Perspectivas para o Atlético – 2016

Aguirre terá trabalho no Galo (Foto: Bruno Cantini/ Atlético Mineiro)

Foto: Bruno Cantini/Clube Atlético Mineiro I Aguirre terá a responsabilidade de gerir um ano atribulado

Desde a confirmação da saída de Levir Culpi do comando do Atlético Mineiro, muito tem sido falado sobre os rumos do clube, especialmente após a contratação de Diego Aguirre – comandante que ficou marcado em 2015 por aplicar um método de trabalho bem peculiar no Internacional. Assim começaram as especulações acerca do 2016 do Galo, perpassando um grande número de temas, desde o aproveitamento da base até a perspectiva de um elenco inchado para um ano que se desenha repleto de desafios.

Aproveitamento da base

Em 2015, quando comandou o Internacional, o uruguaio Diego Aguirre promoveu a subida de alguns jogadores que foram muito utilizados durante o ano. Os laterais William e Geferson e o volante Rodrigo Dourado são os melhores exemplos disso. No Galo, há expectativa de que semelhante processo ocorra, sobretudo em função dos muitos desafios que o clube terá durante o ano – Florida Cup, Campeonato Mineiro, Copa Libertadores da América, Liga Rio-Sul Minas, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil.

Foto: Williams Aguiar/Sport Recife I Filipinho é uma das esperanças da base alvinegra

Foto: Williams Aguiar/Sport Recife I Filipinho é uma das esperanças da base alvinegra

Nomes como o do zagueiro Gabriel, atual capitão do time sub-20, e dos meio-campistas Capixaba e Filipinho têm sido os mais citados neste momento. No entanto, há pouco tempo, outros nomes também vinham sendo cogitados como possíveis adições ao elenco profissional em 2016, como o do lateral-esquerdo Leonan.

Além destes, há expectativa quanto ao maior aproveitamento de outros garotos que já estão integrados aos profissionais, mas que tiveram poucas oportunidades em 2015, casos dos volantes Lucas Cândido – que perdeu quase toda a temporada lesionado, mas foi titular na partida final do Brasileirão – e Eduardo, do zagueiro Jesiel e até mesmo de dois outros jogadores que já chegaram a gozar de melhor estatuto no time, mas foram deixados um pouco de lado: Dodô e Carlos.

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Recuperado de lesões, Lucas Cândido pode ter ano de afirmação

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Recuperado de lesões, Lucas Cândido pode ter ano de afirmação

Em 2015, o Atlético contratou apenas cinco jogadores – Danilo Pires, Sherman Cárdenas, Lucas Pratto, Thiago Ribeiro e Mansur – e a tendência é que isso seja repetido em 2016. Com a quantidade enorme de desafios que o alvinegro terá pela frente, certamente os garotos deverão ser aproveitados, o que já foi cobrado até mesmo pelo presidente Daniel Nepomuceno.

“Irei cobrar muito do Aguirre (lançar jogadores da base). Eu acho que, quanto maior o time, maior a dificuldade. Isso porque vêm mais reforços. Se tem um tema que gastamos tempo com Aguirre foi esse. Nós temos dois volantes de um nível altíssimo, Lucas e Eduardo, dois zagueiros de nível alto, Jesiel e Gabriel. Meias como Capixaba e Filipinho, que devem subir. O planejamento é de dois anos. O ideal é um terço base, um terço já existe e o outro terço você contrata. Se futebol fosse matemático, gostaria sempre de um terço do elenco vindo da base. Espero que no ano que vem a gente tenha essa oportunidade. Um dos motivos da contratação foi esse. Ele fez isso no Internacional.”

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Destaque em 2014, Dodô deve voltar a ganhar espaço

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Destaque em 2014, Dodô deve voltar a ganhar espaço

Retorno de atletas emprestados

Além dos jogadores que subirão aos profissionais, o Galo deve contar com o retorno de alguns atletas que já pertenciam ao clube, mas atuaram por outras equipes em 2015. Segundo relatos da imprensa, dentre os vários jogadores que o clube belo-horizontino emprestou a outras equipes, cinco nomes estariam na pauta alvinegra para 2016.

Diante da falta de opções ofensivas com que o clube sofreu em 2015, quatro atacantes estariam próximos de retornar ao clube, dois formados na base e dois contratados de fora. Emprestados ao Paraná Clube e ao Ceará neste ano, Henrique e Wescley são crias da casa, mas não conseguiram espaço na equipe ao “estourarem” a idade de juniores. Ambos são jogadores de velocidade e que compõem os flancos do ataque. Viveram altos e baixos na temporada recém-finda.

Foto: Paraná Clube I Henrique retorna após empréstimo ao Paraná

Foto: Paraná Clube I Henrique retorna após empréstimo ao Paraná

Praticamente um desconhecido, Pablo também deve ser integrado ao time. Contratado junto ao Oeste de Itápolis em 2015, o atacante passou parte da temporada emprestado ao América Mineiro, equipe em que terminou o ano como titular e peça importante no acesso à Série A. A exemplo dos outros dois atletas citados, deve ser opção pelos flancos.

