Neymar, Kroos, filosofias distintas: as razões da saída de Guardiola do Bayern de Munique

  • por Tiago Lima Domingos
  • 4 Anos atrás

ancelotti

Toda história tem seu fim, e assim será com Pep Guardiola e Bayern de Munique. Na semana passada, o clube alemão anunciou que o espanhol não continuará no clube e será substituído por Carlo Ancelotti a partir da próxima temporada.  É bom deixar claro que quem decidiu pelo término foi o treinador espanhol e não o Bayern. Pep tem motivos para isso, e eles foram se desenhando desde a sua chegada, quando a sua filosofia não se enquadrou bem com a do clube.

O Bayern de Munique é um dos clubes mais ricos e mais fortes do planeta atualmente. Enquanto clubes como Barcelona, Real Madrid, Manchester City, PSG gastam milhões em contratações, o clube alemão não é capaz de cometer grandes loucuras, tanto que a maior aquisição do clube foi a de Javi Martínez, por €40 milhões em 2012. Esse valor seria igualado por Arturo Vidal em 2015. Pra se ter uma ideia, o Real Madrid pagou o dobro disso para tirar James Rodríguez do Monaco.

Filosofia distintas

Guardiola queria que o Bayern gastasse mais, caso contrário não poderia brigar pelos melhores jogadores do mundo com as potências já citadas. O clube não abria mão de sua filosofia de não fazer loucuras e isso foi uma questão que gerou muitos atritos nesses 2 anos e meio de Pep à frente dos bávaros, como pode ver abaixo.

1 – A não renovação com Toni Kroos

O primeiro atrito entre Pep Guardiola e diretoria aconteceu com o alemão Toni Kroos. Com o contrato próximo do fim, Kroos queria um aumento salarial para uma renovação. O Bayern julgava alto o valor pedido pelo, hoje, jogador do Real Madrid, e nem mesmo as insistentes pedidas de Pep para renovar com o volante foram capazes de segurá-lo.

Uma temporada depois e correndo o risco de perder o jogador de graça, o Bayern vendeu Toni Kroos ao Real Madrid por €30 milhões, valor considerado baixo nos padrões atuais do futebol europeu. Guardiola acreditava que a evolução da sua equipe seria mais rápida com Kroos no elenco.

2 – O mal planejamento na contratação de Xabi Alonso

xabi

Na sua primeira temporada no clube (2013-14) e com Toni Kroos ainda no elenco, Guardiola pediu ao clube que contratasse Xabi Alonso, cujo contrato terminava em junho de 2014, e portanto poderia assinar com o clube de graça, em janeiro do mesmo ano. Julgando desnecessário o pedido de Pep, por já contar com Kroos no elenco, o Bayern preferiu não atender espanhol. Xabi acabou renovando por 2 anos com o Real Madrid. Seis meses depois, os bávaros o contrataram por €10 milhões, dinheiro que Pep Guardiola julgava interessante de ser investido de outra forma.

3 – Luis Suárez para o lugar de Mandzukic

Todos sabem que Guardiola não gosta muito de um típico camisa 9 de área, como era o caso de Mario Mandzukic no Bayern de Munique, quando o espanhol chegou. Antes de assumir, Pep pediu a contratação de Luis Suárez, então no Liverpool. Mais uma vez, a diretoria do Bayern não atendeu o pedido, já que Mandzukic acabara de terminar uma grande temporada no clube marcando 22 gols em 40 jogos, um deles na final da Liga dos Campeões da Europa diante do Borussia Dortmund.

4 – Guardiola queria Neymar, recebeu Götze

pep neymar

Aqui está um dos maiores motivos do desgaste entre Pep Guardiola e Bayern de Munique. O sonho de Guardiola logo na sua chegada ao clube era Neymar. O espanhol nunca escondeu a sua admiração pelo brasileiro, e o via como peça chave na formação da sua equipe. O problema era o preço de Neymar e a filosofia do clube alemão, que resolveu pela contratação de Mario Götze. A justificativa: Götze custou “só” €37 milhões e já era um atleta plenamente adaptado ao futebol alemão.

Guardiola e Götze nunca se entenderam muito bem. O alemão não é um titular indiscutível do clube e, apesar de ter feito o gol que deu o Mundial de 2014 a Alemanha, sua evolução não aconteceu da maneira que esperávamos.

5 – Por fim. A chegada de Arturo Vidal

O último ato de desacordo entre Pep Guardiola e diretoria aconteceu nesta temporada. Guardiola queria a contratação de um lateral direito para efetivar de vez Philipp Lahm no meio de campo, como o fez em seu início na Alemanha. O Bayern preferiu a contratação do meio campista da Juventus, o qual pagou €40 milhões. Guardiola teve, então, que manter Lahm na lateral direita.

Em um encontro com Rummenigge, CEO do Bayern, em outubro de 2015, Guardiola teria dito as seguintes palavras ao diretor: “somente Lahm é capaz de me entender verdadeiramente”

Impossível cravar se, caso as escolhas de Pep Guardiola fossem atendidas,  o Bayern de Munique teria conquistado o grande objetivo que é a Liga dos Campeões. No mundo do futebol, nem sempre seus pedidos são atendidos, e cabe ao treinador fazer o seu melhor trabalho com as peças que tem em mãos. Guardiola deixará o Bayern ao final da temporada.

Bom salientar que independente das recusas da diretoria, Pep teve um grande e qualificado elenco nas mãos, suficiente para ganhar todos os títulos possíveis. Talvez, tenha faltado Neymar, seu grande sonho ter se realizado.

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.