Os roteiros do futebol pernambucano em 2016

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A expectativa das três torcidas recifenses tem explicação. Depois de terminar 2015 em alta, Santa Cruz, Sport e Náutico começaram 2016 cheios de aspirações. Mantiveram seus comandos técnicos, foram ao mercado e agora trabalham para enfrentar um primeiro semestre com dois títulos em disputa.

Por isso, o DPF selecionou os melhores roteiros para seguir de perto durante o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste. Atores que poderão encarnar qualquer papel: protagonista, coadjuvante; heroi ou vilão. É o futebol mais animado do Brasil – usando a expressão cunhada pelos amigos do Podcast 45 minutos – em um ano ainda mais nervoso.

Os postulantes

(Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Atletas reunidos antes do amistoso contra o Botafogo-PB, primeiro jogo do ano (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Nenhuma torcida recifense está tão ansiosa por uma taça quanto a do Náutico. Há doze anos em jejum, o Alvirrubro se vê em grande desvantagem financeira e técnica em relação aos seus dois rivais. Mas se lamenta o fato de não ter se classificado para a Copa do Nordeste, o Timbu se vê obrigado a curtir o lado positivo: poderá focar todas as suas energias na disputa do Campeonato Pernambucano.

Com muitos titulares mantidos do time que terminou 2015 muito próximo do acesso, o Náutico tem uma boa base para começar o ano apresentando um futebol coeso. Tem trazido reforços bons para a realidade do clube, como os meias Renan Oliveira e Esquerdinha, e tenta escrever novamente a história de 2001, quando os rivais estavam na Série A mas, no Pernambucano, nada puderam fazer para evitar o título alvirrubro – após jejum de doze anos. Será?

Foto: Divulgação/Assessoria SCFC

Santa fez primeiros treinos de 2016 no Arruda antes da pré-temporada em Chã Grande (Foto: Divulgação/Assessoria SCFC)

Quatro títulos pernambucanos nos últimos cinco anos e uma ascensão sem igual no futebol brasileiro fizeram do Santa Cruz um dos protagonistas do país neste início de 2016. E é exatamente por isso que a manutenção dessa soberania em seu estado não representa, para sua torcida, tanto quanto em outros tempos. A grande ambição coral é ir ainda mais além. O que significa, sem rodeios, a conquista da Copa do Nordeste.

Esse é o grande objetivo do Santa no primeiro semestre do ano. E ele parece nunca ter estado tão próximo: o Tricolor entra na competição fortalecido e com um time já montado, que já mostrou uma boa química durante a Série B do ano passado. A oportunidade é excelente e um inédito título regional daria ainda mais moral para o clube entrar bem na disputa da Série A.

Sob o comando de uma lenda do futebol, Sport sonha alto em 2016 (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Sob o comando de uma lenda do futebol – e um técnico iniciante -, Sport sonha alto em 2016 (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Depois de dois anos de evolução e consolidação na Série A do Brasileiro, o Sport inicia 2016 olhando para o Campeonato Pernambucano como um objetivo menor em sua temporada. É claro que todos no clube adorariam recuperar o domínio sobre o futebol local, mas pelas declarações de sua diretoria e comissão técnica, o Leão parece ter chegado a um patamar em que suas grandes aspirações são outras: brigar por um título entre Copa do Brasil e Copa Sul-Americana e fazer mais uma campanha respeitável no Brasileirão, de olho na Copa Libertadores de 2017.

A grande ambição do primeiro semestre rubro-negro será a Copa do Nordeste. Maior orçamento da região, o Leão entra como grande favorito à conquista. Mas não será nada fácil: vivendo uma grande reformulação, encontrará adversários complicados ao longo do caminho e tem grandes chances de se complicar caso não faça uma preparação muito bem feita.

Os professores

Pela primeira vez, Martelotte comanda um Santa Cruz altivo e hegemônico (Foto: Divulgação/Assessoria SCFC)

Pela primeira vez, Marcelo Martelotte comanda um Santa Cruz altivo e hegemônico (Foto: Divulgação/Assessoria SCFC)

Em 2015, Marcelo Martelotte teve que conduzir um trabalho de recuperação no Santa Cruz. Tanto da auto-estima de uma equipe que se via na zona de rebaixamento da Série B quanto dos pontos que foram desperdiçados pelo Tricolor no início da campanha. Conseguiu: armou um time que se notabilizou por jogar possivelmente o melhor futebol entre seus concorrentes e conquistou não só o acesso, mas o vice-campeonato da Segunda Divisão.

