Zidane e a herança maldita de Benítez

  • por Israel Oliveira
  • 2 Anos atrás

A demissão de Carlo Ancelotti ainda é considerada inexplicável pelo público de futebol em geral. O italiano fez o Real Madrid praticar o melhor futebol do mundo quando teve em suas mãos todas as peças disponíveis e, mesmo enfrentando um batalhão de desfalques e problemas relacionados ao curto elenco de que dispunha, foi semifinalista da Champions e terminou a Liga apenas dois pontos atras do melhor time de 2014-2015, o Barcelona.

 Os dois anos de Ancelotti e o erro de Florentino

O choque foi grande, principalmente entre os jogadores, inclusive com condolências de alguns lideres do clube nas redes sociais.

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“Grande Treinador e pessoa incrível. Espero que trabalhemos juntos na próxima temporada.”

Apesar do lobby do elenco, incluindo o grande apoio demonstrado por Cristiano Ronaldo, Ancelotti não resistiu e Rafael Benítez recebeu a missão de dar continuidade ao trabalho do italiano e realizar ajustes formais, dispostos pela ampliação do elenco. Benítez chegou desacreditado, sob desconfiança, apos vir de trabalhos modestos por Inter, Chelsea e Napoli. Mas é aquela historia, tem que disponibilizar tempo, etc… e com o passar dele – o famigerado tempoficava nítido que os merengues o estavam desperdiçando com Rafa e que sua demissão era iminente.

A redenção de Keylor Navas

Keylor Navas operava milagres e escondia as deficiências defensivas do time nas primeiras partidas da temporada, mas uma hora a “sorte” mudaria de lado.

As derrotas perante o Sevilla e o massacre sofrido nas mãos do maior rival, em pleno Bernabéu, reforçavam aquela impressão que os resultados escondiam: o Real Madrid jogava muito menos do que podia e do que devia.

Zidane chega como bombeiro para aparar um fogaréu considerável: o Real Madrid está em terceiro em La Liga (04 pontos atrás do Atlético de Madrid) e já assume a equipe na fase aguda – joga contra a Roma pelas oitavas – da Champions League, ou seja, terá pouquíssima margem para erros na árdua tarefa de tentar se manter a frente do cargo de um clube que possui pouquíssima paciência histórica com falhas de seus treinadores.

 A dificuldade de se manter Galático

Se o lendário ex-jogador francês terá cacife para aguentar a pressão e prevalecer como treinador do Real Madrid, só o tempo dirá (olha ele aí de novo). O que são líquidos e certos são os problemas herdados por Zidane a serem sanados na equipe:

Defesa desorganizada

Benítez chegou com aura de defensivista e conservador. Assim foi em alguns jogos de maior tamanho, escalando Kovacic ou Casemiro para ajudarem Modrić e Kroos, se livrando dos talentos de Isco e James Rodríguez. Porem, suas medidas não resultaram em maior solidez para a equipe.

Por várias vezes, o Real Madrid sofreu de clarões na sua defesa, principalmente pelos flancos. O lado direito da defesa, onde atua o lateral brasileiro Danilo, foi explorado exaustivamente pelos oponentes que buscavam essa zona do campo, onde o ex-jogador do Porto não tinha nenhum auxilio ou cobertura. As deficiências defensivas de Marcelo são um ponto mais que antigo no Bernabéu, mas o caso de Danilo tem sido agravante e inconsequente. O lateral Dani Carvajal deve ser uma medida ja imediata pra assegurar a casa.

Mas, em se tratando de futebol moderno, a defesa não se resume somente aos homens de trás – que individualmente são de ótimo nível, principalmente Sergio Ramos e Varane. Na frente, o BBC tem feito um trabalho bem preguiçoso no que se refere as tarefas defensivas, buscando recuperar a bola com pouca intensidade e organização. Cristiano Ronaldo tradicionalmente n é um jogador de auxilio defensivo, tal qual Gareth Bale foi poupado de retornos consecutivos na defesa pra fechar 8 homens no campo de defesa. Encaixar o BBC sem desmantelar a proteção ao gol será tarefa árdua para Zidane.

Meio-campo desorganizado

Na humilde opinião deste que vos escreve, um meio-campo com Kroos, Modrić e James possui tudo que o setor necessita no mais alto nível: capacidade de recuperar a bola, qualidade de passe, desmarques, facilidade em associar-se em qualquer setor do campo, finalização e poderio individual.