O outro jogador de frente que deve retornar é um velho conhecido do torcedor alvinegro e do público brasileiro: André. Apesar de ter uma carreira extremamente irregular – além de envolvimento em polêmicas extracampo –, depois de um início claudicante no Galo em 2015, o centroavante foi emprestado ao Sport e reencontrou o bom futebol. Em 29 partidas, marcou 13 gols, criou seis assistências, voltou a estar em evidência e valorizou-se.

Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/ Sport Recife I Diretoria do Galo quer contar com André

Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/ Sport Recife I Diretoria do Galo quer contar com André

Aos 25 anos, o jogador terá nova possibilidade de quebrar o estigma de contratação mais cara da história do clube e poderá trazer consigo uma situação complicada para a diretoria. É um jogador caro, está em alta e seu contrato finda-se em meados de 2016.

Outra situação complicada que o clube enfrenta é com relação ao meia-atacante Maicosuel, atualmente emprestado ao Al Sharjah, dos Emirados Árabes. Embora tenha seus direitos com valor afixado, segundo informação veiculada no portal Superesportes, a tendência é que o clube árabe não exerça sua opção de compra, de forma que o jogador retornaria a BH em junho.

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Direção também quer antecipar o retorno de Maicosuel

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Direção também quer antecipar o retorno de Maicosuel

Apesar disso, visando garantir a participação do jogador em eventual fase de mata-mata da Copa Libertadores, a diretoria estaria em conversa com o atual time do atleta para garantir seu retorno antes de 20 de abril, quando fecham-se as inscrições do primeiro semestre brasileiro. Caso retorne no prazo previsto, Maicosuel só estará disponível a partir de 20 de junho.

Outros emprestados, como Fillipe Soutto, Alex Silva, Neto Berola, Renan Oliveira, dentre outros, não têm situação definida e não devem permanecer no Atlético para 2016. Já o zagueiro Emerson, que defendeu o Avaí em 2015, deve reforçar o Botafogo. O volante Serginho segue do Vasco para o Sport.

Busca por reforços

Além do aproveitamento de jogadores emprestados e da base, reforços virão para o Galo, como informou Eduardo Maluf, diretor de futebol do clube. Em entrevista concedida há quase uma semana, o diretor informou que o clube busca três ou quatro reforços para 2016 e já teria inclusive decidido para quais posições.

Segundo a fala do dirigente, deverão ser trazidos um volante, dois meias e um atacante, posições tidas pela diretoria como carentes. Além disso, Maluf informou que estrangeiros estão na mira e poderiam preencher duas dessas vagas citadas.

Foto: Independiente I Mancuello está na mira do Galo

Foto: Independiente I Mancuello está na mira do Galo

A imprensa especula que o Galo negocia as contratações dos argentinos Federico Mancuello e Martin Benítez, volante e meia do Independiente, respectivamente, e do equatoriano Juan Cazares, meia do Banfield. Os rumores atuais, vindos do Equador, apontam para um possível acerto com Cazares. A reportagem do portal UOL deu conta de que Mancuello estaria tendendo a dar preferência ao Atlético em eventual negociação.

“Vamos contratar três, quatro contratações boas. Mas tenho pouca ansiedade. Daniel (presidente) já é um pouco (mais ansioso). Temos um elenco formado. Precisamos de dois meias, um volante e um atacante. Então isso nos dá tranquilidade para fazer contratações”, disse Maluf em entrevista coletiva.

Foto: ecuafutbol.org I Imprensa equatoriana aponta acerto de Cazares com o Atlético

Foto: ecuafutbol.org I Imprensa equatoriana aponta acerto de Cazares com o Atlético

Elenco inchado para um ano atribulado: mundo ideal para Aguirre trabalhar

A expectativa é de que o elenco fechado do alvinegro de BH tenha cerca de 35 atletas. Lembrando que Josué, Danilo Pires, Pedro Botelho, Emerson Conceição e Cárdenas não seguirão na Cidade do Galo em 2016 e jogadores valorizados podem ser negociados.

Em seu período no Internacional, ainda que negue, Diego Aguirre ficou famoso por implementar uma prática comum no futebol europeu, mas que ainda causa estranheza no Brasil: o rodízio de jogadores, privilegiando determinadas competições em detrimento de outras. Embora o comandante tenha reconhecido que o Atlético possui uma base de jogadores que forma a espinha dorsal do time, é bem provável que o uruguaio siga o mesmo modus operandi em Minas Gerais.

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Aguirre terá elenco grande à disposição

Foto: Bruno Cantini/ Clube Atlético Mineiro I Aguirre terá elenco grande à disposição

“Não sei o que é rodízio. Eu fiz, no começo do ano no Gaúcho, dando prioridade à Libertadores. Dei oportunidades para jogadores que acabaram sendo muito importantes na Libertadores. São coisas planejadas com a comissão técnica. O Atlético tem um time base. Eu conheço o time, sei os jogadores que tem, que vem jogando junto. Vamos trabalhar muito para aproveitar o grande elenco e os grandes jogadores que já conhecemos. Na medida do possível, vamos tentar conhecer todos os jogadores do elenco”, disse o treinador em sua apresentação.

Como o Atlético enfrentará situação semelhante à vivida pelo Colorado em 2015, a tendência é que jogadores menos utilizados ganhem mais espaço no time. O grande trabalho de Diego Aguirre será conseguir homogeneizar o elenco, que hoje é bem dividido: há jogadores titulares, poucas opções úteis e uma grande massa composta por reservas.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.