O protagonismo de Willian

(atualização: 15/12/2015)

Coroando o ótimo momento do jogador, a UEFA divulgou sua seleção da fase de grupos e dentre os 11 melhores encontra-se Willian:

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Se Hazard, Fàbregas, Diego Costa e cia não vivem seus melhores dias, o meia brasileiro assumiu a responsabilidade de ajudar seus companheiros em campo. Willian tem sido tão decisivo que na competição continental o brasileiro está empatado na tabela de artilheiro com nomes de peso como Thomas Müller e Luis Suárez.

WILLIAN PRIMEIRA FASE CHAMPIONS 15-16

Nada mau para um jogador que costuma ser duramente criticado pela torcida quando joga por sua seleção.


 

Foto: ChelseaFC.com

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O dia 28 de agosto de 2013 será sempre uma data marcante na vida do brasileiro Willian. Após um curto período atuando no então endinheirado Anzhi Makhachkala, o jogador desembarcou em Londres e, contrariando os relatos dos principais periódicos europeus, para jogar no Chelsea e não no Tottenham, que era tido como seu mais provável destino. Começava ali uma trajetória de constante evolução rumo ao protagonismo.

Foto: ChelseaFC.com

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“O Chelsea é um dos melhores clubes do mundo e agora vou jogar por um dos melhores treinadores do mundo”. Com essas palavras, o jogador apresentou-se para o torcedor dos Blues, que pode ter tido alguma dificuldade em entender a razão pela qual o clube buscou um atleta da posição do brasileiro – o flanco direito do meio-campo. Ocorre que, por ali, atuava o espanhol Juan Mata, um dos ídolos do torcedor e que havia vencido os prêmios de melhor jogador do clube nas duas temporadas anteriores.

Com esse contexto, era natural que se imaginasse que Willian fosse começar sua trajetória no Chelsea tendo que cavar lentamente o seu espaço na equipe titular. No entanto, este pensamento não podia estar mais equivocado. A estreia do brasileiro aconteceu na primeira partida do clube londrino na UEFA Champions League 2013-2014 e o jogador foi o titular, relegando Mata à reserva.

Foto: ChelseaFC.com

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Na sequência, iniciou seu caminho na Premier League no banco, entrando nos minutos finais de uma partida contra o Norwich – na vaga de Mata – e anotando seu primeiro tento pelos Blues. Isso aconteceu na sétima rodada do Inglês. Na oitava, Willian foi titular. Na continuidade, o jogador oscilou um pouco entre a reserva e a titularidade, mas errou quem imaginou que Mata retomaria seu lugar no time. Em grande parte das vezes em que Willian não atuou, o alemão André Schürrle foi o titular pelo disputado setor e até mesmo Kevin De Bruyne teve chances por ali (poucas, é verdade).

Com José Mourinho, considerando apenas as partidas disputadas na Premier League, Mata só foi titular em onze de 22 rodadas, havendo ainda mais um ponto a se considerar: em muitas dessas ocasiões, o espanhol foi deslocado para o centro do campo, deixando a defesa do flanco a cargo de outra figura. Assim, diante da insatisfação do jogador, o Chelsea vendeu-o para o rival Manchester United, aumentando o terreno para a evolução de Willian na equipe.

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Após a saída do espanhol, o brasileiro foi titular em 10 partidas das 16 restantes e terminou a temporada bem cotado, ainda que não tenha feito um ano excepcional. Ao todo, em 2013-2014, Willian disputou 46 jogos, marcou quatro gols e criou 10 assistências.

Foto: ChelseaFC.com

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Em sua segunda temporada, gradativamente se tornou um titular absoluto da equipe, passando a destacar-se por uma característica que em seu primeiro ano não se mostrou tão forte e que foi o passaporte para sua afirmação: a aplicação tática. Se antes o jogador disputava lugar com Schürrle em muitas ocasiões, no vitorioso 2014-2015, o brasileiro atropelou o alemão, que se queixou de falta de apoio por parte de Mourinho e partiu para o Wolfsburg.

Naquele momento, o Chelsea chegou a contratar Juan Cuadrado, então vinculado à Fiorentina e um dos grandes craques da ótima Seleção Colombiana. Todavia, a forma com a qual Willian já estava atuando – aliada à dificuldade do recém-chegado em se encontrar – só reafirmou a titularidade do camisa 22. Se na participação em gols o desempenho do brasileiro foi pior do que o da temporada anterior (com um total de 4 gols e 5 assistências em 49 jogos), coletivamente evoluiu, transformando-se em um atleta mais completo.

Foto: ChelseaFC.com

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Seu brilho, no entanto, foi ofuscado pelo brilhantismo da qualidade individual de Eden Hazard, dos passes de Cesc Fábregas e dos gols de Diego Costa. Apesar disso, a condição de coadjuvante não foi algo que perturbou o jogador, que seguiu evoluindo.

Afirmando-se como um dos titulares da Seleção Brasileira de Dunga, Willian vem fazendo um ano brilhante com a camisa do Chelsea, sendo provavelmente o único atleta de quem os torcedores dos Blues não podem se queixar na atual, grave e inesperada crise do clube. Se da temporada 2013-2014 para a 2014-2015 foi a melhora do jogo coletivo do jogador que mais chamou atenção em sua evolução, da última para a presente é seu refinamento técnico que salta aos olhos.

Foto: ChelseaFC.com

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Com um passe mais apurado, mais ousadia nos dribles e se tornando um perito nas cobranças de falta, Willian viu sua estrela ascender em um momento em que a dos esperados destaques do clube descendeu. Na temporada 2015-2016, até o momento, disputou 17 jogos, já marcou 5 tentos, todos de falta, e criou 2 assistências. Além disso, com os problemas de criação de jogadas enfrentados atualmente pelo clube, em uma tentativa de ocasionar o diferente, muitas vezes o brasileiro tem sido visto em incursões pelo meio, na busca por espaços e oportunidades.

Foto: ChelseaFC.com

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Ele está jogando muito bem, não só hoje. Ele vem jogando bem há muito tempo (…) É justo olhar para o Willian por causa de seu trabalho duro, qualidade com a bola, participação no primeiro e qualidade no segundo gol”, disse José Mourinho após a recente vitória do Chelsea contra o Dynamo de Kiev.

Não restam dúvidas de que neste momento Willian assumiu um grande protagonismo no Chelsea. É ele quem tem evitado resultados ainda piores e sido a grande esperança do time. Hoje, a contratação que colocou interrogações nas cabeças da torcida azul de Londres é a grande responsável pelos poucos momentos de alegria por que passam os Blues.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.