A dificuldade de enfrentar Barça e Bayern

  • por Lucas Sousa
  • 5 Anos atrás
Montagem: Doentes por Futebol

Montagem: Doentes por Futebol

Barcelona e Bayern de Munique são as melhores equipes da atualidade. De um lado o melhor trio de ataque que o planeta viu nos últimos anos; do outro, um elenco recheado de craques comandado pelo homem que revolucionou o jogo. Em comum, tanto os catalães quanto os bávaros jogam o futebol do futuro: o futebol do repertório. Ambas as equipes são letais quando trocam passes no campo ofensivo e também quando atacam em velocidade no contra-ataque. Isso exige total concentração por parte do adversário em todas as fases do jogo, já que a qualquer momento uma oportunidade de gol pode ser criada. Arsenal e Juventus sentiram isso nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

O Arsenal fez um grande primeiro tempo frente ao Barcelona. Tirou Busquets, Iniesta e Rakitic da zona de conforto, atrapalhando a circulação de bola, e conseguiu ótimos contra-ataques. Faltou o gol, e os erros de finalização cometidos pelos Gunners não podem existir quando se enfrenta os melhores do mundo. Embora tenham cedido algumas oportunidades, os londrinos faziam uma boa segunda etapa e começavam a se soltar em busca do gol. Foi quando Neymar puxou o contragolpe e o Barça abriu o placar, desmoronando o time inglês. Talvez o Arsenal tenha acreditado demais no seu futebol ofensivo, tenha achado que o monstro não era tão grande quanto parecia e se desconcentrou. Esqueceu que do outro lado estava uma equipe que, como havia afirmado Arsène Wenger, pode marcar a qualquer momento.

Foto: Reprodução/FS1 - Mertesacker, Koscielny e Monreal contra o trio MSN. O Arsenal tenta o ataque mas o Barça recupera e contra-ataca em cima do trio defensivo inglês

Foto: Reprodução/FS1 – Mertesacker, Koscielny e Monreal contra o trio MSN. O Arsenal tenta o ataque mas o Barça recupera e contra-ataca em cima da desprotegida defesa inglesa.

No lance do gol, os dez jogadores que vestiam vermelho estavam no campo de ataque. O problema não é colocar tantos homens à frente, mas sim a forma como eles estão distribuídos. Não havia ninguém para dar apoio a Mertesacker, Koscielny e Monreal, que estavam frente e frente com o trio MSN. Três contra três com ampla vantagem para os atacantes mais goleadores do esporte. O Barcelona, aparentemente acuado, estava pronto para contra-atacar.

Na Itália, a Juventus adotou uma postura diferente. Deixou o Bayern avançar no terreno e o aguardava na própria intermediária. Bola roubada, acionava Cuadrado, Pogba, Mandzukic ou Dybala para atacar rapidamente e pegar os alemães desprevenidos. No entanto, os alemães estavam muito bem preparados para esses momentos e pressionavam a bola assim que ela era perdida. Enquanto a Juve armava um contra-ataque, o Bayern roubou a bola e fez um “contra-contra-ataque”, pegando os italianos desorganizados. No momento em que os bianconeri pareciam ter a chance de atacar, foram atacados.

Foto: Reprodução/BT Sport - Bayern rouba a bola quando a Juve armava um contra-ataque. Pontas (circulados) bem abertos e um grande espaço a frente da defesa ocupado apenas por um homem: terreno aberto para os bávaros atacarem

Foto: Reprodução/BT Sport – Bayern rouba a bola quando a Juve armava um contra-ataque. Pontas (circulados) bem abertos e um grande espaço à frente da defesa ocupado apenas por um homem: terreno aberto para os bávaros atacarem e jogadores em condições de receberem o passe.

No segundo tempo, o time da casa foi obrigado a abrir mão do seu jogo defensivo e ir em busca do empate. Pressionou alto, forçou a saída de bola em passes longos e conseguiu quebrar um pouco do amplo domínio alemão. Quando estavam no campo ofensivo e o Bayern todo atrás da bola, contra-ataque e gol bávaro. Também eram três defendendo contra três atacando, o detalhe é que a Juve não atacou a bola, apenas recuou e deu campo para o time de Munique correr em direção ao gol. Mais uma vez uma equipe parecia ter o controle das ações, mas bastou perder a bola para tudo se arruinar.

Foto: Reprodução/BT Sport - Três contra três no contra-ataque alemão. Na parte inferior, Robben parte em velocidade contra Evra, que não consegue acompanhar o holandês

Foto: Reprodução/BT Sport – Três contra três no contra-ataque alemão, sendo que Bonucci para no lance após trombada com Lewandowski. Na parte inferior, Robben parte em velocidade contra Evra, que não consegue acompanhar o holandês.

Dos quatro gols marcados por Barça e Bayern, três foram em transições rápidas. Os times marcados pela posse de bola mostraram que possuem outras armas e podem ferir o oponente a qualquer hora, basta uma pequena brecha. Talvez a grande dificuldade de enfrentar essas duas potências seja manter a concentração durante os 90 minutos e não ceder tais brechas. Concentração para matar um ataque que pode acontecer a qualquer momento e, principalmente, para não acreditar que o adversário está impotente e dominado. “Senti que perdemos no momento em que parecíamos ser mais capazes de ganhar”, disse Wenger após a derrota. Tática, física e até tecnicamente, algumas (poucas) equipes no mundo são capazes vencer essa dupla, desde que não falte cabeça em momento algum.

Comentários

Mineiro e estudante de jornalismo. Admira (quase) tudo que cerca o futebol inglês, não esconde seu apreço por times que jogam no contra-ataque (sim, sou fã do Mourinho) e acha que futebol se discute sim. Também considera que a melhor invenção do homem já ultrapassou os limites do esporte.