Griezmann, a bandeira do novo Atlético de Madrid

  • por Israel Oliveira
  • 3 Anos atrás

O competitivo Atletico de Simeone é construído muito pela versatilidade do treinador argentino em buscar novas soluções e referências. Os colchoneros, na janela de verão europeu 15/16, perderam Arda Turan, um dos alvos mais desejados no feroz mercado da bola, que foi prestar serviços ao Barcelona.

O turco tinha uma qualidade muito peculiar e pronta para o sistema de Cholo. Sem Diego Costa carregando e finalizando com maestria, o Atletico teve como sua base a dupla do barbudo com Koke.

TESTE

Clique e relembre os bons tempos da dupla do Atlético de Simeone.

Ambos se procuravam em campo com frequência e se completavam: Koke numa figura mais organizadora, com maior qualidade para assistir e passar, e Turan no jogo curto, no drible, escondendo a bola e aglomerando o Atlético no ataque através de seus movimentos prendendo e soltando a bola quando julgava necessário.

Griezmann foi parte importante de boa temporada para o clube, com oscilações – é verdade – mas surpreendeu por sua adaptação. De jogador de flanco, tornou-se rico jogando mais espetado e próximo ao gol. Faltou um desempenho mais sólido em grandes jogos e mais frequência no jogo, porém, recebendo entre linhas e se movimentando freneticamente no final do campo, o francês demonstrou grande capacidade de arremate e último toque.

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Nova temporada, novas referências

A partir dos reforços, Simeone buscava corrigir alguns defeitos da última versão (14/15) do time de Manazares. Trouxe Correa e Carrasco para ter ativos frenéticos pelos flancos, Jackson Martinez e Vietto para Griezmann ter uma opção com desmarque de ruptura, algo inexistente em Mario Mandžukić, vendido a Juventus. Oliver Torres vinha para ser um agente importante na transição e armação, voltando de empréstimo. Isso falando da linha ofensiva.

 

Para uma versão mais ambiciosa e protagonista do novo Atleti, Simeone necessitava de uma bandeira grandiosa para carregar essa ideia e Antoine Griezmann foi o escolhido. O francês agora é uma figura fundamental para um Atletico mais amante da bola e veloz no terço final do gramado.

É importante pontuar aspectos importantes da nova concepção de Simeone, embora sua equipe também saiba ser pragmática e jogar por contra-ataques isolados. O Atletico tem gostado mais da bola, jogando com a defesa mais adiantada e com Gabi e Koke gerindo o jogo de forma mais circular e pausada. A partir do momento em que a bola é recebida por Griezmann, começa o perigo.

O francês vem apresentando o arsenal característico de todos os grandes craques: aprendizagem constante e novas vertentes em seu jogo. Se antes era o finalizador com leve desvios para os flancos, virou uma espécie de armador pela esquerda adentro, gerando uma imensidão de jogadas.

MAPA DE CALOR GRIEZMANN

Seus atributos técnicos estão mais refinados do que nunca: o primeiro toque agora é precioso, sempre dando sequência em combinações ligeiras; seu passe é rico, principalmente em tabelas e jogadas puxadas a partir de sua aceleração. Com frequência vemos passes açucarados dados pelo francês para finalizações de seus companheiros – geralmente imprecisas, infelizmente.

Se anteriormente Griezmann dava 22,55 passes por jogo, agora ordena ataques com frequência, agindo de forma inquieta e protagonista em campo, com 41,15 passes por jogo, quase dobro em relação a temporada 2014/2015. Antoine combina, corre, pausa e lidera quase tudo que produz a equipe nos metros finais, partindo de dentro ou de fora, da intermediária ou no fim do gramado.

Nos jogos recentes, principalmente fora de casa, a equipe tem jogado de forma mais reativa, o que não reduziu o impacto do francês no jogo. Pelo contrário, sua capacidade de atacar espaços e agir nos mesmos vem criando excelentes oportunidades após o trabalho sempre sólido e férreo da defesa.

Decidindo partidas

Como já dito acima, Griezmann em sua temporada ficou com uma curta impressão de amarelão, graças a constantes sumiços em jogos importantes.

Em sua nova fase, vemos um atacante mais confiante e ciente do seu tamanho. Seu cartão de visitas começou com uma bela participação ante ao Sevilla no Sanchez Pizjuan, participando dos três gols e sendo peça chave da bela atuação colchonera.

