É tão arriscado assim apostar em Deivid?

  • por Levy Guimarães
  • 5 Anos atrás

Desde a confirmação da saída de Mano Menezes e o anúncio de Deivid como novo técnico do Cruzeiro, um questionamento tem martelado a cabeça de boa parte da torcida: estaria o ex-atacante celeste preparado para treinar um clube como o Cruzeiro?


Motivos para ter aquela pulga atrás da orelha, de fato, existem. Afinal, aos 36 anos, ele nunca treinou uma equipe de futebol na vida. Foi auxiliar de um decadente Vanderlei Luxemburgo no Flamengo e no Cruzeiro, exerceu a mesma função com Mano Menezes e comandou o time como interino na vitória sobre a Ponte Preta, antes de Mano assumir o comando, além de ter estado à frente do Flamengo por duas vezes no Campeonato Carioca. Ou seja, nunca teve tempo para ser avaliado como treinador.

Foto: Cruzeiro Esporte Clube / Oficial - Deivid na única partida em que comandou o Cruzeiro, como interino

Além disso, o novo treinador celeste rema contra a maré. A grande maioria dos técnicos brasileiros que iniciaram a carreira em times grandes nas últimas décadas não conseguiu deslanchar. Se lembrarmos dos mais vencedores do país nos últimos vinte anos, todos tiveram de se provar em equipes pequenas ou médias antes de se consagrarem nos gigantes, como Luxemburgo no Bragantino, Felipão no Criciúma, Muricy no São Caetano, Tite no Caxias e Marcelo Oliveira no Coritiba.

Porém, um aspecto há de ser destacado: Deivid não foi escolhido à toa, e nem por simplesmente ter sido o auxiliar de Mano Menezes na excelente passagem do gaúcho pela Toca. Ele vem se preparando e estudando para ser treinador desde 2007, quando ainda era jogador. No Fenerbahçe, por exemplo, foi apadrinhado por Luis Aragonés, uma lenda do futebol espanhol.

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Já percebendo o interesse e a aptidão do então centroavante para ser técnico, tinha um relacionamento próximo a ele, fazendo de sua passagem pelo futebol turco um grande aprendizado sobre táticas e métodos de treinamento. Não à toa, o próprio Deivid aponta o falecido espanhol como sua principal referência em conceitos e abordagens de jogo.


Outro aspecto a se destacar é que, como auxiliar-técnico, teve influência direta na formação tática de Mano Menezes. A mudança de posicionamento que fez de Willian um dos melhores atacantes do 2º turno do Brasileirão, jogando como falso nove, foi ideia de Deivid – segundo palavras do próprio jogador. Outras alterações que contribuíram para a boa campanha do time celeste no returno também tiveram o dedo de Deivid, como Willians atuando praticamente como meia-direita e Henrique voltando a ser um volante que guarda posição.

 Com Mano, Willian cresce e guia a mudança do Cruzeiro

O apoio e o respaldo do elenco ele também já tem. Os próprios jogadores pediram para que ele ficasse após a passagem de Luxemburgo pelo clube, e para que fosse efetivado com a ida de Mano para a China.

Foto: Cruzeiro Esporte Clube / Oficial - Deivid com Pedrinho, novo auxiliar-técnico, e Alexandre Lopes, novo preparador físico

É claro que todos esses pontos não são garantia de que o Cruzeiro terá um ano de 2016 vitorioso com Deivid – afinal, entre contribuir como auxiliar e lidar com a pressão de comandar um clube grande diariamente, há uma diferença considerável. Mas em um mercado de treinadores tão escasso de boas opções como é o nosso, em que as alternativas financeiramente viáveis (lembrando que Cuca, por exemplo, pede mais de R$1 milhão por mês) inspiram pouca confiança, é válido apostar em um nome como o de Deivid. Se ele conseguirá colocar em prática tudo o que aprendeu ao longo desses anos, só o tempo dirá.

Mas por via das dúvidas, é melhor apostar em alguém que sabidamente vai tentar impor um estilo moderno ao time, manter a filosofia que vem dando certo nos últimos meses e já conhece a fundo a equipe que irá treinar.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.