Leicester City: uma sensação inesperada

Foto: lcfc.com

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Em toda a sua história, o Leicester City nunca conquistou o Campeonato Inglês, tampouco disputou uma UEFA Champions League. Na “era Premier League”, a melhor posição já ocupada pelos Foxes foi um modesto oitavo lugar na distante temporada 1999-2000. Não obstante, após uma última campanha ruim, lutando contra o rebaixamento, o clube vai obtendo um grande número de êxitos e levando o torcedor do clube a pensar que é possível alcançar a melhor posição de sua história na Premier League.

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No campo, dois são os maiores responsáveis por essa situação: Riyad Mahrez e Jamie Vardy; assistente e artilheiro. Fora dele, muitos créditos têm que ser dados ao treinador Claudio Ranieri, experiente italiano, com extenso currículo. A razão para essas afirmações? A grande forma dos dois jogadores e a maneira com a qual o novo comandante armou a equipe.

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Logo em sua chegada, Ranieri teve que lidar com a perda da grande referência da última temporada, o melhor jogador do time em 2014-2015: Esteban Cambiasso. O argentino foi o líder de uma equipe que mostrava boas qualidades, mas que muitas vezes sofria com má sorte, sendo superior aos adversários no campo, mas não conseguindo essa supremacia nos placares. Curiosamente, sem o experiente jogador a sorte do time parece ter virado.

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Para compor o elenco dos Foxes chegaram Robert Huth, em definitivo, Yohan Benalouane, Christian Fuchs, Gökhan Inler, N’Golo Kanté, Nathan Dyer e Shinji Okazaki. A despeito de tantas chegadas, é curioso o fato de que os melhores jogadores do time atualmente já estavam no King Power Stadium – o que confirma que o clube já mostrava potencial sob o comando de Nigel Pearson. Segundo melhor ataque da competição, o Leicester mostra enorme força ofensiva e um dos méritos de Ranieri é justamente permitir que o clube atue dessa forma.

Taticamente, o time é absolutamente básico, sendo formatado no tradicional 4-4-2. Todavia, a ideia praticada não segue aquele padrão com linhas muito compactadas, opção por ataques conservadores e uma recomposição muito rápida com a perda de bolas. Ofensivamente, abertos pelos flancos, Mahrez e Marc Albrighton lembram os tempos antigos em que os pontas brilhavam, indo frequentemente à linha de fundo, se movimentando intensamente e aparecendo na área para finalizarem. Até o momento, o Leicester é o quarto time que mais criou ocasiões de gol, com 121. O argelino Mahrez tem responsabilidade por 23 e o inglês Albrighton 21.

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Assim, o iluminado Vardy tem podido destacar-se, já que recebe um grande número de bolas durante as partidas, tendo muitas oportunidades para marcar. O ex-operário, que até os 23 anos atuou no futebol semiprofissional, é a principal referência no comando do ataque do Leicester e assim se tornou o atual artilheiro da Premier League, com 11 tentos em 45 finalizações (57% delas em direção ao gol).

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Apesar disso, toda escolha tem suas conseqüências, e com o Leicester não é diferente. O custo de toda essa ofensividade são as deficiências defensivas. Embora estejam na terceira posição, os Foxes têm a pior defesa dentre os 14 times melhor posicionados na tabela. O time joga muito aberto e por isso se expõe a perigosos contragolpes que ocasionalmente são convertidos em gols. Até a 11ª rodada, houve apenas um jogo em que o clube não sofreu gol.

https://www.youtube.com/watch?v=q3bHWUTXM0I

Ademais, até a rodada supramencionada, considerando o grupo de times que integra os “favoritos ao título”, o clube só havia enfrentado o Arsenal, em partida que marcou a única derrota do Leicester na competição até o momento. Entre a 14ª rodada e a 19ª o time terá uma tarefa duríssima, tendo que enfrentar Manchester United, Swansea, Chelsea, Everton, Liverpool e Manchester City em sequência.

Será possível a manutenção da boa posição na tabela? Talvez sim, mas o clube precisará de muita atenção, uma vez que jogará contra equipes mais qualificadas e que já têm uma ideia melhor formada sobre a forma como o Leicester joga. Seguindo a mesma tônica vista até o momento – jogando muito aberto – o time certamente protagonizará jogos interessantíssimos, mas poderá sofrer mais do que o esperado defensivamente.

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Entretanto, o time não tem muita escolha. É assim que sabe jogar com as peças que possui: com ousadia e talento. Ranieri vem sendo corajoso em suas escolhas e ganhando a admiração de quem acompanha a Premier League. O time joga um futebol bonito. Mahrez e Vardy formam a melhor dupla ofensiva da temporada – dos 23 tentos do time na temporada, 18 foram marcados pelos dois.

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Neste momento, embora seja impossível não ponderar sobre o futuro, é o presente que interessa ao verdadeiro amante do futebol. O prazer de ver a ascensão de uma equipe de quem nada se esperava e que vem fazendo ótimo papel tem sido extremo. Diante dele, é bom não duvidar do time em sua sequência dura, pois o que fez até o momento é extremamente surpreendente e é muito mais do que se podia prever ao início da temporada.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.