DPF Entrevista: Cacau Cotta

  • por Lucas Cavalcante
  • 5 Anos atrás

A eleição para a presidência do Flamengo atingiu parâmetros nunca antes vistos. Foram diversos debates em canais de TV, jornais e sites, um caso inédito na mídia esportiva. Muito tem se falado sobre o próximo triênio rubro-negro, que será decidido amanhã, dia 7 de dezembro, com a votação na Gávea.

Hoje, o DPF Entrevista traz um bate papo com um dos candidatos de oposição, Cacau Cotta. Representante da Chapa Branca, a União Rubro-Negra, o candidato já teve experiência na administração do Flamengo, sendo um dos VPs da gestão de Patrícia Amorim. Se dizendo a verdadeira oposição no pleito, ele contesta a dívida rubro-negra, o comando no departamento de futebol, fala sobre suas ideias para as divisões de base, e defende ingressos mais baratos para trazer de volta a verdadeira torcida do Flamengo para o estádio. Confira os destaques da entrevista abaixo.

Três principais metas do triênio:

Primeiro é terminar o centro de treinamento. É ali que surge toda a parte de formação de atletas, tanto profissionais quanto de base. Serão dois turnos de obra, usando o Casarão de São Conrado num acordo para pagar as obras, já temos isso em discussão com uma empresa. Segundo é rediscutir o contrato com o Consorcio Maracanã. Não tem como assumir os custos. O Maracanã tem que voltar para o Estado, é do povo, e o Flamengo precisa ser parceiro na gestão, até com outro clube. Nossa proposta é tirar as cadeiras sul e norte, voltar aquela arquibancada de cimento, na Alemanha é assim, nos clubes do Sul isso tem sido feito. Tendo o Estado como parceiro o custo é mais barato e dá para popularizar os preços. Afastar o torcedor mais popular do estádio é um crime contra o futebol, contra o Flamengo e contra o Maracanã. O Flamengo precisa ter responsabilidade fiscal, mas também social. A torcida está estagnada, precisa voltar a crescer. Cartola não pode ser ídolo. Ídolo é o atleta, a criança torce pelo ídolo. Ninguém vira Flamengo porque pagou um boleto bancário. O terceiro é construir o Estádio na Gávea, ou ter até um estádio maior, na Zona Portuária. Mas a prioridade é Gávea. Eu tenho um projeto pronto.

Política de austeridade iniciada pela gestão Bandeira de Mello

Ela não foi iniciada. Todos os presidentes pagaram dividas de gestões anteriores. Essa foi uma bandeira que ele levantou após tirar as CNDs e o Flamengo está se sustentando somente nisso, muito pouco para um clube desse tamanho. Além do que, existe uma grande farsa. Já desafiei e desafio de novo. A dívida nunca foi de 750 milhões. Esse valor foi baseado em provisões e isso não é considerado dívida. Se provarem que esse valor é real, um documento comprovando, eu retiro minha candidatura. Essa mentira depõe contra a instituição, porque você está falando da marca Flamengo e denegrindo isso, é uma irresponsabilidade. Criou-se um mantra em cima disso. Novamente: se provarem eu retiro minha candidatura, rasgo minha carteira de sócio e deixo de ser Conselheiro do Flamengo. São dividas trabalhistas e tributárias e colocaram no máximo, e isso é confissão de dívida, não existe em lugar nenhum do mundo. Pegaram tudo que poderia ser pego caso perdesse e colocaram no máximo. Não confio nem na empresa que fez a auditoria, já que é a mesma que cuida da FIFA, e a gente sabe como as coisas estão lá. Hoje o Flamengo pega dívida em banco para pagar dívida pública, que é imposto. Quero saber que juros são esses do banco, se for uma bolha, explode em breve. Se está pagando como dizem, vamos manter, vamos manter as pessoas que estão fazendo um bom trabalho, mas eu preciso saber como está o Flamengo de verdade. Hoje se contrai dívida de um lado e paga-se do outro.

Contrato com o Maracanã

Contrato com o Maracanã é o pior que eu já vi. O Rodrigo Tostes, antigo VP de Finanças, já assumiu que o contrato é ruim, e quem fez foi ele. Ou seja, o azul e o verde nessa eleição são a mesma coisa. Um fala do outro mas estavam juntos há dois meses. Quero entender essas candidaturas, estão brigando pelo poder. E a parte financeira todo mundo quer ser dono.

Sobre a presidência e os rivais no pleito

O antigo VP de Futebol, que largou o Flamengo em ultimo lugar quando era da diretoria, não quer falar disso, só de finanças. O Presidente, no meio da crise do afastamento de cinco jogadores, falou que isso não era com ele. O que é com ele então? Se for pra correr da crise vai ser presidente do Piraquê, do Caiçaras, que lá não tem futebol. No Flamengo tem que ser presidente de todos: basquete, vôlei, sede social, futebol, remo. É um conjunto de pastas e coisas importantes. Presidente tem que saber de tudo, ter pulso forte, ser firme. Não pode ir na TV, na hora boa, falar de finanças, falar em cima de uma mentira repetida. Tem que botar a cara na hora ruim. Quem vai responder ao sócio, torcedor, sou eu. A responsabilidade será minha. Não pode ser só na hora do titulo do basquete, do futebol. Eu estarei nos bons e maus momentos. Há muitos anos falta esse pulso forte. o regime é presidencialista. Você pode dar autonomia para tocar as pautas, mas a decisão é do presidente.

Conselho gestor e comando no futebol

Conselho gestor não funciona nem na nossa casa. Se quiser mandar mãe, pai, filho, papagaio, não dá certo. Quem participava do conselho gestor, por exemplo, era o VP de Finanças. Não sabe nada de futebol e era um dos homens fortes. O meu modelo é diferente. Tem que ter comando para dar organização mínima. O estatuto diz isso. Comigo será técnico, Diretor Executivo remunerado, para ser cobrado pelo andamento do futebol e resultados, VP de Futebol não remunerado, que será o elo da gestão profissional com a diretoria e Presidente. Mais ninguém. Quando são vários, você não sabe de quem cobrar, nunca funcionou aqui e em lugar nenhum do mundo. Houve situação com o André Santos, com o Armero, tudo divulgado e não houve punição, agora, por causa da eleição, se tomou essa decisão. Comigo os jogadores vão saber que tem comando, que estou ali, não serei pautado pela mídia, nem por pressão.

Jogadores de 81 para a base

Eu quero esses caras para passar a dimensão para os meninos do que é o Flamengo. O garoto precisa saber o que é ser campeão pelo Flamengo, o quanto isso é bom, o que isso representa, o que ele vai ganhar com isso. Minha ideia é o mesmo técnico acompanhar a geração desde o inicio, do pré-mirim ao profissional. Quando chegar no profissional, o técnico volta e pega uma nova geração. Isso ajudaria no acompanhamento completo, conhecer cada um, família, entre outras coisas.

Comentários

Niteroiense, jornalista, doente por futebol e por tudo que esse esporte maravilhoso envolve. Valoriza muito clubes tradicionais e suas torcidas. Flamenguista.