O caminho até a Rússia: Argentina 1×1 Brasil

Com certeza, em algum lugar, você já leu que a seleção de Dunga é “um deserto de ideias”. O péssimo clichê que define a seleção do técnico brasileiro volta à tona para ajudar na análise do jogo contra a Argentina. Mesmo que o time tenha reagido a partir de uma alteração, a falta do jogo coletivo foi evidente, outra vez. 

A volta de Neymar tirou Douglas Costa da ponta esquerda e deu ao Brasil menos compactação sem bola. O craque ficou solto “para decidir”, como manda o retrógrado pensamento de que “talento não precisa marcar”. Mas às suas costas abriu-se uma cratera, muito bem aproveitada por Di María, Biglia e Roncaglia.
Marcação Brasil
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Isso porque o camisa dez centralizava com a posse e abria o espaço para o lateral explorar, quase sempre no mano a mano com Filipe Luís. Acontecia porque Neymar não fechava e Lucas Lima não poderia vir de dentro para o lado.
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Efeito dominó, que deu a Argentina o domínio do primeiro tempo, chances e o gol de Lavezzi a partir da direita, com detalhe para o bote completamente desnecessário de David Luiz.
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Com menos posse (41% a 59%) e menos passe (129 a 227) que o Brasil, os argentinos foram objetivos e rápidos na armação, por isso dominaram o primeiro tempo, com cinco finalizações e dois acertos, contra duas finalizações erradas do Brasil. 17 faltas numa etapa pegada.
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A bola na trave de Banega no início da etapa final manteve o indicador de que algo estava errado. Mas Dunga seguia segurando a mudança que se apresentava necessária. Douglas Costa foi o escolhido, com muitos minutos de atraso – a grande fase injustifica a reserva. Ricardo Oliveira saiu e Neymar se tornou uma referência móvel, ideia inteligente.
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Mas foi graças ao trabalho com troca de passes que o empate veio, o que mostrou que uma organização simples pode realçar o grande talento da seleção. Linda jogada de viradas entre Neymar e Daniel Alves, até a cabeçada de Douglas na trave e o gol de Lucas Lima.
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Com troca de passes o Brasil passou a frente na partida e viveu o melhor momento. Renato Augusto ganhou a vaga do autor do gol, mantendo a perspectiva de trabalhar a posse, com cabeças para fluir o jogo.
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br 2
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Martino respondeu com Gaitán, Lamela e Dybala, reoxigenou a frente e o meio, quis jogar também, pois precisava mais ainda da vitória. Porém só acertou uma das sete finalizações do segundo tempo, mantendo a posse por 50% do tempo e finalizando o jogo com 305 passes certos em 337. Bom índice.
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David Luiz corou mais uma “atuação de gala” com uma expulsão no finalzinho, mas nada que apagasse a boa etapa final do Brasil, com sete finalizações e quatro acertos. Além dos dez desarmes contra 17 dos hermanos. Como todo clássico, o jogo foi faltoso: 44 no total.
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Mas, sobretudo bem disputado, ainda que faltassem idéias táticas ao Brasil, alguns momentos de lucidez dos jogadores recolocaram o time no jogo. Os argentinos vão passar dias lamentando as chances perdidas, num tempo de domínio amplo.
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A seleção de Dunga segue sendo um deserto de ideias e até o Mundial deve sofrer bastante, pelo visto.

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Estudante de jornalismo. Redator e editor no Taticamente Falando. Colunista no Doentes por Futebol. Contato: [email protected]