A excelente temporada de Payet, o motor dos Hammers

Foto: WHUFC.com

Foto: WHUFC.com

Com o equilíbrio das cotas de televisão da Premier League, algumas contratações de impacto acabam acontecendo em todos os clubes que disputam a elite do futebol da Terra da Rainha. Possivelmente, o melhor exemplo disso seja o negócio que levou o francês Dimitri Payet, ex-jogador do Olympique de Marselha – e que também representa Les Bleus – ao West Ham, clube tradicional de Londres que nunca conquistou o título nacional. Na atualidade, o meia é seguramente um dos maiores destaques da competição, mesmo sem atuar em um dos gigantes do país.

Foto: WHUFC.com

Foto: WHUFC.com

Extremamente técnico e hábil no trato da bola, o camisa 27 tem se portado como um autêntico camisa 10. Aquela figura mística, capaz de distribuir bolas com exímia precisão, colocando seus companheiros frequentemente na cara do gol, e, ao mesmo tempo, marcando seus próprios tentos. Além disso, o francês mostra algo importante para a realidade em que atua: não joga em uma área predefinida, cobrindo com grande qualidade todo o setor ofensivo do West Ham.

Essa forma de jogar não é novidade para quem acompanha o jogador desde os tempos em que desfilava bom futebol na Ligue 1. Sob a batuta de Marcelo Bielsa, na temporada passada, atuando como enganche, Payet brilhou intensamente como distribuidor de bolas e assistente, embora tenha sido um pouco irregular em partes da campanha.

Foto: OM.net

Foto: OM.net

Em 36 partidas pelo Campeonato Francês, foi de longe o atleta que mais oportunidades de gol criou, com 117 passes (43 a mais do que o segundo colocado), e o maior assistente, com 17 passes para gol – cinco a mais do que Javier Pastore, o vice-líder da estatística. Existe dúvida de que a temporada 2014-2015 de Payet foi excelente?

Todavia, o jogador precisava provar-se fora de seu território nacional, naquela que é considerada por muitos a liga mais disputada da Europa: a Premier League. Curiosamente, mesmo tendo sido um dos maiores destaques da temporada francesa, seu destino foi o West Ham, de modestas pretensões. O time tenta reconstruir sua identidade após a saída de Sam Allardyce, treinador conhecido pela busca de um jogo meramente eficiente, o que por vezes o torna extremamente feio.

Foto: FFF.fr

Foto: FFF.fr

“Eles contrataram jogadores de qualidade, especialmente Payet. Ele é um jogador muito criativo e eficiente”, disse Arsène Wenger em entrevista coletiva concedida em agosto de 2015.

Nos Hammers, ladeado por jogadores velozes e sendo a principal referência, o motor, o condutor da equipe, Payet tem comprovado a competência de seus tempos de Ligue 1. Quarto jogador que mais cria chances de gol na atual edição da Premier League, com 46 em 14 jogos – além de ter provido quatro assistências –, o jogador tem a segunda melhor média de criação de oportunidades por jogo da liga: 3,3. Como comparação, Mesut Özil, o líder da estatística, tem média de 3,5.

A prova cabal da importância de Payet para o West Ham e da qualidade de seu desempenho foi o recorde dos Hammers entre as rodadas 13 e 19 da Premier League. À época, o francês esteve fora, lesionado. Em sete partidas, o clube venceu e perdeu uma vez e empatou em cinco turnos, somando oito pontos de 21 possíveis. Além disso, o time marcou apenas cinco vezes nestas sete partidas, evidenciando a falta que o principal criador do time fez.

Foto: WHUFC.com

Foto: WHUFC.com

Contratado por £10 milhões, o jogador vem mostrando um excepcional custo-benefício e sendo admirado por adversários e companheiros. Comprovando o talento demonstrado quando ainda brilhava em solo francês, Payet é uma das grandes e gratas surpresas da Premier League. Um jogador de muita categoria e poder de decisão. Um dos maiores responsáveis, ao lado do treinador Slaven Bilic, pela brilhante temporada que o West Ham faz até o momento no Campeonato Inglês.

“O que eu mais admiro (em Payet) é seu caráter, porque isso é o que todos os verdadeiros campeões têm. Quando ele comete um erro – e falo sobre treinamentos – ele fica louco e irritado consigo mesmo e é isso o que o torna um líder. Eu não sei por que as pessoas estão surpresas, porque ele veio do Marseille, um dos maiores clubes da Europa, e ele estava fazendo coisas semelhantes lá”, falou Bilic em sua última entrevista coletiva, após a vitória dos Hammers contra o Bournemouth.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.