Como Robinho pode ser aproveitado por Aguirre?

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Foto: Rafael Ribeiro/CBF | Jogador esteve com a Seleção Brasileira em 2015

O presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, confirmou na tarde da última quinta-feira (11) a contratação de Robinho pelo alvinegro de Belo Horizonte. Aos 32 anos, o jogador terá mais uma oportunidade no futebol brasileiro e, desta vez, longe do Santos – o que não será tema desta análise. Nos últimos tempos, o Galo se acostumou a atuar com uma proposta muito ofensiva e, mesmo com sutis mudanças de Cuca para Levir Culpi (esqueçamos Paulo Autuori), e agora para Diego Aguirre, há espaço para um atleta com o perfil de Robinho.

Ponta-esquerda é a opção óbvia

Foto: Ivan Storti/Santos FC | Robinho jogou pela ponta em sua última passagem pelo Santos

Foto: Ivan Storti/Santos FC | Robinho jogou pela ponta em sua última passagem pelo Santos

Em sua última estadia na Vila Belmiro, Robinho foi na maior parte das vezes utilizado pelo flanco esquerdo do ataque do Peixe. Com a concorrência de jogadores como Rildo, Gabigol, Geuvânio, Thiago Ribeiro e Marquinhos Gabriel, além dos centroavantes Leandro Damião e Ricardo Oliveira, não houve lugar em que o atacante tenha sido mais utilizado do que na ponta-esquerda. E é por ali que é possível, imediatamente, imaginá-lo com a camisa do Atlético.

Neste momento, o clube não conta com uma figura de confiança na referida faixa. Em 2015, muitas vezes o setor foi preenchido por Jesús Dátolo, Carlos, Thiago Ribeiro e até pelo polivalente Patric. Hoje, após a saída de Giovanni Augusto, que atuava pelo centro do meio-campo, é difícil visualizar Dátolo em outra função que não a de Giovanni. Carlos está lesionado e não correspondeu, Thiago Ribeiro também não convenceu e Patric é sempre um improviso.

Foto: Bruno Cantini/  CAM | Dátolo deve ser opção pela faixa central

Foto: Bruno Cantini/ CAM | Dátolo deve ser opção pela faixa central

Hyuri chegou como opção para o setor e mostrou qualidades. Voluntarioso e veloz, o ex-atacante do Botafogo desembarcou na Cidade do Galo querendo provar seu valor e vem sendo bem visto pelo torcedor. Não obstante, ainda não é avaliado como peça para assumir a titularidade. Com isso, não há melhor espaço para colocar Robinho do que aquele em que tem atuado mais tempo nos últimos anos. Apesar disso, a opção tem implicações defensivas.

É difícil enxergar Robinho ajudando Douglas Santos na marcação pelo flanco, como Luan faz com Marcos Rocha, ou como Bernard fazia em um passado recente. Isso pode causar problemas ao balanço da equipe. Ajustes serão necessários. A marcação nunca foi um atributo em que o jogador se destacasse ou até mesmo fosse lembrado, por isso Aguirre terá que pensar nas decorrências globais da inclusão de Robinho em seu onze inicial. O mais provável é que, na fase defensiva, algum dos meio-campistas faça a cobertura do setor.

Foto: Bruno Cantini/ CAM |Hyuri ainda não é visto como titular

Foto: Bruno Cantini/ CAM |Hyuri ainda não é visto como titular

Ofensivamente, há pouco o que dizer. Talento o jogador tem e já provou incontáveis vezes. Além disso, Robinho está acostumado a jogar por aquela faixa e não há razão para duvidar de seu encaixe.

Foto: Doentes por Futebol | Possibilidades de aproveitamento de Robinho

Foto: Doentes por Futebol | Possibilidades de aproveitamento de Robinho

“Falso 9” é uma possibilidade

Até o momento, o Atlético não contratou ninguém para exercer a função de Lucas Pratto nas eventuais ausências do argentino. Esta situação perdura há mais de seis meses, desde a saída de Jô. A verdade é que o atacante foi titular na grande maioria das partidas do clube e, a não ser por circunstâncias de jogo, não houve real necessidade de ter alguém para substituí-lo.

Foto: Bruno Cantini/ CAM | Pratto não tem reserva desde a saída de Jô

Foto: Bruno Cantini/ CAM | Pratto não tem reserva desde a saída de Jô

A despeito disso, é sabido que para o elenco é necessária tal peça, até mesmo para que Lucas consiga estar sempre bem fisicamente. Quem exerceu a função antes de deixar o clube foi Guilherme, atuando como uma espécie de “falso 9”, mas não correspondeu.

Diante disso, quando o Galo não puder contar com o futebol de Pratto, Robinho pode, sim, ser considerado uma alternativa, mas, diferentemente de Guilherme, cuja capacidade de movimentação era bem restrita, tem potencial para ir bem. No momento, o time vem atuando com dois jogadores de velocidade pelas pontas. Figuras como Luan, Thiago Ribeiro, Patric e Hyuri têm exercido este papel sempre com muita movimentação, o que favorece o jogo do time e de Pratto.

Foto: Ivan Storti/ Santos FC | Robinho como "falso 9" é uma possibilidade

Foto: Ivan Storti/ Santos FC | Robinho como “falso 9” é uma possibilidade

Ao falarmos em termos de funções, dizer que o argentino é um falso 9 é equivocado, e não é menos errado afirmar também que é um centroavante. Com muita movimentação, o jogador argentino constantemente abre espaços para seus companheiros e, certamente, Robinho é figura capaz de fazê-lo, tanto pela habilidade quanto pela velocidade. A agilidade pode não ser a mesma de outros tempos, mas ainda é um ponto destacável no jogador.

Além disso, por sua aptidão para deslocar-se frequentemente, pode alternar posições com os outros jogadores de frente. Isso deve ajudar a desestabilizar as defesas rivais e não é estranho ao restante do time, que já o fazia com Diego Tardelli e, embora menos, com Pratto. É óbvio que isso não deve ser visto como solução ou algo a ser praticado com grande frequência, mas não há razão para não fazê-lo em momentos de necessidade.

Foto: Bruno Cantini/ CAM |Desde 2014, o Atlético está acostumado a jogar com um camisa 9 móvel

Foto: Bruno Cantini/ CAM | Desde 2014, o Atlético está acostumado a jogar com um camisa 9 móvel

Por mais que Robinho chegue em Minas Gerais cercado de desconfianças, vindas de representativa parte de analistas e também de torcedores do clube, há sentido no negócio se pensarmos sua contratação somente pelo viés desportivo. Robinho ainda possui alta técnica para os padrões do futebol brasileiro, é capaz de suprir uma lacuna do time titular do Atlético, dá outras possibilidades técnico-táticas e, caso queira, pode fazer a diferença.

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Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.