A notável recuperação do Milan

Foto: ACMilan.com

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Não é mistério para ninguém o fato de que o Milan atual não é sombra de alguns times fantásticos das últimas décadas. Longe do título italiano desde 2010/2011, o clube vem sofrendo forte decadência. No entanto, embora ainda esteja extremamente longe do patamar desejado, o clube vai fazendo uma campanha de recuperação interessante no atual Campeonato Italiano. Aos poucos, o treinador Sinisa Mihajlovic vai encontrando sua melhor formação.

Nas últimas 19 rodadas, os Rossoneri só perderam duas vezes e ambas pela margem mínima – 1×0 para Juventus e Bologna. No total, o time venceu nove destas partidas e empatou oito, número ainda muito alto. No entanto, para um time que vinha sendo amplamente criticado em razão de um “desequilíbrio”, estes resultados são representativos e colocam o time na luta por uma vaga na Europa League da próxima temporada.

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Para se ter uma ideia do que este desempenho representa, o Milan já se encontra a apenas quatro pontos de distância de sua arqui-inimiga Internazionale, que chegou a lutar pelo título mas caiu vertiginosamente. Outro fator que deixa evidente o fato de que os Rossoneri estão voltando aos trilhos são seus resultados recentes contra equipes que estão à sua frente. No último clássico de Milão, venceu os Nerazzurri por 3×0; contra a Fiorentina o placar registrou um 2×0 favorável aos milanistas; que empataram com a Roma e o Napoli por 1×1 fora de casa; e como dito perderam para a líder Juve pela margem mínima.

Coletivamente, a equipe se encontrou com um 4-4-2 e tem tido destaques individuais. No ataque, Carlos Bacca é a grande referência e vem cumprindo muito bem a sua tarefa como goleador. No Campeonato Italiano o colombiano tem 13 tentos em 26 partidas. A seu lado, quem vem crescendo é o garoto M’Baye Niang, que retornou de um frutífero empréstimo ao Genoa. O jovem de 21 anos vem tendo desempenho muito superior ao de Luiz Adriano e se firmando como titular. Nas últimas seis partidas que disputou teve participação direta em cinco gols.

Semelhantemente, Luca Antonelli vem mostrando muita segurança pelo flanco esquerdo da defesa do Milan, que muito sofre quando tem o colombiano Cristian Zapata em sua formação. No melhor cenário, a dupla de zaga tem sido composta por Alessio Romagnoli e Alex. Outro ponto cuja fuga é impossível é o momento do goleiro Gianluigi Donnarumma, um prodígio de 16 anos, que vem mostrando grande forma e personalidade. Com 18 jogos, já conseguiu seis clean sheets. Embora ainda seja um pouco afobado, sua estatura, rapidez e reflexos chamam atenção.

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Apesar de tudo isso, nada seria possível sem a presença criativa de Giacomo Bonaventura. O italiano de 26 anos é quem consegue proporcionar o “imprevisível” ao jogo do Milan. É o responsável por quebrar sólidas e rígidas linhas defensivas com um passe, colocando os atacantes na cara do gol, e por desestabilizar marcadores com o drible. Transformando a afirmação em números, o jogador é o terceiro de todo o campeonato que mais cria chances de gol por jogo, com 2,4 em média, atrás apenas de Riccardo Saponara e Miralem Pjanic.

Além disso, o retorno de Jérémy Ménez, melhor jogador do time na última temporada, após perder 21 rodadas lesionado, é fundamental, pois garante uma nova e importante opção. No último ano, muitas vezes foi referência no ataque, podendo também jogar pelas beiradas e como segundo atacante.

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Após perder boa parte da temporada fazendo testes com alguns jogadores que não corresponderam, casos de Alessio Cerci, Luiz Adriano, Cristián Zapata e Mario Balotelli – entre outros –, passando também por algumas formações táticas, casos do 4-3-1-2 e do 4-3-3, parece que Mihajlovic finalmente vai chegando a uma definição quanto à melhor forma de jogo de sua equipe e suas melhores opções.

Outro fator que vem sendo apontado pela imprensa italiana como responsável pela melhora do time é a disciplina. Sob o comando de Mihajlovic, as multas a jogadores por indisciplina – o que engloba atrasos e saídas às vésperas das partidas – caíram em 48%. Segundo o Gazzetta World, até novembro, o clube não tinha multado nenhum jogador do elenco. Isso demonstra comprometimento, ingrediente importante para o sucesso.

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É claro que o Milan ainda está muito aquém da sua qualidade histórica, mas é perceptível sua melhora e evolução. Pensando no time em longo prazo, o treinador sérvio já consegue avaliar quem merece ter sequência e quem deve deixar o clube.

Seu trabalho não é ruim e, pela forma como vem estabilizando o time, merece continuidade, até mesmo porque a recente rotatividade de treinadores do clube, após a saída de Massimiliano Allegri, não indicou nenhuma melhora. Hoje, com seu 4-4-2 se solidificando e algumas individualidades se sobressaindo, o Milan finalmente parece estar em ascensão.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.