Na Era Benítez, porém, foi talvez o setor mais desmantelado do time. Carro-chefe de Ancelotti, durante diversas vezes, o Real Madrid inexistiu em sua medular.

É possível flagrar em diversos jogos um ‘5-0-5’, onde Kroos e Modrić buscam a bola pra fazer a saida, mas os laterais estao afunilados e os atacantes infiltrados, sem gerar nenhuma opçao.

O Real Madrid foi pobre de mecanismos de criação, muito pelo modulo ofensivo exercido por Benítez. Em seu plano de jogo, exigiu muita movimentaçao do BBC, com tarefas de aproximaçao e ataques ao espaço vazio. Porém, os meio-campistas ficaram mais fixos e plantados, tendo que gerar coberturas artificiais no caso de perda de bola. A movimentaçao antes vista morreu, e o grande centro criativo se afundou junto a um ataque desorganizado.

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E assim, James Rodríguez e Isco se afundaram. O colombiano, costumeiramente um inquieto criador, cujo melhor estilo é se locomover entre linhas em busca da chegada na área, sofreu com a resistência do treinador ao seu futebol, que o considerava um tanto lento em ações. O espanhol sofreu do mesmo mal: a necessidade de municiar o BBC e os laterais boicotaram o futebol de Isco, que é um jogador de aproximaçao e de resgate da bola, prendendo-a e partir do movimento gerando fluidez ao jogo.

Resgates individuais

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Sim, falar de tantos problemas táticos e coletivos também consiste em falar na fase ruim dos jogadores, gerada em grande parte pelo trabalho arcaico de Benítez.

Kroos necessita de mais explosão física pra cobrir a defesa, assim como uma cobertura decente – Sergio Ramos mais acuado desenha essa dificuldade do alemão. Com bola, o alemão tem sido burocrático, mas é importante mencionar a falta de movimentos dos jogadores avançado, naquilo que gera uma interminável troca de passes entre os defensores, gerando um U na saída de bola ou uma ligação direta.

James Rodríguez foi a grande sensaçao madrilenha na ultima temporada, com sua incrivel capacidade de finalizar e articular o jogo. Na atual temporada, tem carecido de inspiração e ate de envolvimento no jogo. Zidane terá em suas mãos a grande tarefa de fazer o colombiano jogar seu melhor futebol.

Defensivamente, Sergio Ramos não tem sido o mesmo de outrora, embora quando num nível sério, seja imperial. Danilo tem sido o grande calcanhar de Aquiles da defesa  e merece um caminho, um resgate defensivo.

Por fim, falar de individualidades é falar da versão humana de Cristiano, menos explosivo e menos preciso. O novo treinador precisara resgatar a maquina gaja de fazer gols. O português tem demonstrado pequenas deficiências técnicas que podem ser mitigadas por um trio de ataque mais unificado e aceso.

Se só falamos em problemas herdados por Zidane, é hora de apontar algo de positivo que o francês vai encontrar em sua equipe: Gareth Bale.

A grande conquista tem que ficar

https://www.youtube.com/watch?v=lnyQp1ntURY

Rafael Benítez tem em Bale seu “troféu de consolação” em sua curta passagem. O príncipe de Cardiff ganhou peso e influencia no jogo Madridista, se aproveitando de suas ricas qualidades técnicas e físicas.

Atuou no centro, na direita e na esquerda, sempre povoando diversos setores do campo e sempre sendo o atacante mais produtivo da equipe.  Bale em sua nova versao passa, chuta, dribla, tudo num ritmo feroz e frenético. A má fase técnica parece ter ficado para trás, o galês tem sido criativo e refinado em seus gestos.

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Um ponto em que Zidane terá trabalho com Bale será em modificar o BBC. O trio se tornou cada vez mais espaçado e distante em campo. Não sabemos como serão as exigências do treinador francês ao trio, em prol do equilíbrio na defesa, mas parece claro que o galês terá que se doar um pouco mais nesse quesito. É onde atualmente ele está devendo.

Tendo em vista o que foi exposto nesta matéria, o peso de Zidane e a pouquíssima paciência de Florentino Pérez em termos de resultados, quais são tuas expectativas em relação ao futuro do jovem treinador no comando deste bagunçado Real Madrid?

Use os comentários e vamos debater!

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