Juninho e Walisson, zagueiros do futuro

  • por Rogério Júnior
  • 5 Anos atrás

O Coritiba viveu em 2015 mais uma ferrenha disputa contra o martírio do rebaixamento para o segundo escalão do futebol nacional. De um início de campeonato repleto de percalços a um segundo turno sólido – somado a uma reta final ainda mais contundente -, o alviverde do Alto da Glória chutou o risco de queda para longe, embalado especialmente por alguns personagens cruciais nessa história.

Os gols de Henrique Almeida e a segurança oferecida pelo goleiro Wilson, ambos contratados no meio do caminho, foram aspectos fundamentais em meio a toda essa reviravolta do time. O choque motivacional trazido por Pachequinho, treinador interino na reta final do certame, o aparecimento de importantes personagens secundários, como Juan, e os salários pagos religiosamente em dia pela diretoria também serviram como combustível para o clube se livrar do antes iminente rebaixamento.

Foto: Coritiba / Montagem: DPF - Juninho e Walisson, responsáveis diretos pela guinada do Coxa no Campeonato Brasileiro.

Fotos: Coritiba / Montagem: DPF – Juninho e Walisson, responsáveis diretos pela guinada do Coxa no Campeonato Brasileiro.

Contudo, nada disso teria sido possível se dois beques formados nas categorias de base do Coritiba não tivessem assumido papeis de protagonistas em meio ao desenrolar do Campeonato Brasileiro. Walisson, 24 anos, e Juninho, 20 anos, foram responsáveis diretos pela guinada do Coxa e precisam ser olhados com carinho por toda a comunidade do futebol.

Modernos, os dois meninos do Couto Pereira desbancaram Luccas Claro, também formado no clube e dono de uma bagagem infinitamente superior à dos dois, o experiente Rafael Marques, além de Ednei. Os dois últimos, aliás, foram trazidos por Ney Franco para preencher a lacuna deixada por Leandro Almeida e Welinton, negociados no meio da temporada.

Juninho e Walisson, juntos, atuaram em 12 partidas do campeonato e, nesse período, o Coritiba sofreu apenas oito gols, anotados por cinco equipes diferentes. Contra Grêmio, Avaí, Flamengo, Atlético-PR, Santos, Palmeiras e Vasco, o Coritiba não foi vazado e sequer ameaçado em algumas destas oportunidades. Nos outros 26 jogos do campeonato, em que apenas um deles atuou ou, na maioria das vezes, em que nenhum dos dois entrou em campo, o Coritiba sofreu 34 gols, o que configura uma média de 1,3 gols sofridos por jogo, mais que o dobro da média da dupla, que é de apenas 0,6 gol sofrido por jogo.

Juninho, o prodígio

Foto: Folhapress - Juninho, 20, apropria-de uma impressionante velocidade , atributo que mais se destaca em seu repertório.

Foto: Folhapress – Juninho, 20, apropria-de uma impressionante velocidade , atributo que mais se destaca em seu repertório.

José Carlos Ferreira Júnior, o Juninho, nascido em Londrina, estreou pela equipe profissional do Coritiba apenas em 26 de julho deste ano, no confronto diante do Corinthians, em Curitiba. Na ocasião, entretanto, atuou como lateral esquerdo e, mesmo improvisado, fez uma partida espetacular, do ponto de vista tático, o que impressionou a todos os presentes na cancha, inclusive o treinador Ney Franco.

“Acho que todos os confrontos que houveram entre o Juninho e o Vagner Love, mano a mano, ele estava o marcando com uma experiência enorme, e na maioria das bolas ele foi bem. Isso mostra que o Coritiba, a sua categoria de base, está nos cedendo mais um fruto para ser utilizado no profissional”, disse o satisfeito comandante.

Canhoto, tem a velocidade como seu principal atributo e dificilmente perde uma disputa na corrida contra qualquer oponente. O posicionamento, a segurança e a seriedade observada nos jogos completam seu vasto repertório.

Juninho é o famoso zagueiro-zagueiro, frio e seguro, e jogando com Walisson ao lado acaba crescendo ainda mais.
O Coritiba detém 60% dos direitos do jogador, que tem contrato até 30 de julho de 2018 com o clube.

Observação: Juninho começou sua carreira no futebol nos times de base do Junior Team, mas logo cedo foi trazido ao Coritiba, onde atua desde os 16 anos.

Walisson, a solidez defensiva

Foto: Coritiba - Walisson, 24, é mais clássico. Ao lado de Juninho, se agiganta ainda mais.

Foto: Coritiba – Walisson, 24, é mais clássico. Ao lado de Juninho, se agiganta ainda mais.

Ao contrário de Juninho, Walisson demorou a emplacar na equipe de cima do Coxa. A estreia pelo profissional aconteceu em 2011, num confronto ante ao Vasco da Gama, pelo Campeonato Brasileiro. Na oportunidade, o Coritiba estava envolvido na final da Copa do Brasil, contra o próprio Vasco, e diante disso colocou uma equipe toda reserva em campo pelo nacional.

Depois disso, Walisson, nascido no Tocantins, acabou rodando por outras cinco equipes do futebol brasileiro: Ituano, Fortaleza, ASA, Boa Esporte e Atlético Sorocaba, antes de ser integrado novamente ao Coritiba, em 2014.
No Brasileirão deste ano, a tão esperada oportunidade aconteceu no duelo contra o Figueirense, em Florianópolis, num empate por 0x0, um prenúncio do que viria pela frente.

A inteligência na leitura do jogo e a classe demonstrada em campo são as principais características do beque, de 1,87m de altura, que já desperta interesse do Internacional, que deseja contar com o jogador para a temporada 2016. O contrato longo e a confiança do Coritiba no defensor, no entanto, indicam que Walisson deverá permanecer por pelo menos mais uma temporada no Couto Pereira.

O certo é que tanto Walisson como Juninho podem representar não só o futuro do Coritiba, mas também o futuro do próprio futebol brasileiro, que passa a ganhar duas jovens promessas dispostas a entrarem na prateleira dos grandes beques do futebol canarinho.

Jogos em que Juninho e Walisson atuaram juntos no BR-15:

• Grêmio 0x0 Coritiba
• Avaí 0x2 Coritiba
• Coritiba 0x1 Internacional
• Flamengo 0x2 Coritiba
• Coritiba 2×0 Atlético-PR
• Cruzeiro 2×0 Coritiba
• Joinville 3×1 Coritiba
• Coritiba 1×1 Figueirense
• Goiás 1×3 Coritiba
• Coritiba 1×0 Santos
• Palmeiras 0x2 Coritiba
• Coritiba 0x0 Vasco

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Curitibano, jornalista, 24 anos. Apaixonado pela bola, apegado pelas canchas e admirador do povão que as frequentam. Apreciador do futebol, seja ele jogado na final da Copa do Mundo ou numa singela rodada da terceirona gaúcha.