O golaço que Eurico Miranda marcou ao manter Jorginho e Zinho para 2016

“Jorginho e Zinho continuam”. Foi desta forma que o presidente do clube carioca, Eurico Miranda, confirmou a permanência do técnico e seu auxiliar para o ano que vem. Dupla que quase salvou os cruzmaltinos do rebaixamento no Brasileirão 2015 só não pode deixar a peteca cair, e, se depender deles, essa peteca não parece que irá desabar tão fácil. Presidente também garantiu a continuidade do meia-atacante Nenê, do meio-campista Jorge Henrique e do goleiro Martín Silva

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Dupla Zinho e Jorginho fez com que vascaínos voltassem a ter orgulho do time (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Cuidado! Não seja maluco! Quero dizer, não seja irresponsável de chegar para um torcedor fanático e entristecido do Vasco neste momento e dizer a ele que há motivos para celebrar, que há motivos para uma mísera comemoração. De fato, mesmo que o Gigante da Colina tenha vencido o título do Campeonato Carioca no início deste ano, é verdade que os cruzmaltinos têm mais razões para chorar do que para sorrir em 2015.

Mas, me arrisco a dizer que, sim, os vascaínos têm algo a comemorar mesmo após mais um doloroso rebaixamento no Campeonato Brasileiro: as permanências do técnico Jorginho e de seu auxiliar e braço direito Zinho, para comandarem o clube em 2016. Festejam esse feito, torcedores vascaínos!

A dupla contratada por Eurico Miranda no dia 16 de agosto deste ano para tentar recolocar o time cruzmaltino nos trilhos da vitória fez um trabalho exemplar, apesar da queda para a segunda divisão. Com o auxílio de Zinho, Jorginho precisou tirar leite de pedra e se virar com um elenco limitadíssimo para modificar uma temporada horrorosa que o clube vinha fazendo. Na teoria, Jorginho é treinador e Zinho é o auxiliar, mas os dois parecem se entender tão bem e suas estratégias parecem se encaixar tão perfeitamente que, na prática, há a sensação que os dois formam apenas um comandante do time. É muito comum os dois conversarem à beira do campo e ambos passarem instruções à equipe.

Além das ideias de cada um deles trabalharem em conjunto, a bagagem de sucesso e a sabedoria de alto nível que os dois têm no futebol fizeram com que eles levantassem o moral do time e recuperassem o respeito do Vasco, respeito este que parecia não existir mais antes de suas chegadas. Jorginho e Zinho estiveram à frente do Gigante da Colina em 18 jogos, ou seja, praticamente durante todo o segundo turno do Brasileirão. Neste período, foram quatro derrotas, sete empates e sete vitórias, 28 pontos no total e um aproveitamento de 51,8%. Este retrospecto é absurdamente superior à campanha realizada por Doriva e Celso Roth, os outros dois treinadores que dirigiram o Vasco no primeiro turno do Brasileirão. Nas primeiras 19 rodadas do campeonato, o aproveitamento vascaíno foi de 22,8%.

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Em 18 jogos como técnico do Vasco, Jorginho teve aproveitamento de 51,8% dos pontos disputados (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Mas, apesar do grande desempenho à frente do Vasco, Jorginho e Zinho não são super-heróis e tampouco milagreiros. Mas, dadas as condições já de “vaca atolada” em que o clube carioca se encontrava no Brasileirão quando eles assumiram o comando técnico, bem que os cruzmaltinos apaixonados esperavam que a dupla “dinâmica” pudesse se transformar em qualquer super-herói da face da Terra, até mesmo em Batman e Robin, para livrar o time do descenso. Mas, no fim, o desfecho da história não foi aquela que os vascaínos desejavam, e o Gigante foi rebaixado à Série B pela terceira vez em um período de oito anos.

Agora, Jorginho e Zinho, assim como o Vasco da Gama como um todo e seus milhares de torcedores espalhados mundo afora, jamais devem ter motivos para abaixar a cabeça. Ao contrário. Este é o exato momento em que o ânimo da galera necessita estar a mil por hora, agora é que todos precisam voar da mesma forma que o time vascaíno voou na reta final do Brasileirão 2015. O time do Vasco foi sangue no olho e honrado demais no segundo turno do Campeonato Brasileiro! Essa é a grande verdade.