No ano que se inicia, entretanto, o papel do Santa Cruz é bem diferente. Por ter terminado o ano anterior muito bem e por ter mantido 10 dos 11 titulares da campanha, entra na Copa do Nordeste e no Campeonato Pernambucano com ares de favorito. Com tantas expectativas, Martelotte precisa administrar a empolgação dos atletas e manter o time em evolução para prepará-lo para a grande missão do ano: sobreviver à Série A.

Futebol, rock’n’roll e o Santa Cruz de 2016: Confira a entrevista dada pelo técnico tricolor à turma do Podcast 45 minutos

Falcão pode se consolidar como técnico competente ou ser esquecido de vez na função (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Falcão pode se consolidar como técnico competente – ou ser esquecido de vez na função (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Seleção brasileira, Japão, América do México, Internacional, Bahia. Foram muitas tentativas e muitas desculpas, mas Paulo Roberto Falcão ainda não conseguiu provar que pode ter, em sua carreira de técnico, um êxito ao menos próximo do que teve como jogador. No Sport, ele teve um aproveitamento notável na reta final do último Brasileiro, mas não fez mais do que recolocar nos trilhos um time que já tinha um elenco equilibrado e um sólido padrão tático.

Ele começa 2016 com um elenco moldado ao seu gosto, suporte total da diretoria e uma grande superioridade técnica em relação aos outros postulantes aos títulos do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. Nunca teve, portanto, condições tão boas para desenvolver seu trabalho, levantar taças e ganhar credibilidade na função de treinador. Caso contrário, pode ser sua última chance em um clube com grandes aspirações.

A primeira grande entrevista de Paulo Roberto Falcão em sua passagem pelo Sport foi concedida ao Podcast 45 minutos. Confira:

Técnico foi bombeiro em 2015 e inicia o ano com muita moral no clube (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Técnico foi bombeiro em 2015 e inicia o ano com muita moral no clube (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

No Náutico, Gilmar Dal Pozzo já superou os equívocos de uma gestão atrapalhada e os ânimos exaltados de um conturbado processo eleitoral – era o nome preferido das duas chapas que concorreram à presidência do clube. Unânime, o técnico começa 2016 com moral e boa parte da base do time que terminou a Série B de 2015 em 5º lugar, apesar dos salários atrasados.

Mas em 2016, sua missão é acabar com um anseio com que a torcida do Náutico já não aguenta mais conviver: o jejum de títulos. O cenário é desfavorável – afinal, Sport e Santa Cruz estão na Série A -, mas o técnico tem adotado um discurso confiante, respaldado pelos seus atletas. Se conseguir extrair o máximo de seus jogadores e manter um clima harmônico no clube, Dal Pozzo pode tornar real a grande aspiração timbu.

O técnico alvirrubro deu uma entrevista cheia de informação e descontração ao Podcast 45 minutos. Confira:

Os personagens

Atacante de 20 anos vai jogar quase de graça no Náutico (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Atacante de 20 anos vai jogar quase de graça no Náutico (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

20 anos de idade e um currículo já cheio de problemas disciplinares. Era tudo que a torcida do Náutico poderia conhecer sobre o atacante Rafael Ratão quando ele foi contratado. Ao custo de R$ 1.500 por mês – valor do aluguel de seu apartamento -, o jovem tenta mostrar, primeiro, que ainda pode ser um atleta. E, em segundo lugar, que pode ser peça determinante no setor ofensivo timbu.

Desconhecido da torcida rubro-negra, Lenis chega como uma aposta cara (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Desconhecido da torcida leonina, Lenis chega como uma aposta – a mais cara já feita pelo clube (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Contratado pela bagatela de R$ 3,16 milhões, Reinaldo Lenis é nada menos que o maior investimento de um clube pernambucano na história. Vindo do Argentinos Juniors, onde era titular, o meia-atacante colombiano de 23 anos chega ao Recife como solução de velocidade pelos lados do campo. Tem potencial – tanto para ser fundamental ao Sport quanto para ser a maior decepção do futebol nordestino em todos os tempos.

Capaz de lampejos decisivos, Renan Oliveira tem mais uma chance em Pernambuco (Foto: Emanuel Leite Jr)

Capaz de lampejos decisivos, Renan Oliveira tem mais uma chance em Pernambuco (Foto: Emanuel Leite Jr)

Fugindo do rótulo de eterna promessa, Renan Oliveira volta ao futebol pernambucano. Após uma passagem bem apagada pelo Sport em 2014, o meia defendeu América-MG e Avaí, mas não conseguiu mostrar muito mais do que o que apresentou desde seu início de carreira: lampejos. Para ele, o Náutico é mais uma oportunidade de ser titular e protagonista.

