Qual é a intenção da Primeira Liga?

  • por Doentes por Futebol
  • 5 Anos atrás
(por Sérgio Ricardo Jr.)

Como gostam os dirigentes brasileiros, a Primeira Liga foi um fato novo no cenário futebolístico do Brasil em 2015. A competição que, mesmo envolta em polêmicas, deve acontecer no primeiro semestre deste ano com times do Sul e Sudeste reacendeu a discussão sobre a força dos clubes unidos entorno de algum objetivo. Contudo, esse debate poderia ser muito mais eficiente e transgressor se, de fato, houvesse união entre os próprios fundadores, mas não há.

Esse texto não tem a intenção de sugerir um debate técnico do campeonato, apesar de ser possível instaurar tal discussão. O que pretendo aqui é questionar de forma limpa quais são as reais intenções da formação de uma Liga paralela à CBF, mas que age como se fosse embrionariamente interligada aos cartolas que comandam a Confederação Brasileira de Futebol. Afinal, qual é a intenção da Primeira Liga?

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Ao ler pela primeira vez sobre o projeto, confesso que até me animei com a ideia. Parecia algo legal, capaz de, em algum tempo, tornar-se uma força capaz de combater naturalmente os defasados formatos dos Campeonatos Estaduais. Com o tempo, aquela minha primeira visão foi se transformando em conformismo, pois dentro da minha convicção de união não cabia todo aquele cenário que estava se formando. As “crianças” que são nomeadas para presidir os clubes brasileiros, definitivamente, não sabem brincar juntas. É cada um por si, e dificilmente isso mudará.

Uma ideia que poderia se tornar muito relevante, não consegue, por enquanto, ser nada além de uma gigantesca barganha política. Soa como chantagista e somente isso. Não que eu ache que os clubes não devam ter uma carta na manga para cobrar aquilo que se sentem no direito, acho isso válido, porém não creio ser honesto ameaçar uma estrutura que precisa ser mudada e levar isso como qualquer coisa, sabe, algo como “se nada der certo, temos esse campeonato aqui”. É covarde não ir além, é covarde ameaçar uma revolução e ajudar na eleição do Coronel Nunes, praticamente aclamado como novo vice-presidente da CBF, é simplesmente co-var-de.

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Entre as idas e vindas dos próprios fundadores, as notícias sobre a utilização de times alternativos crescem, o que reforça a ideia dos torcedores e jogadores de que a competição vai ser muito mais um empecilho na temporada do que uma real possibilidade de conquista, algo que gere um mínimo de envolvimento. Ora, se os clubes que se levantaram supostamente em rebelia contra a CBF não dão a mínima para a competição, como querer que a torcida e os atletas se envolvam? Como querer que isso seja um sucesso?

Hoje, a Primeira Liga me parece ser uma extra. Como quando você trabalha em uma empresa e, mesmo não gostando dela, as vezes aparece uma hora extra e uma forma de você ganhar uma grana além do que costuma. É mais fácil e mais seguro do que chutar o balde, buscar algo novo. E não estamos aqui falando de um trabalhador que se prende no emprego por não ter outra opção ou condições de se virar sozinho, estamos falando de clubes gigantescos, que não dependem de ninguém além deles próprios.

A Primeira Liga é uma foto dos clubes com uma prancha no Instagram. Bonita, promissora, passa boas impressões, mas nenhum deles tem a real intenção de encarar o mar e surfar de verdade. Tudo tem sido sobre aparência e dinheiro.

Sérgio Ricardo Jr. é graduando em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e são-paulino.

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