É claro que as lamentações, a imagem da desolação e o gosto amargo pela queda existem, afinal de contas, os guerreiros ressurgiram das cinzas e por muito pouco não receberam o milagre da permanência na elite do futebol brasileiro. Mas este novo comando técnico que tirou o Vasco do estado de depressão total e o refez forte, valente, verdadeiro, vencedor e, acima de tudo, brigador, pode construir uma trajetória ainda melhor no Gigante da Colina em 2016.

Jorginho e Zinho trabalham sério e ambos possuem muito conhecimento sobre futebol. Além disso, foram jogadores super vitoriosos e conhecem como poucos o caminho da glória. Eles não desaprenderam a chegar às conquistas, e, com uma sequência de trabalho no decorrer deste próximo ano, Jorginho e Zinho podem fazer com que o retorno do Vasco à Série A do futebol nacional se torne uma questão de tempo.

Eurico Miranda prometeu reorganizar o departamento de futebol do Vasco, dispensando alguns nomes e contratando gente “de confiança”. Ainda segundo o presidente, 90% dos atletas que têm contrato encerrado com o clube agora em dezembro, não irão renovar. Sobre a chegada de novos jogadores para 2016, esta será mais uma etapa da reformulação do Vasco em que Jorginho e Zinho podem ser muito úteis, uma vez que eles devem indicar nomes interessantes para reforçar o elenco. Basta saber se o mandão e ditador Eurico Miranda irá ouvir as sugestões do comando técnico.

A dupla de respeito que continuará dirigindo o Vasco ano que vem, porém, não pode receber os créditos sozinha pelo grande desempenho do clube no segundo turno do Brasileirão 2015. Entre os jogadores que contribuíram muito para a recuperação do time, o meia-atacante Nenê, de 34 anos, que desembarcou em São Januário no início de agosto, foi a grande referência em campo e se tornou o destaque da evolução da equipe ao marcar nove gols em 20 jogos no campeonato. O jogador retornou ao Brasil após 12 anos atuando no exterior.

(Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Meia-atacante Nenê foi o artilheiro do Vasco no Brasileirão 2015 com nove gols (Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Tudo bem que nove tentos em 20 partidas não significam muito, mas a contribuição maior de Nenê para o time talvez não tenha sido os gols, mas sim a entrega, a experiência, o espírito de líder e o trabalho em conjunto realizados em campo. Nenê chegou ao Vasco para ser o diferencial da equipe e ele conseguiu alcançar esse objetivo. O meia-atacante jogou muito e, pelo desempenho na segunda metade do Brasileirão, merecia demais, assim como alguns de seus companheiros e a torcida, a permanência na Série A.

Os números que o Vasco construiu ao longo do segundo turno do Campeonato Brasileiro são extraordinários se comparados à campanha realizada no primeiro turno. Por exemplo, nos 20 jogos em que Nenê atuou pelo Gigante da Colina, o time perdeu somente cinco vezes, venceu sete partidas e empatou outras sete. Foram 28 pontos somados neste período. Já nas primeiras 19 rodadas do Brasileirão, quando o Vasco ainda não contava com o treinador Jorginho e seu auxiliar Zinho, assim como Nenê e Jorge Henrique ainda não tinham chegado, o time somou apenas 13 pontos, sendo três vitórias, quatro empates e 12 derrotas.

O que os vascaínos sonham em ver já no início de 2016 é um Vasco da Gama intenso, brigador e vencedor como foi na reta final do Brasileirão 2015. A famosa pergunta “cadê o respeito?” parece ter dado lugar à afirmação “o respeito voltou”, e isso acontece muito graças ao trabalho digno e esforçado da dupla Jorginho e Zinho, juntamente, claro, com aqueles jogadores que deram o sangue para salvar o clube carioca no Campeonato Brasileiro. Vascaínos, vocês já podem comemorar o grande reforço do time para 2016, que é a continuidade da dupla Jorginho e Zinho.

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Jornalista esportivo. Blogueiro na Gazeta Esportiva.com e colunista no Doentes por Futebol e Sportskeeda.com. E-mail: [email protected]