Elias e a anacrônica figura do “volante de chegada”

  • por Sérgio Lopes
  • 3 Anos atrás

É notável que, no Brasil, o nível dos debates relacionados aos aspectos táticos do futebol é muito menos desenvolvido que em outros países com tradição no esporte. Uma das provas disso é a tolerância, e até aprovação, de praticamente todos os setores da mídia em relação à permanência de Elias como volante titular da seleção.

De início, vale ressaltar que o volante corintiano é um bom jogador, faz bela temporada em solo nacional e é um dos destaques da campanha quase campeã do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Contudo, Elias faz parte de uma categoria de jogadores tão exaltada quanto obsoleta: os chamados “volantes de chegada”. É preciso repensar o papel que um volante verdadeiramente moderno desempenha no futebol atual, para não cairmos no erro de caracterizar como novo aquilo que é velho.

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Foto: Reprodução – Elias em ação pela Seleção Brasileira

As equipes de maior destaque no cenário internacional nos últimos anos mostram que para ser competitivo no futebol atual é preciso contar com volantes participativos, verdadeiros armadores recuados. O jogo passa por eles. A figura do volante como “elemento surpresa”, tão enaltecida pela crítica nacional, se contrapõe às características dos principais jogadores da posição na atualidade, como Toni Kross, Modric, Yaya Touré, Arturo Vidal, entre outros.

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Em verdade, é necessário que o volante moderno não seja um “elemento surpresa”, mas uma figura constante no desenvolvimento da partida, um “elemento não-surpresa”.

Infelizmente, esse debate é muito pouco difundido na mídia esportiva brasileira, inclusive nos melhores veículos, mostrando que o 7×1 também passa pela imprensa local. A nossa pobre cultura tática faz com que os comentaristas se limitem, de forma rasa, a exigir que Dunga “libere” o corintiano para atacar, para aparecer como o tal do “elemento surpresa”. Quanta pobreza. Estamos caindo no mesmo erro que foi Paulinho como titular da seleção na Copa do Mundo, tolerando um volante que não participa do jogo e tem como maior mérito aparecer de surpresa no ataque. É imperdoável que se ignore as inúmeras responsabilidades que o volante possui no futebol de hoje.

A titularidade de Elias na seleção representa a permanência de conceitos ultrapassados de futebol, tidos como modernos pela imprensa nacional, como é o caso do “volante de chegada”.

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Existe uma cegueira coletiva em relação ao assunto. Elias, assim como Paulinho, fracassou em times medianos da Europa, e isso não é por acaso.

O estilo de jogo de ambos é do século passado e não se adequa às exigências do futebol internacional.

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Baiano, advogado, amante e estudioso do futebol.