Verdade que perdeu um pênalti ante o Madrid, mas sua atuação foi importante, sempre muito agressivo e criativo. Se contra Madrid falhou, correspondeu em outros jogos, cada um em seus respectivos contextos.

Em jogos onde a equipe lutou ou teve a posse de bola, como ante a Galatasaray e Benfica – ambos fora de casa, Griezmann apareceu para o jogo, liderou de forma forma natural uma equipe que mostrava boa organização em suas triangulações. Quando o Atletico precisou ser reativo e contra-atacar, estava ele ali, assumindo a bola e puxando contra-ataques de forma insana e restritamente técnica.

Um grande exemplo disso foi contra o Celta, participando de dois gols, o primeiro em dupla luxuosa com Luciano Vietto.

Na Espanha, os rojiblancos receberam a fama de equipe defensiva, incapaz de gerar a avalanche de gols que a dupla Real/Barça produz. Pois bem, no seu mundo, de forma ardilosa e sempre emocionante, Griezmann tem sido o jogador que mais vence jogos na Liga. Em toda a temporada, se não fosse os tentos do atacante, o Atletico de Madrid teria em sua conta sete jogos com placar zerado.

No Campeonato Espanhol, são incríveis 10 pontos vencidos diretamente pra sua equipe, excluindo jogadas com participação além de assistência ou gol. Com 12 gols de 30 desse time bem econômico, tem absurdos 40% dos gols do Atlético em La Liga.

Mesmo estando mais longe do gol e finalizando um pouco menos, continua a marcar seu caminhão de gols, demonstrando um poder de finalização gigantesco. Tem gol de falta, de finalização mano a mano com o goleiro, voleio, cabeçada, oportunismo… Griezmann é um jogador incrivelmente especial.

Em busca do parceiro ideal

Com o elenco de atacantes vasto e remodelado, achar parceiro(s) para Griezmann parecia questão de tempo. Num mesmo plantel, é possível encontrar um atacante de área de poder razoável (Jackson), atacante de bons deslocamentos (Vietto), um veterano bem adaptado ao Cholismo (Torres) e extremos inquietos e trabalhadores (Correa e Carrasco). O cenário parecia promissor.

A princípio, Griezmann faria dueto com Jackson Martinez. O que na súmula parecia ser perfeito, se tornou num leve caos. O colombiano vem em péssima forma em Madrid, mostrando lentidão e imprecisão técnica. Apesar de não ser tão estático quanto Mario Mandzukic, seu estilo de jogo não casou com a equipe, graças a sua dificuldade de segurar a bola e dialogar com Griezmann – é lento de pensamento e tem sido grosseiro tecnicamente. Já Torres mostrou ser útil para o elenco, mas em nível de titularidade, acaba destoando demasiadamente.

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Vietto tem sido a nova menina dos olhos de Simeone, que tem brincado até com o argentino um pouco mais longe do gol, como se fosse um falso 9. O argentino ainda não tem sido o atacante que o conjunto tanto necessita, mas já é uma evolução em comparação ao desempenho do colombiano. É mais capaz de se entender com Griezmann e gera espaços importantes em suas rupturas, principalmente para os laterais atacarem em profundidade.

Pelos flancos, é justo elogiar o trabalho de Correa e Carrasco. Enquanto o primeiro nos remete a um demônio com as bolas nos pés, por sua vitalidade e artifícios ofensivos – embora seja inconstante – , o belga tem sido trabalhador e competente no ataque – tem boa habilidade técnica e física.

Ainda é possível melhorar

GRIEZMANN X COMPANHEIROS DE ATAQUEApesar do momento fantástico de Griezmann, falta ao Atletico um matador, um parceiro de ataque eficiente que esteja fincado na área para receber  as inúmeras jogadas criadas pelo francês e dar destino final a bola. O Atlético teria uma garantia maior de vitórias e certamente sofreria menos.

Numa liga com tridentes luxosos como o BBC e MSN, é mais do que natural rebaixar ou deixar de lado os demais avançados da competição. Entretanto, está sendo impossível ignorar o magistral trabalho de Griezmann. Numa versão quase completamente lapidada do seu jogo, o francês finalmente explode de maneira espetacular para o futebol, num produto de impressionar e encantar qualquer amante do jogo bem jogado.

 

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