Muito obrigado, Fabuloso!

  • por Bráulio Silva
  • 3 Anos atrás
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Foto: Divulgação || SPFC

Fevereiro de 2001. O São Paulo entra, novamente, numa fase de reestruturação. Lá se vão sete anos sem disputar a tão sonhada Libertadores da América. As alegrias que atravessavam os continentes estavam restringidas a apenas dois títulos estaduais. Importantíssimos, diga-se. As finais inesquecíveis de 1998, com o retorno de Raí, e 2000, com o golaço do Rogério. Mesmo assim, aquela dolorida derrota diante do Cruzeiro, na Copa do Brasil, dava a sensação que nós, torcedores, jamais veríamos o tricolor dominar o Brasil novamente.

Sua chegada ao Morumbi foi cercada por dúvidas. 20 anos, revelado na Ponte e com uma passagem pelo futebol francês.

A estreia veio pouco tempo depois numa derrota pro São Caetano. O(s) primeiro(s) gol(s) vieram na final do Torneio Rio-SP diante do Botafogo, no Maracanã. E há quem diga que você só faz gols inúteis. Ali, aquele jovem magricela começava a escrever sua história no tricolor paulista.

Em 2001, algumas expulsões, suspensões e gols em profusão. 31 tentos anotados que elevaram o valor do passe e não houve acordo para uma permanência na temporada seguinte.

Em 2002, o primeiro retorno; dessa vez contratado em definitivo e como substituto do ídolo França, com quem você fez ótima dupla no ano anterior. De prêmio, a artilharia do Brasileirão com 19 gols e tendo anotado 21 gols em 6 meses.

45 gols em 2003. Naquela época, o estádio tremia ao gritar seu nome. Certamente, os adversários também tremiam ao te ver pela frente. 29, destes 45, no Brasileirão. E olha que o time era fraco – ainda mais após a saída do Kaká pro Milan. Era “bicão” pra frente e a torcida ciente que você ia decidir. Teve, também, a briga contra o River. Aliás, que jogo. Que clima. Pra quem gosta de “cenas lamentáveis”, um prato cheio. Uma pena que a vaga na final não veio.

O seu excesso de gols em 2003 nos levou para a Libertadores do ano seguinte. A artilharia da competição eram favas contadas. Era o grande nome do clube e uma realidade na seleção brasileira. E que golaço foi àquele contra o Cobreloa? Chute no ângulo sem chances pro Tápia. E o LDU? Luis Deixou Um. Que arrancada, que estado de espírito, que gol. Teve o pênalti perdido contra o Gaona. Teve sim. Mas teve o pênalti convertido na disputa final. Aquele jogo nos deu a certeza que a América seria nossa. O Once Caldas que não deixou.

Um amigo que estava no vôo de volta de Manizales disse que você era um dos mais sentidos com a derrota. Absorveu todo o peso do fracasso pra si. Fracasso que, parte burra da torcida, atribuiu todo a você, chegando a ir a um clássico vestido de amarelo. E chamando o time de “amarelão” e “pipoqueiro”. E ainda culpam-no de estar errado por cantar uma música ao sair do clube para o Porto.

Os sete anos de distância foram bons para ambos. O nosso time ganhou Libertadores, Mundial e 3 brasileiros. E, ao contrário do que muitos dizem, ganharíamos contigo no elenco também. Talvez fosse até mais fácil.

Vieram as Eliminatórias, e junto dela aquela atuação mágica na sua casa. Os dois gols, a titularidade. O beijo no escudo, que fica no campo, e a certeza de que o retorno estava cada vez mais perto. Vieram a Copa, as boas atuações… E veio também àquela lesão no joelho.

O retorno chegou. O começo de 2011 foi mágico e esperançoso. Mesmo com a grave lesão no joelho, havia a esperança de que os gols voltariam a dar alegria para a torcida. Tanto que sua reapresentação contou com quase 50 mil torcedores nas arquibancadas…

Aliás, maldita lesão. Até hoje nada me tira da cabeça que essa lesão te limitou em campo. Esperamos mais de cinco meses entre o anúncio e o retorno aos gramados. O reencontro com o gol durou 4 intermináveis jogos. E que belo gol. No estilo Fabuloso.

Luís Fabiano ● Todos os 74 gols no São Paulo ● 2011-2014

Mas aquele São Paulo estava diferente. Crise política, crise de identidade, crise em campo. Os 7 gols anotados no fim de 2011 nos deixavam com uma boa expectativa pra 2012. Expectativa esta que veio a ser confirmada após 31 gols na temporada. A dupla com Lucas nos deixa com saudades até hoje. Contudo, alguns preferiram focar apenas e tão somente nos cartões que te deixaram fora do jogo contra Santos, no Paulistão, e da final da Sul-Americana, diante do Tigre.

2013, 2014 e 2015 foram anos estranhos nessa relação de muito amor e tiveram episódios de ódio. Duas Libertadores disputadas (2013 e 2015), um susto no Brasileirão, com a ameaça de rebaixamento em 2013, e o vice do mesmo. Os gols foram diminuindo ano a ano. Foram 22 em 2013, 20 em 2014 e 14 em 2015.

Faltaram, sim, os títulos. Não há o que negar. Mas, lá na frente, o torcedor será eternamente grato aos 212 gols anotados por você com o manto tricolor. 124 deles no Morumbi. Dificilmente, num futebol tão globalizado, veremos algum atacante alcançar números tão expressivos. Seja feliz em seu novo clube e saiba que terás, sim, o nome cravado na história do SPFC. Afinal, existe toda uma geração de torcedores não viu ninguém balançar mais as redes dos adversários do que você e sua camisa 9.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.