DPF Entrevista: Wallim Vasconcellos

  • por Lucas Cavalcante
  • 5 Anos atrás

A eleição para a presidência do Flamengo atingiu parâmetros nunca antes vistos. Foram diversos debates em canais de TV, jornais e sites, um caso inédito na mídia esportiva. Muito tem se falado sobre o próximo triênio rubro-negro, que será decidido amanhã, dia 7 de dezembro, com a votação na Gávea.

Hoje, o DPF Entrevista traz um bate papo com um dos candidatos de oposição, Wallim Vasconcellos. Representante da Chapa Verde, a Chapa ”Vencer, Vencer, Vencer”, o candidato já trabalhou com a atual diretoria, mas, devido a diversas divergências, criou a sua própria chapa. Falou sobre assuntos polêmicos, como o caso André Santos, nos detalhou histórias de quando ele estava lá dentro, além de uma declaração forte sobre o jornalista Renato Maurício Prado. Confira os destaques da entrevista abaixo.

DPF: Porque essa demora tão grande para o CT ficar pronto?

R: Na verdade faltou dinheiro. Quando se tem um dinheiro limitado você tem que aplicar na Gávea, esportes olímpicos, no futebol e aplicar no CT, além dos impostos, atrasados e dívidas. Temos todas as possibilidades de obter recursos e terminar o CT em dois anos aproximadamente.

DPF: Existe ainda a chance de uma recomposição, de uma nova união do grupo da antiga Chapa Azul ou está completamente descartado?

R: Está completamente fora de cogitação. As chapas têm propostas diferentes, práticas diferentes, princípios diferentes, então não tem como se juntar uma com outra. Se ele ganhar, boa sorte a ele, que consiga levar o Flamengo pro melhor caminho. A gente já tem nossa equipe e achamos ela bastante competente pra continuar o trabalho que estava sendo feito até a nossa saída.

DPF: 2016 vai ser um ano difícil, vários patrocínios acabando, o Brasil em crise, muitas empresas cortando gastos e o Flamengo não vai ter o Maracanã, nem o Engenhão. O que fazer para driblar isso tudo?

R: Ter um time com experiência, contato e relacionamento que é o time que a gente tem aqui na Chapa Verde. Aproximações com investidores, órgãos do governo e potenciais patrocinadores pra tentar diminuir o impacto da crise. Se mantivermos os patrocinadores e os valores que estão pagando hoje, será uma grande vitória para o Flamengo, mas se isso não acontecer, vamos ter que ter gente capaz pra atrair outros patrocinadores. Você tem toda razão, serão anos de muita dificuldade, não só para o Flamengo, mas para o Brasil também.

DPF: Um dos grandes momentos que o Flamengo vive é no basquete. Vocês pensam em mexer nessa pasta que tem dado grande retorno pro Flamengo ou isso está fora de cogitação?

R: Nenhuma pasta a princípio vai ser mexida, essas pessoas estão fazendo um excelente trabalho. O esporte olímpico comandado pelo Póvoa realmente está fazendo um grande trabalho, mas tem que ver o seguinte: quem trouxe os patrocínios para o basquete foi o BAP, quem renegociou a dívida e tirou as CNDs fazendo com que o Flamengo pudesse captar incentivo fiscal foi o Tostes e o Landim, então por trás do trabalho do basquete, que foi muito bem feito, teve um suporte muito grande dado por nós, mas é óbvio que o Neto, Póvoa, entre outros fizeram a parte deles. Vamos montar um grupo coeso, com os mesmos objetivos, todo mundo joga junto e na mesma direção.

Pergunta do Ricardo Santoro: Wallim, como você pretende lidar com a crise deflagrada entre o Flamengo e a FERJ? O Flamengo abrirá mão do Campeonato Carioca e procurará uma liga independente?

