A política ou à força: Flamengo, FERJ e TV Globo

  • por Igor Leal da Fonseca
  • 5 Anos atrás
Bandeira de Mello voltou atrás sobre a decisão de jogar o estadual sem o time principal || Foto: Alexandre Vidal (FlaImagem)

Bandeira de Mello voltou atrás sobre a decisão de jogar o estadual sem o time principal || Foto: Alexandre Vidal (FlaImagem)

Pouco mais de um mês atrás, o Flamengo anunciou que jogaria o Campeonato Carioca de 2016 com reservas. Os titulares seriam preparados para jogar a Liga envolvendo clubes de Minas e da região sul do país. O clube também anunciou que caso a Liga não saísse do papel, seguiria na sua posição de não utilizar o elenco principal no estadual do Rio de Janeiro.

Pressionado pela Globo e ainda com um ano de contrato de direitos de TV para cumprir, o Rubro-Negro da Gávea mudou sua postura e confirmou que disputará o Carioca com força máxima. Uma enorme parcela de torcedores do clube – incluindo este que vos escreve – achou que o Flamengo “pipocou” quando deveria partir para o conflito. Mas após esta sexta-feira, com as decisões tomadas no arbitral da FERJ, enxergo de um viés diferente: o Flamengo preferiu a política à força.

20150405202507_775

Protestos contra a Ferj marcaram o Fla-Flu do Carioca de 2015 || Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Muita gente defende o rompimento do clube com a FERJ, mas, infelizmente, não é algo que o Flamengo possa fazer sozinho. Precisa dos co-irmãos cariocas. Com o Vasco alinhado às posições da federação e o Botafogo seguindo o caminho do clube presidido por Eurico Miranda, fica impossível romper com o status quo.

O Flamengo não tem cotas de TV adiantadas com a Globo, um expediente que a emissora cansou de utilizar para “prender” os clubes e impedir que busquem outras parceiras de transmissão. E, especialmente, impedir que os clubes usem da força que têm.

>> Leia também: A Teoria do Caos, o Flamengo de 2016 <<

Para o ano que vem, o Flamengo estará livre de qualquer obrigação contratual com a Globo no que tange à transmissão do Campeonato Carioca. Portanto, poderá recusar condições estapafúrdias impostas pela FERJ, como proibir sócio-torcedor – a não ser que o clube pague a diferença no borderô – na hora de discutir os termos do contrato. E não aceitando essas condições, a Globo terá duas opções: ou fica do lado do carro chefe das transmissões de futebol no país, ou do lado de um modelo arcaico, retrógrado e amplamente superado. Conhecendo a Globo, não tenho a menor dúvida sobre a futura posição da emissora de TV. A “covardia” em 2016 pode virar ruptura em 2017. Lá teremos a faca e o queijo nas mãos para fazermos o melhor à maior torcida do país.

Paciência, torcedores do Mais Querido. Está próximo o momento de não precisarmos mais abaixar a cabeça para FERJ, CBF e afins. O famoso “um passo atrás para dois adiante” nunca fez tanto sentido no futebol.

Saudações Rubro-Negras.

Comentários

33 anos, morador do Rio de Janeiro. Rubro Negro de coração, apaixonado pelo Maracanã, tem no Barcelona o exemplo de clube para o que entende como futebol perfeito, dentro e fora do campo. Estudioso da memória do futebol, tem nessa sua área de maior atuação no site, para preservar a memória do esporte. Dedica especial atenção aos times mais alternativos, equipes que tiveram grandes feitos, mas que não são tão lembradas quanto as maiores do mundo. Curte também futebol do centro e do leste da Europa, com uma coluna semanal dedicada ao assunto. Um Doente muito antes de fazer parte desse manicômio, sua primeira memória acadêmica é uma redação sobre o Zico, na qual tirou 10 e a mesma foi para o mural da escola. Nunca trabalhou com futebol dessa forma, mas adora o que faz junto com o restante do pessoal e se pergunta o porquê de não ter começado com isso antes. Espera recuperar o ''tempo perdido''. Acha Lionel Messi o melhor que viu jogar e tem em Zico, Petkovic e Ronaldo Angelim como heróis.