Os primeiros minutos de Aguirre no Atlético

  • por Lucas Sousa
  • 4 Anos atrás

A temporada 2016 começou para o Galo. Sob o comando de Diego Aguirre, o time mineiro derrotou o Schalke 04 por 3 a 0, em jogo válido pela Flórida Cup, torneio amistoso realizado nos Estados Unidos. Os atletas ainda estão longe das melhores condições físicas e o comandante uruguaio rodou muito seus jogadores, mas o alvinegro esteve bem e deu mostras daquilo que deve ser neste ano: uma equipe que defende com muitos jogadores e valoriza a posse quando recupera a bola.

Nos primeiros 90 minutos da temporada, o novo treinador já sinalizou mudanças defensivas. A defesa foi o ponto fraco do Atlético na temporada passada: 47 gols sofridos no Brasileirão, apenas a 10ª menos vazada. Solidez defensiva é essencial para quem almeja conquistar o título brasileiro. Individualmente, a retaguarda mineira é muito boa: Jemerson e Douglas Santos tiveram passagens recentes pela Seleção Brasileira, Marcos Rocha foi eleito o melhor lateral-direito do país por dois anos seguidos e Leonardo Silva, apesar da idade avançada, continua sendo um ótimo zagueiro.

Foto: Atlético - Diego Aguirre começa a montar o Galo para 2016

Foto: Atlético – Diego Aguirre começa a montar o Galo para 2016

No entanto, o futebol é um jogo coletivo. Sofrer poucos gols depende do trabalho de todos, não somente da defesa. Por isso, o atual treinador trabalha para proteger melhor sua primeira linha e criar dificuldades para o adversário chegar até ela. Se Levir Culpi deixou a defesa exposta por diversas vezes, Aguirre quer cercá-la. Frente ao Schalke, apresentou uma equipe mais compacta e com dez homens atrás da bola. Por conta da condição física, ficou no próprio campo esperando os alemães, mas deu indícios de que irá pressionar os adversários desde o campo de ataque, quando os jogadores estiverem prontos.

O principal comportamento defensivo foi o trabalho dos pontas sem a bola. São eles os responsáveis por defender os lados nas proximidades da área, permitindo que os quatro defensores permaneçam próximos. Nas jogadas de linha de fundo, o ponta dava combate no homem da bola enquanto toda a defesa estava dentro da área. Luan se destacou muito nessa função, voltando sempre e ajudando o lateral. Por outro lado, Thiago Ribeiro deixou a desejar em diversos momentos e isso pode comprometer sua presença entre os titulares.

Foto: Reprodução/SporTV - Sem a bola, pontas (circulados) recuam e fecham os lados do campo. Defensores ficam próximos e dentro da área, ocupando a zona de finalização

Foto: Reprodução/SporTV – Sem a bola, pontas (circulados) recuam e fecham os lados do campo. Defensores ficam próximos e dentro da área, ocupando a zona de finalização

Outro ponto que diferenciou o Galo de Aguirre em relação ao de Levir foi a troca de passes. O time valorizou muito a posse e trabalhou com a boa no chão. Mesmo sob pressão do adversário, procurava o passe curto para sair do campo defensivo, evitando a ligação direta ou um chutão. Ainda que o uruguaio não tenha completado um mês de clube, a equipe foi bem nessas situações e deve evoluir nos próximos meses.

Adepto do rodízio de jogadores, Diego Aguirre testou 20 jogadores de linha. Iniciou a partida com o “Galo 2015”, mantendo o 4-2-3-1 e utilizando somente jogadores que já estavam no elenco, em uma escalação que entrou em campo diversas vezes. No segundo tempo, mudanças. Atuou os 45 minutos no 4-1-4-1, deu oportunidade para Lucas Cândido e Eduardo, crias da base, e promoveu a estreia das três contratações do clube até aqui: Hyuri aberto na esquerda, Cazares na direita e Erazo na zaga. Além disso, o técnico testou alguns jogadores em posições diferentes. O lateral Patric foi ponta pela direita por alguns minutos, algo já feito por Levir Culpi, e o atacante Carlos atuou centralizado, diferente do que aconteceu nos últimos dois anos. Isso mostra uma ideia inicial do uruguaio de não só fazer rodízio de jogadores, mas também de posições, criando maneiras de alterar a formação sem recorrer ao banco de reservas.

As formações da primeira partida do ano: primeiro tempo no 4-2-3-1 com a base do ano passado, segunda etapa com 4-1-4-1 e reforços estreando

No fim das contas, os primeiros minutos de Diego Aguirre no Atlético foram promissores. Além de ter uma base montada do ano passado e, até então, três bons reforços, ele identificou fragilidades e conseguiu implementar novidades. A bela vitória na primeira partida animou os torcedores, mas o importante neste início é os jogadores entenderem e aplicarem as ideias do novo treinador. Certamente o Galo de Aguirre ainda evoluirá e promete muito para 2016.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.