Um recado que vem do passado

  • por Bráulio Silva
  • 4 Anos atrás
Despedida Rogério Ceni (Foto: Paulo Pinto/saopaulofc.net)

Despedida Rogério Ceni (Foto: Paulo Pinto/saopaulofc.net)

Uma parte do hino do São Paulo diz que “as suas glórias vêm do passado”. Quem não entendia esse trecho, passou a entender na noite da última sexta-feira. O que era para ser o último jogo da carreira de Rogério Ceni, transformou-se numa festa nunca antes vista em campos brasileiros. Os quase 70 mil torcedores que foram ao Morumbi tiveram a oportunidade de reverenciar sua história. De admirar um time que parece não existir mais.

A temporada de 2015 foi tenebrosa para os são-paulinos. Dos grandes do estado de SP, o Tricolor foi o único que não conquistou título na temporada. Para piorar, viu-se, nas manchetes de jornais, envolvido numa crise política e financeira sem precedentes, que fez com que o presidente Carlos Miguel Aidar renunciasse em outubro.

Além disso, o time foi comandado por quatro treinadores diferentes. Começou a temporada com Muricy Ramalho, que afastou-se para cuidar da saúde, foi dirigido interinamente por Milton Cruz, teve a revolucionária e meteórica passagem do colombiano Juan Carlos Osório e, por fim, a trágica passagem de Doriva, que ficou 1 mês no comando do time. Com tudo isso, a vaga na Libertadores poderia parecer impossível. Mesmo assim o tricolor conquistou (ou herdou?) a quarta posição e estará na maior competição continental do ano que vem.

Em 2016, o time não terá o artilheiro desta temporada, já que Alexandre Pato – que marcou 26 gols no ano – foi devolvido ao Corinthians, além de Luis Fabiano que não teve o contrato renovado e Rogério Ceni, que aposentou-se. Se o futuro traz tantas incertezas, o que foram fazer no estádio, os quase 70 mil pagantes? Simples! Celebrar o passado.

Muitos dos torcedores se emocionaram quando o locutor foi anunciando nome a nome os atletas campeões do mundo em 92 e 93. De Marcos, reserva de Zetti em 92, ao craque Raí, passando pelos mega ovacionados Muller, Pintado e Zetti. Treinadores também tiveram seu momento de ovação. Telê Santana, representado por seu filho Renê, e Muricy Ramalho, que, de auxiliar em 93, voltou para fazer história no clube entre 2006 e 2008. Entre os campeões estiveram ausentes: Leonardo, Palhinha e Macedo. Além de Catê, falecido em acidente de carro.

Foto: Fernando Nunes / saopaulofc.net

Quando chegou a vez de anunciar os jogadores de 2005, a nostalgia nem pareceu tão distante. Vários jogadores ainda estão em atividade. E até mesmo os aposentados, ainda dão um caldo. Além do homenageado da noite, o nome que mais ecoou nas arquibancadas foi o do zagueiro Diego Lugano. O retorno do camisa 5 é um desejo de 9 entre 10 torcedores do Tricolor.

A entrada do M1to em campo, numa noite inesquecível:

Rogério começou no gol, jogou na linha, deu lançamento, quase fez um gol do meio de campo, e balançou as redes de pênalti. Cafu foi o destaque do time de branco, ao fazer dois gols e infernizar a defesa do time tri-campeão. Vários foram os momentos mágicos. O gol de Zetti, a falta que Raí cobrou e explodiu na trave, quase que reeditando o gol anotado diante do Barcelona, em 92.

A torcida deu o recado. Despediu-se de seu camisa 01 e implorou pelo retorno da raça de seu camisa 5. Outro pedido: que o comprometimento que fora demonstrado por quem entrou em campo nesta festa, seja incorporado pelos atletas atuais e futuros do São Paulo. Os tempos serão outros. Ainda mais com a aposentadoria do único elo entre os times que venceram os três mundiais.

A festa não foi para o Rogério Ceni. Foi sim para os torcedores do São Paulo, que puderam ver em campo jogadores que conquistaram as maiores glórias com o manto tricolor. E quem lotou o estádio torce para um 2016 melhor e que a magia que esteve presente no Morumbi, prossiga na temporada que está por vir.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.