Forlán e sua volta ao protagonismo

  • por Gustavo Ribeiro
  • 4 Anos atrás
Foto: Ovación - Forlán feliz, se sentindo em casa

Foto: Ovación – Forlán feliz, se sentindo em casa

Com passagens por Manchester United, Villarreal, Atlético de Madrid, Inter de Milão, Internacional e Cerezo Ozaka em 13 anos de carreira, muitos já viam em Diego Forlán um ex-jogador em atividade. Entretanto, contrariando as probabilidades, o uruguaio de 36 anos voltou a brilhar em sua terra natal e tem contribuído para o sucesso do Peñarol na atual temporada, realizando um sonho de seu pai.

Outrora um dos principais nomes do futebol mundial, é provável que Diego Forlán tenha perdido a confiança dos torcedores em sua mal sucedida sua passagem pelo internacional. Depois disso, acabou indo para o futebol japonês, no qual disputou a Segunda Divisão pelo Cerezo Ozaka. A atual temporada, contudo, representa uma nova guinada na carreira do atacante, que voltou ao seu país natal para atuar pelo Peñarol, do qual é torcedor desde criança, realizando o sonho de seu pai, Pablo Forlán, um dos maiores ídolos da história do clube.

Logo em seus primeiros passos no esporte, Diego tentou seguir o exemplo paterno ao atuar nas canteras do time. Entretanto, iniciou sua carreira profissional no Independiente, clube que defendeu de 1998 a 2002, e no qual ganhou muitos títulos, tanto coletivos quanto individuais. O atacante, que também já foi meia, acabou por retornar ao clube paterno somente agora, aos 36 anos de idade.

Atualmente, Forlán sobra no Campeonato Uruguaio e guia o clube aurinegro para a conquista do Apertura. Seja atuando como enganche ou atacante, ele consegue ser o diferencial de um time que antes dependia muito dos também experientes Zalayeta e Jorge Rodríguez. Bem fisicamente para um atleta com sua maturidade, disputou todos os 12 jogos do clube no Apertura como titular e não foi substituído em nenhum.

Até pela idade, Forlán não tem tanta obrigação defensiva. Num time que já jogou com três zagueiros e quatro defensores, atuou centralizado como o tradicional enganche ou aberto pelos lados, mas sem compromisso de recompor para marcar o lateral adversário. No papel da criação, seu maior companheiro vem sendo o bom volante Aguiar, um dos que mais o procura. Aliás, se Aguiar é quem mais aciona o 10 aurinegro, foram de Forlán as assistências para dois dos quatro gols do volante no Apertura.

Já classificado para a Copa Libertadores do próximo ano, não se sabe como o Peñarol vai reagir em relação a essa postura tática do atacante, que pouco ajuda sem a bola. No Campeonato Uruguaio, com adversários de nível técnico bem discutível, ter um jogador a menos na fase defensiva pode não fazer tanta falta, mas contra os melhores times argentinos, brasileiros, chilenos e colombianos pode ser suicídio.

Deixando o futuro de lado e analisando o presente, nesses poucos meses de Peñarol, o uruguaio já deixou uma pintura. Na vitória contra o Liverpool, em Belvedere, Forlán, fazendo lembrar o auge de sua carreira, recebeu a bola na entrada, driblou quatro marcadores e deixou Luis Aguiar apenas com a responsabilidade de empurrar para dentro do gol. Aliás, foi nessa partida que os aurinegros alcançaram a liderança do torneio e de lá não saíram mais.

Sua importância para a equipe é inquestionável. No começo da competição, quando o time não se encontrava coletivamente e não empolgava, era dos pés de Forlán que saía algo diferente. Hoje, com um conjunto mais sólido e com uma filosofia de jogo melhor assimilada, o camisa 10 cresceu ainda mais e elevou o nível de seus companheiros, que parecem se sentir confortáveis ao lado de quem há pouco tempo atrás foi eleito o melhor jogador de uma edição de Copa do Mundo.

No time comandado por Pablo Bengoecha, Forlán é a estrela, que além de ser de suma importância tecnicamente, também auxilia os jovens talentos, como os promissores Nández, Albarracín e Valiverde. Na parte técnica, não tem discussão e os números estão aí para provar: em 12 jogos disputados no Apertura, já são 3 gols marcados e 8 assistências para seus companheiros, superando seus números com a camisa da Inter de Milão. Se sentido em casa após anos viajando pelo mundo, Forlán finalmente parece mais à vontade. Com isso, seu futebol ressurge e o atleta mostra que ainda tem bastante lenha para queimar.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.