Bonaventura, a exceção em meio a um deserto de ideias

Foto: legaseriea.it

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O tempo está fechado do lado rubro-negro de Milão. Desde 2011 sem conquistar um título e jogando um futebol apático nos últimos tempos, o Milan vem se apequenando. Quem relembra com carinho os tempos de Clarence Seedorf, Kaká, Rui Costa e Andrea Pirlo, referências de elegância, decisão e criatividade no meio-campo rossonero, acaba se assustando com o hoje. Tendo se acostumado com colocações intermediárias na tabela do Campeonato Italiano, o clube joga um futebol insosso, pouco produtivo e que só encontra reais diferenciais nos pés de um atleta: Giacomo Bonaventura.

Ex-jogador da Atalanta, o italiano de 26 anos vem sendo a principal opção de desafogo e a referência criativa, embora não seja um autêntico armador. Bonaventura atua frequentemente aberto pelo flanco esquerdo do ataque, mostra grande capacidade para criar oportunidades de gols e é a única peça no time de Sinisa Mihajlovic a ter gabarito para desempenhar tal função.

Foto: atalanta.it

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Até o momento, com 18 partidas disputadas, o jogador tem 83% de aproveitamento nos passes e distribuiu 41 toques para gols; deu seis assistências. Considerando seus companheiros de clube, quem mais se aproxima deste desempenho é o centroavante colombiano Carlos Bacca, criador de 23 ocasiões e dono de uma assistência, número extremamente inferior ao do italiano.

Passando à esfera nacional, ninguém o supera na criação de oportunidades. Quem mais se aproxima de seu desempenho é o eslovaco Marek Hamsik, que ofereceu um passe a menos. Ao lado de Riccardo Saponara, Lorenzo Insigne, Miralen Pjanic e Riccardo Meggiorini, Bonaventura é um dos líderes de assistências na Serie A italiana.

É notória a diferença de qualidade técnica, visão de jogo e criatividade do italiano em relação aos seus companheiros e é curioso observar a evolução de seu futebol. Embora tenha tido muito destaque na Atalanta, não apresentava números tão consistentes quanto os atuais, com a camisa milanista.

Foto: legaseriea.it

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Pelos Nerazzurri, o jogador disputou 135 partidas e criou 15 assistências. No Milan, em 54 partidas, já conseguiu 12. Este número é extremamente representativo. Atualmente, o jogador é o único que foge a uma realidade que apresenta um grande número de meio-campistas de características semelhantes, pouco criativos e extremamente burocráticos.

A recente recontratação do problemático Kevin-Prince Boateng pode mudar essa realidade, mas o negócio é uma aposta. O ganês tem boa técnica e um espírito de luta que poderá ser fundamental para a evolução do jogo do Milan. No entanto, nos últimos tempos, o jogador vem mal. Se mostrar o futebol de sua primeira passagem por Milão, certamente Bonaventura passará a ter com quem dialogar, o que lhe renderia uma provável melhora de seu desempenho individual. Essa figura poderia ser o francês Jeremy Ménez, caso o atacante não estivesse enfrentando uma dura sequência de lesões.

Foto: figc.it

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É fato que, no momento, não há ninguém em San Siro que se destaque tanto quanto o italiano. E isso é pouco, muito pouco, para um time heptacampeão europeu. Seja como for, ao menos uma figura no time milanista habitual tem mostrado futebol diferenciado. Neste momento, é indiscutível o fato de que Bonaventura é uma exceção em meio a um deserto de ideias.

https://www.youtube.com/watch?v=fl63_4etR0Q

 

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.