e, à época, com 20 anos.

Foto: copaargentina.org

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Naquele momento, no entanto, com a chegada de jogadores com custos mais elevados (casos de Andrés Chávez, Gonzalo Castellani, Federico Carrizo, Marcelo Meli e José Fuenzalida), as expectativas em relação ao garoto não eram as maiores. Oscilando entre a titularidade e a reserva, estreou pelo Boca contra o Huracán em uma derrota na Copa da Argentina. Ausente na primeira partida do Torneo Inicial, Calleri estreou na competição saindo do banco para substituir o ex-corinthiano Juan Manuel Martínez, em vitória contra o Belgrano, sem marcar gols – o primeiro viria duas rodadas mais tarde, em derrota contra o Estudiantes.

Com a dificuldade de encaixe do próprio time no início da temporada e alguns resultados ruins, Calleri passou a ser visto muitas vezes na reserva, entrando no decorrer das partidas. Chávez, Carrizo, Martínez e o grandalhão Emanuel Gigliotti se faziam grandes concorrentes, diminuindo as oportunidades do mais jovem dos jogadores de frente. Essa foi a tônica da primeira parte temporada de Calleri, entre idas e vindas ao time titular e alguma desconfiança.

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Em 2014, Calleri disputou 24 partidas pelo Boca, sendo titular em 19 delas, entrando como reserva em 5, sendo substituído em 8 ocasiões e permanecendo no banco 6 vezes. Embora tenha atuado na maior parte das partidas, seu desempenho não foi dos melhores, com a marcação de 8 gols apenas. Seu melhor momento foi na 17ª rodada da competição, quando balançou as redes duas vezes contra o rival Independiente.

Apesar disso, o jogador seguiu com um bom status na equipe em 2015 e já na pré-temporada assumiu a titularidade. Com atuações mais consistentes e gols, como um double contra o Montevideo Wanderers na Copa Libertadores da América de 2015, Calleri aumentou sua influência na equipe no início do ano, mas logo voltou a viver uma grande seca de gols. Entre as rodadas 4 e 14 do Campeonato Argentino 2015, o garoto não balançou as redes, perdeu espaço para Pablo Osvaldo e voltou a passar um bom tempo no banco de reservas (foi reserva utilizado em sete ocasiões e sequer atuou em duas).

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No entanto, Osvaldo se foi e o time voltou a precisar de Calleri – titular, autor de um tento e duas assistências na 15ª rodada, na goleada de 4×0 contra o Newell’s Old Boys. Com o time em boa fase, seguiu como titular na rodada seguinte e, mesmo sem marcar, viu o Boca Juniors vencer. Tudo isso aplainou com perfeição o terreno para a chegada do astro Carlitos Tévez, que estreou na rodada seguinte.

Quando muitos poderiam pensar na chegada do astro como um novo retorno de Calleri ao banco, o garoto se revelou.

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“Quando chegou (Pablo Osvaldo) pensei que íamos jogar juntos e que o técnico ia mudar o esquema para que pudéssemos jogar os dois. Quando o tempo foi passando e não me adequei a outra posição e o técnico queria seguir com pontas e um centroavante, foi difícil para mim. Joguei pouco. Me fez bem que Osvaldo fosse o titular, aprendi a esperar, a ser paciente (…) Com Carlos (Tévez) jogamos diferente, a verdade é que me sinto muito cômodo. Gosto de jogar com o Tucu (Sebastián Palacios) e com Tévez. (Eles) Jogam para mim. Muitos dos gols que fiz foi graças a eles. (…) Tévez te potencializa”, disse Calleri ao periódico El Equipo.

Foto: afa.org.ar

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Com Tévez atuando mais distante do gol, os dois passaram a jogar juntos e o desempenho do jovem evoluiu muito. Em 11 rodadas atuando com o craque, Calleri marcou 7 vezes no Campeonato Argentino, número de impressionante relevo, que certamente ajudou o clube Xeneize a conquistar o torneio pela primeira vez após quatro anos.

https://www.youtube.com/watch?v=-M7bFnIgrLg

Muito tem sido dito acerca do futuro do garoto de 22 anos. Chelsea, Inter de Milão, Benfica, Arsenal, Valencia, Villarreal e Palermo já foram especulados pela imprensa internacional como possíveis interessados no futebol deste atacante argentino, que une boa colocação, velocidade e técnica, características comuns aos bons atacantes Hermanos.

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“Calleri está muito bem. Para ele, foi bárbara a chegada de Tévez – o liberou e Carlitos o está ajudando muito”, disse Riquelme ao Clarín.

Com presença especulada nas Olímpiadas de 2016, que acontecerão no Rio, o horizonte de Calleri está aberto. Tata Martino confirmou recentemente que está observando o jogador e deve dar-lhe alguma oportunidade em breve na Albiceleste. Para isso, no entanto, pode ser ainda muito cedo, uma vez que a concorrência é fortíssima. Gonzalo Higuaín, Sergio Agüero e Tévez ainda são as opções preferidas e garotos como Paulo Dybala e Ángel Correa estão ganhando espaço – isso sem falar em figuras como Mauro Icardi ou Luciano Vietto, que também buscam espaço.

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Se seguir atuando bem e com regularidade, o momento de Calleri chegará, não há dúvidas. Atualmente, o atleta vem jogando o fino da bola, marcando muitos gols e, o mais importante, melhorando ao lado de Tévez. Mais uma vez, o Boca Juniors mostra a qualidade de sua prospecção, que encontrou um diamante bruto no All Boys, pagou aproximadamente 300 mil dólares e hoje vê no garoto uma grande estrela em desenvolvimento. Calleri é mais um ótimo jogador que os Xeneizes contratam muito jovem e revelam ao mundo.

https://www.youtube.com/watch?v=XSTI_4xuEtA

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.