Pinturas Inesquecíveis: Ramires dança no Camp Nou

  • por Leandro Lainetti
  • 3 Anos atrás

Quantos brasileiros foram ídolos no Barcelona? Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho. Gênios da bola, dançavam com a pelota nos pés e punham a dançar todos os torcedores nas arquibancadas do Camp Nou. Cada jogo era um baile, uma festa a fantasia onde todas as roupas e apetrechos eram iguais: as camisas e acessórios Culés. Outra curiosidade. Repararam na letra dos quatro craques que sempre fizeram a alegria dos catalães? Pois é, todos começando com R.

Um dia, mais precisamente em 24 de abril de 2012, um outro jogador brasileiro tendo o R como primeira letra do nome resolveu fazer o seu show e mostrar sua dança cheia de gingado no gramado daquele mesmo estádio. Pelo histórico, seria mais um momento glorioso para os torcedores do Barcelona, mais uma vitória a ser celebrada. Ledo engano. Naquele dia, o detentor da letra R era um rival e vestia a indumentária do Chelsea: Ramires. Sem nome composto, sem sobrenome. Simples como Romário, Rivaldo e Ronaldos.

O jogo se mostrava atípico. Léo Messi, Deus em forma de jogador, perdia oportunidades em profusão. Quando Busquests abriu o placar, John Terry foi expulso, e Iniesta aumentou a vantagem, o mensageiro do apocalipse chamado Galvão Bueno profetizava: “Vem chocolate aí!”. A previsão se mostraria furada cinco minutos depois. Ainda no campo de defesa, Ramires recebia a bola. Jogador que sempre se destacou pelo futebol eficiente e simples, tal qual seu nome, fez a jogada básica e talvez a mais característica de seu estilo de jogo.

O tapa para frente encontrou Lampard, esse sim, jogador de toque mais refinado, que criou o famoso um-dois com licença poética. Em vez de devolver de primeira, deu três toques na bola. Um para dominar, outro para ajeitar, e o terceiro para matar. Enquanto o camisa 8 preparava o terreno, Ramires explodia em velocidade na direção da grande área, passando como um foguete pelos rivais.

O passe, redondo que só, veio deslizando pelo gramado, aparando a grama como se fosse uma navalha. Os cabelos de Puyol pulavam em rápido desespero como se, pelo tamanho, pudessem alcançar o brasileiro. Mas não deu. Quando Valdés saiu, certamente não esperava o que viria a seguir. Provavelmente esperasse um chute seco, talvez o domínio para aguardar auxílio na jogada. Mas não foi o que aconteceu.

Como se fosse um R consagrado pelo Barcelona, Ramires, fazendo com muita simplicidade um lance difícil, deu um toque sutil na bola.

Com a pontinha do pé, a levantou poucos metros do chão e muito longe dos dedos do goleiro. A fez morrer com graça e beleza dentro da rede. Correu e, como um bom brasileiro no Camp Nou, foi dançar. Porém daquela vez, ninguém na arquibancada dançou junto.

Foi uma pintura que merece ser eternizada nos corações dos amantes da bola:

Comentários

Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.