Barcelona e seus 45 minutos de pura essência de futebol

  • por Jean Madrid
  • 5 Anos atrás

Não se sabe ao certo quando o futebol realmente foi criado. Das raízes chinesas, italianas, francesas e inglesas até o que é atualmente, o esporte bretão sofreu várias mudanças. Porém, uma que não se alterou – e que, de fato, é a mais importante – é a essência. E essa essência futebolística não necessariamente é algo ou alguém. Essa essência é o que move o esporte e o seu aficionado.

Já foi Pelé, Maradona, o Brasil de 82, a Hungria de 54, o carrossel holandês, o Real Madrid de Di Stéfano, Brian Clough, Alex Ferguson, o milagre de Istambul, e agora é o Barcelona do trio MSN.

https://www.youtube.com/watch?v=qS5WKHxDA8M

Gerações futuras certamente se lembrarão do time de Pep Guardiola – para muitos o melhor da história – que conquistou tudo e todos. Do trio Messi, Xavi e Iniesta, que estamparam os jornais quando protagonizaram o pódio azul-grená da Bola de Ouro.

Entretanto, muitos (também) se lembrarão do Barça de Luis Enrique, ou, melhor dizendo, o Barça de Messi, Suárez e Neymar.

Não há como analisar ou descrever – é a famosa essência, lembra?

O que podemos dizer é que o que estamos vendo é a história. Pura, verdadeira e a alguns metros de distância. E, de certo, somos privilegiados, assim como quem viveu para ver o São Paulo de Telê Santana ou a Alemanha de Beckenbauer também foi.

14/02/2016, no Camp Nou, em Barcelona, depois de um primeiro tempo abaixo da média, o atual campeão da Europa veio a campo para a etapa complementar buscando manter-se na liderança do espanhol e bater a equipe que havia lhe goleado no primeiro turno. O placar até então era de 1×1. E o Celta de Vigo bem que queria que tivesse acabado assim…

https://www.youtube.com/watch?v=Xy5Ty4USBjY

Logo no início do segundo tempo, a essência do futebol voltou a dar o ar da graça dentro da cancha. Em meia hora, o Barcelona brilhou, alegrou, encantou e revolucionou.

Passando pelos pés de Suárez três vezes e terminando com uma cavadinha de Neymar, o time azul grená deu uma aula de futebol, para o futebol.

E, convenhamos, é fácil elogiar Messi, Suárez e Neymar, três dos melhores jogadores do mundo, contudo, não foram só eles que encantaram.

O time inteiro estava em perfeita sintonia. Piqué e Mascherano nunca estiveram tão firmes. Sergio Busquets, o homem do primeiro passe, e Iniesta, Rakitic e Arda Turan foram os que construíram e reconstruíram tudo. Jordi Alba e Aleix Vidal foram os operários.

Os jogadores do Barcelona não temem que só os homens de frente saiam como heróis. Parece que há uma ideologia fortemente implantada em cada atleta para que não haja vaidade e proeminência – nem com o trio de ataque. São homens que entram em campo com um objetivo, e que se ajudam constante e inteligentemente para alcançá-lo.

Se falar sobre o time em si e como eles moldaram cada gol desse segundo tempo é complicado, falar sobre os momentos da partida é uma tarefa que requer menos esforço.

Aos 14, Messi deu um balão por cima da zaga para Suárez marcar de bate pronto, como um verdadeiro camisa 9. Aos 30, novamente ele, Lionel Messi, arranca da ponta direita e vem cortando defensor atrás de defensor, Neymar se projeta, recebe o passe, e em um milésimo de segundo deixa o goleiro para trás com um simples toque na bola, Suárez anota o segundo.

Aos 37, a marca registrada dessa partida, o pênalti à la Johan Cruyff. Depois de entortar mais um adversário, Messi sofreu o pênalti. Na hora da cobrança, a memória daquele Ajax e Helmond Sport em 5 de dezembro de 1982 se fez presente em cada torcedor que habitava o Camp Nou. O camisa 10 não chutou, não fez, não perdeu (ou perdeu?). Ele rolou a bola e Suárez marcou. Os olhos do torcedor blaugrana se encheram de brilho. Depois disso, Rakitic de cobertura e Neymar de cavadinha no último minuto encerraram mais uma aula de futebol.

O que aconteceu na Espanha no último domingo foi um daqueles momentos em que qualquer torcedor, seja ele de qual time for, para na frente da TV, senta, olha, reflete e aplaude.

Afinal, o que estava acontecendo ali, bem na sua frente, era nada menos que a essência do futebol.

Comentários

A classe de Zidane, a sintonia de Xavi e Iniesta, a irreverência do baixo e o cabelo do Beckham.