Com a aproximação do final de mais uma temporada brasileira, o mercado de transferências começa a se aquecer e um dos nomes que mais tem sido envolvido em rumores é o do uruguaio Carlos Sánchez, campeão continental com o River Plate neste ano. Com seu contrato aproximando-se do final, clubes como Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Corinthians já demonstram interesse na contratação do jogador, que também representa as cores da Celeste Olímpica. Mas quem é exatamente este jogador? Como atua? De onde surgiu?
Uma carreira incomum
Carlos “Pato” Sánchez é natural da capital uruguaia, Montevidéu. Diferentemente do que se poderia pensar, o jogador não passou pelas grandes equipes da cidade e do país. Ao invés de Peñarol e Nacional, Sánchez foi criado no pequeno Liverpool, homônimo em homenagem ao clube inglês. Lá, passou seis anos de sua carreira, entre 2003 e 2009, destacando-se, mas ofuscado pela pequenez de sua equipe.
Quando parecia que trocaria o pequeno clube pelo grandioso Peñarol, o interesse de uma equipe contra a qual havia disputado um amistoso falou mais alto e o jogador manteve-se em um pequeno centro, desta vez, no entanto, na Argentina. Seu destino foi o Godoy Cruz, clube em que chegou em 2009, aos 25 anos.
Em dois anos, a trajetória do uruguaio foi excepcional nos Mendocinos. Destacando-se como talento individual, tanto na marcação de gols quanto no provimento de assistências, Sánchez brilhou em momentos-chave, como em uma goleada contra o Boca Juniors, válida pela primeira rodada do Clausura 2011, em outra grande vitória contra o Newell’s Old Boys, na 13ª, e conduzindo o clube à disputa de sua primeira Copa Libertadores da América em toda a sua história.
Pelo Godoy Cruz, disputou 54 jogos, marcando 7 gols e criando 11 assistências. Assim, chamou a atenção de um dos gigantes do país, o River Plate.
Sucesso tardio no River Plate
Nos Millonários, Sánchez viveu diversas e distintas sensações. Contratado para a disputa de uma dura e sofrida temporada na segunda divisão, o jogador rapidamente se firmou na equipe titular, ao lado de figuras experientes, como Fernando Cavenaghi e Alejandro Domínguez, e de garotos, como Lucas Ocampos e Ezequiel Cirigliano. Em sua primeira temporada, jogou 34 partidas, marcou 4 gols e criou 2 assistências.
De volta à primeira divisão, o uruguaio seguiu sendo um jogador muito importante para o River, mesmo com a reformulação pela qual passou a equipe. A chegada de atletas experientes como David Trezeguet e Leonardo Ponzio foi novidade, assim como o ganho de espaço dos jovens irmãos Funes Mori e do garoto Manuel Lanzini, que passou pelo Fluminense. Por mais que boa parte do elenco tivesse mudado, o lugar de Carlos Sánchez, habitualmente no lado direito do meio-campo – às vezes como ponta e em outros turnos como ala –, seguiu garantido.
Apesar disso, o jogador foi emprestado ao Puebla por uma temporada, período em que o River Plate contou com o bom futebol do colombiano Carlos Carbonero pelo setor deixado por Sánchez. Ainda assim, o “Pato” seguiu fazendo um bom papel nos Camoteros e, com a saída de Carbonero para o futebol europeu, retornou para mais um período de sucesso no Monumental de Núñez. Pela equipe mexicana, disputou 27 jogos, marcou 6 gols e criou 3 assistências.
Desde que retornou a Buenos Aires, a forma do uruguaio não para de melhorar, o que certamente é a grande razão para o expressivo interesse de vários clubes brasileiros em seu futebol. De volta à faixa destra do meio-campo Millionário, Sánchez se transformou na principal arma do River Plate, a grande válvula de escape. Mais maduro como jogador, Carlos assumiu a responsabilidade de ser protagonista e com isso ajudou não só o clube a dar uma guinada como também sua própria carreira.
Com papel importantíssimo nos títulos da Copa Sul-Americana de 2014 e da Copa Libertadores da América, o que inclui uma partida soberba contra o Cruzeiro em pleno Mineirão e um gol decisivo na finalíssima contra o Tigres, desde que voltou ao River, sua carreira deslanchou e o jogador passou a ser figura habitual também na Seleção Uruguaia, pela qual estreou em novembro de 2014, aos 29 anos.
Até o momento, Sánchez já defendeu o River em 134 partidas, marcando 28 gols e criando 13 assistências. Além dos já citados títulos, conquistou também a Copa Suruga deste ano, foi eleito para o “Equipo Ideal de América” de 2014, bem como da última Libertadores, e ficou em segundo lugar na eleição para o melhor jogador da América de 2014.
Este é o tão desejado Carlos Sánchez.
O estilo do jogador
Sánchez é um jogador extremamente útil para qualquer elenco. Marcado por sua versatilidade, já atuou como lateral, meio-campo central, meia pelo lado esquerdo e como winger pelos dois flancos. Não obstante, é pela faixa direita do meio-campo que encontra seu melhor futebol.
Atleta de fôlego incansável, é descrito no site do River Plate como um jogador que “se caracteriza por seu bom chute de média e longa distância e pelos cruzamentos precisos”. Além disso, Carlos tem muita velocidade e uma habilidade considerável, o que o torna uma opção excelente para desafogo da equipe pelo flanco e criação de jogadas. Trata-se ainda de um atleta adaptado à moderna necessidade de recomposição nos contragolpes adversários.
Com uma carreira que demorou a deslanchar, mas nunca parou de ascender, a despeito da iminente completude de seus 31 anos, Sánchez certamente seria uma opção excelente para a maioria dos clubes brasileiros. O próprio torcedor de alguns interessados, como é o caso de Atlético e Cruzeiro, enxerga isso. Em pesquisa realizada pelo site Superesportes, as torcidas dos rivais mineiros escolheram-no como o reforço preferido para 2016. Talentoso, útil para o coletivo e experiente, com suas características e forma recente, o jogador justifica todo o interesse em torno de seu nome.