R: Obviamente não estamos satisfeitos com a FERJ, mas dizer que rompeu com eles e não mandar ninguém lá não adianta nada, você continua filiado deles. Enquanto a gente tiver filiado à FERJ tem que ir lá, brigar, defender seus pontos, pedir balanço, informação, tentar de alguma maneira se entender e fazer um campeonato decente. Paralelamente voce pode fazer uma liga também, mas não igual à que esta sendo feita agora. Essa Liga Sul-Minas nasceu torta e vai morrer torta. Primeiro que quem tem que liderar isso é o Flamengo, com todo respeito a qualquer outro clube, mas o Flamengo não tem que se submeter que a cota de televisão seja definida por eles. Como a gente adere a uma liga sem saber como será a divisão das receitas? Eu não entendo. Segundo, como vai aderir a uma liga cujo executivo é um ex-presidente de um rival do Flamengo? Tem que fazer uma coisa direita e o Flamengo tem que estar liderando esse projeto de mudança do futebol brasileiro.

Pergunta do Bernardo Stüpp Neto: O que você faria de diferente da atual gestão no departamento de futebol? E ainda, o que você faria de diferente da sua última passagem pelo Flamengo?

R: Comecando pela minha última passagem como VP; é obvio que a gente acerta e erra, eu acertei e errei. Eu prefiro errar tentando do que errar sem tentar. Fizemos coisas certas, coisas erradas, mas mal ou bem você comemorou a Copa do Brasil, Taça Guanabara, Campeonato Carioca e eu dei alguma ajuda lá. Desde então nós não ganhamos mais nada. O problema é que hoje tem varias pessoas mandando no futebol, comitê gestor com 7 ou 8 pessoas, além de outros vice-presidentes que se intrometem no futebol. O que está atrapalhando é a falta de comando e de planejamento. Vamos efetivamente investir no futebol para que a gente tenha um time e aprender com os erros que tivemos. Na vida a gente erra e acerta, mas o mais importante é aprendermos com os erros que a gente teve.

DPF: O que de fato aconteceu na negociação do Elias?

R: Tinha um acordo já fechado para comprar o Elias por quatro milhões de euros em quatro parcelas anuais, mais uma série de exigências que foram feitas, mas eu falei para aceitar. Quando a gente recebeu o contrato final veio lá mais o passe do Samir, Luis Antônio e mais três jogadores da base a escolher. Eu fui contra, toda diretoria foi contra e mandamos um e-mail para o presidente do Sporting dizendo que “dada as alterações não temos mais o interesse em trazer o jogador”. Um e-mail redigido pelo presidente, mas não vou usar isso como eleitoral, pois eu concordei e achei que era demais, depois de tudo acertado, a gente pagar muito mais pelo atleta, apesar de eu gostar muito dele. Inclusive, fui eu, por indicação do Pelaipe, que trouxe o Elias. Foi frustrante, mas o Flamengo não podia aceitar essa mudança de postura do Sporting depois de estar tudo resolvido. Foi isso que aconteceu. A gente lamenta, quem sabe um dia o Elias não venha para o Flamengo de novo, mas se não vier, vamos contratar outros jogadores tão bons quanto ele ou até melhores.

DPF: E o Jayme? Conta pra gente como foi o episódio da demissão dele.
R: Foi tomada a decisão, inclusive o Eduardo sabia disso. O grupo veio falar conosco, dizendo que não estava dando certo, que o clima não estava legal. Decidimos mudar tudo, o Jayme, o Pelaipe, fazer uma mudança total. O problema é que eu marquei uma reunião para comunicá-los no final da tarde, passei o dia inteiro em reunião no meu escritório e alguém vazou isso. Eu até imagino quem foi que vazou essa notícia, um funcionário de terceiro escalão que já não está mais lá, mas como eu não tenho provas, não posso falar. Eu queria falar pessoalmente, se eu pego o telefone e faço a demissão de manhã, eu sou o mau caráter que demitiu o treinador por telefone, que é uma ótima pessoa. Eu tentei fazer o certo, que era falar pessoalmente, mas a coisa vazou antes e ele saiu dessa maneira. Não gostei de como a coisa aconteceu, inclusive falei publicamente, falei com Jayme. Aconteceu, não era como eu queria, voce não merece isso, mas aconteceu, não foi deliberado. Não quis ser desrespeitoso com ele, que é um ídolo da torcida. Tenho um respeito muito grande por ele, mas saiu do meu controle, quis fazer a coisa certa e saiu da maneira errada.
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Niteroiense, jornalista, doente por futebol e por tudo que esse esporte maravilhoso envolve. Valoriza muito clubes tradicionais e suas torcidas. Flamenguista.