Lucas Cândido e a luta por um 2016 de afirmação

Foto: CAM/ Bruno Cantini

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O ano é 2013 e o jogo é difícil. Embora o encontro não tenha tanta importância em termos classificatórios, trata-se de um confronto entre Atlético Mineiro e Flamengo, uma das maiores rivalidades do país. A partida é dura no campo e o futebol que o público, que nem é dos melhores, vê é fraco. Do lado alvinegro, Diego Tardelli e Ronaldinho Gaúcho são algumas das várias baixas; representando o rubro-negro, um meio-campo que alinha Luiz Antonio, Amaral e Val causa calafrios. Em meio a isso, um dos lances mais belos do ano acontece: com uma recuperação de bola seguida de um petardo assombroso, o garoto alvinegro Lucas Cândido balança as redes e dá a vitória ao Galo.

Foto: CAM/ Bruno Cantini

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Mesmo com o jovem volante sendo regularmente improvisado na lateral-esquerda por Cuca, nas arquibancadas restavam poucas dúvidas de que um jovem de enorme valor estava ali; um volante com estatura, tempo de bola, técnica e uma predileção especial para as finalizações de longa distância, boas heranças dos tempos em que jogou futsal. O fato de Pierre, Leandro Donizete e Josué, seus concorrentes, não serem mais tão jovens só aumentava a impressão de que, em 2014, o torcedor veria cada vez mais o futebol de Lucas.

No entanto, logo em seu terceiro jogo na temporada, em vitória fácil sobre a modesta URT, já sob o comando de Paulo Autuori, sofreu grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito e perdeu todo o restante da temporada em recuperação.

Sua volta aconteceu em um momento importante: na Copa Libertadores da América de 2015, em derrota por 1×0 contra o Atlas. Apesar da derrota, a alegria por seu retorno era grande. Regozijo que durou pouco, muito pouco.

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15 dias após sua segunda partida de 2015, contra o Guarani de Divinópolis, jogo marcado pela alegria – Lucas marcou o gol da vitória –, veio o novo infortúnio. O jogador sofreu entorse no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo em um treinamento e ficou mais 264 dias afastado dos gramados. Levir Culpi praticamente não pôde trabalhar o garoto.

Já sob o comando do interino Diogo Giacomini, o jogador atuou na partida final da temporada, contra a Chapecoense, sinalizando que 2016 pode, de fato, ser o ano de sua afirmação.

Foto: CAM/ Bruno Cantini

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“Na minha segunda lesão, fiquei triste, chorei. Mas sou agarrado em Deus. Tentei focar na academia, fisioterapia, fazer tudo com toda disposição possível, feliz, contente, porque tenho contrato com grande clube”, disse em entrevista coletiva antes da partida contra a Chape.

Com a chegada de Diego Aguirre ao comando alvinegro, as esperanças voltaram a se renovar para Lucas. Josué e Danilo Pires deixaram o clube e nenhum volante foi contratado até agora. 2016 começou também com a renovação de contrato do atleta, que agora vige até 2019.

Foto: CAM/ Bruno Cantini

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Outro ponto que pode favorecer o ganho de oportunidades para o garoto de 22 anos é sua versatilidade, podendo ser opção pela lateral-esquerda ou mesmo no meio-campo em diversos esquemas táticos. Como demonstrado nos amistosos da Florida Cup, o Atlético deve alternar entre o 4-2-3-1 e o 4-1-4-1, e Lucas Cândido é capaz de atuar tanto na linha de “2” do primeiro sistema quanto na segunda linha de “4” do segundo.

Falando nos amistosos disputados nos Estados Unidos, Lucas marcou um belo gol, contra o Schalke 04, com a sua marca, mas com uma curiosidade. O chute foi de fora da área, mas com o pé direito; aquele que, teoricamente, é seu pior. Contra o Corinthians também esteve em campo e cumpriu com qualidade o seu papel.

“Não só eu, mas todos os jovens que estão aqui têm possibilidades de serem titulares, e o pessoal da base que subiu está ‘comendo a bola’ para entrar jogando. (…) Esperamos um trabalho diferente do técnico Aguirre, com a possibilidade de desenvolvimento com os atletas. Temos muitos campeonatos, esperamos jogar”, pontuou o volante em coletiva no início deste ano.

A esperança do jogador é também a esperança da torcida, que enxerga nele uma peça para ser titular no futuro próximo. Com seus requisitos técnicos e uma personalidade para superar barreiras, Lucas Cândido vai se mostrando; tudo o que precisa é de oportunidades e, com muitos desafios por jogar, é provável que ganhe muito espaço em 2016. Aguirre mostrou no Internacional que gosta de dar oportunidades a jogadores jovens. Essa também é a expectativa para o Galo que, dentre as opções surgidas na base recentemente, tem em Lucas a peça mais madura.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.