Volante chega ao Recife para se reabilitar no cenário nacional (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Volante chega ao Recife para se reabilitar no cenário nacional (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Luiz Antônio já teve seus momentos de glória. Já foi campeão como titular do Flamengo, já disputou Libertadores e já defendeu seleções brasileiras de base. Em dado momento, porém, seu nome passou a ser mais visto em páginas de fofoca (e até policiais). Foi assim que seu rendimento dentro de campo despencou. O tempo no Recife pode representar sua reafirmação como um volante de qualidade – ou a confirmação de que ele não serve mais para o futebol de alto nível.

Atacante brilhou em grandes clubes, mas conviveu com lesões (Foto: Antônio Melcop/Assessoria SCFC)

Atacante brilhou em grandes clubes, mas conviveu com lesões (Foto: Antônio Melcop/Assessoria SCFC)

Wallyson não chega ao Santa Cruz para ser apenas mais um. Ele é muito mais do que isso: é a expectativa de um parceiro à altura para o ídolo Grafite. Alguém capaz de tornar o time mais técnico e perigoso. Uma contratação, enfim, com o selo de “Série A”. Mas o atacante vem de seguidas lesões e precisa mostrar que ainda consegue se manter inteiro. Se não se tornar presença constante no DM tricolor, Wallyson pode ser crucial para as pretensões do renascido Santa.

Credenciais do lateral foram questionadas pelos torcedores (Foto: Carlos Gregório Jr./ Vasco.com.br)

Credenciais do lateral foram questionadas pelos torcedores (Foto: Carlos Gregório Jr./ Vasco.com.br)

Após o anúncio da primeira leva de reforços do Sport, ainda em 2015, um nome foi a grande interrogação entre os torcedores: Christiano? No currículo, passagens sem qualquer brilho por Vasco, Mogi Mirim, Bangu e Vila Nova. Mesmo que o lateral tenha sido contratado para ser reserva de Renê, ninguém ainda conseguiu entender qual foi o critério adotado em sua avaliação.

Túlio é um jogador bem diferente de André, mas precisa substituí-lo à altura (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Túlio é um jogador bem diferente de André, mas precisa substituí-lo à altura (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Nenhum jogador dos três clubes pernambucanos entra em 2016 com uma responsabilidade tão grande quanto a que Túlio de Melo carrega sobre seus ombros. Sua missão não é nada simples: substituir André, segundo maior artilheiro do Sport em uma edição de Campeonato Brasileiro, com 13 gols. Com um estilo de jogo bem diferente do seu antecessor, o mineiro terá, no Leão, a chance de construir no cenário nacional uma reputação que já possui na Europa.

Meia perdeu muito tempo em 2015, mas tem chance para se firmar (Foto: Divulgação/Assessoria SCFC)

Meia perdeu muito tempo em 2015, mas tem nova chance para se firmar (Foto: Divulgação/Assessoria SCFC)

O 2015 de Raniel foi turbulento – após ser eleito revelação do Pernambucano, enfrentou uma longa punição por doping e ainda se envolveu em uma ação judicial contra o Santa Cruz, na qual pedia a rescisão de seu contrato. Após superar suas diferenças com o clube, o jovem começa 2016 como um dos maiores candidatos a assumir o espaço deixado pelo atacante Luisinho. Caso consiga se manter longe de problemas extra-campo, o talentoso meia de 19 anos pode se firmar como uma realidade.

Jovem chamou atenção em 2015; agora, tem mais espaço para brilhar (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Jovem chamou atenção em 2015; agora, tem mais espaço para brilhar (Foto: Willians Aguiar/Sport)

Virar realidade também é o desafio de Neto Moura no Sport. Depois de ser apontado como um dos jovens mais promissores da última edição do Campeonato Brasileiro, o jovem meia se vê em um cenário favorável nesse início de temporada: em seu setor, é um dos poucos atletas à disposição de Falcão. Por isso, é um real candidato a ocupar uma das vagas que, em 2015, eram de Diego Souza, Elber e Marlone.

Em ambiente mais tranquilo no clube, jovem pode ganhar mais espaço (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Em ambiente mais tranquilo no clube, jovem pode ganhar mais espaço (Foto: Divulgação/Assessoria CNC)

Grande craque da primeira edição da Copa do Nordeste sub-20, realizada no fim de 2015, Jefferson Nem é uma das principais revelações das categorias de base do Náutico nos últimos anos. Habilidoso e veloz, o meia-atacante tem características raras dentro do elenco alvirrubro, e pode se aproveitar disso para conquistar o respeito do técnico Gilmar Dal Pozzo.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.