Dez campeões europeus que foram surpresas

  • por Henrique Souza
  • 4 Anos atrás
Josué ergue a Salva de Prata com o supreendente Wolfsburg de 2009 || Foto: vfl-wolfsburg.de

Josué ergue a Salva de Prata com o surpreendente Wolfsburg de 2008-2009 || Foto: vfl-wolfsburg.de

A sensação da temporada europeia até o momento é sem dúvidas o Leicester City. A equipe inglesa, com um elenco modesto e um orçamento menor que o de pesos-pesados como Manchester City e Arsenal (embora esteja longe de ser um time pobre), vem liderando o Campeonato Inglês e buscando se tornar a primeira equipe desde o Blackburn, em 1995, a ganhar o título nacional fora do grupo dos grandes do país.

Embora ainda restem 12 partidas pela frente, é certo que o Leicester já entrou para a história. Mas os Foxes já mostraram que querem e podem chegar ainda mais longe, se juntando ao “clube” de equipes como Hellas Verona, Twente e Deportivo La Coruña, que, mesmo não sendo gigantes em seus países, chegaram ao título de campeãs nacionais. O Doentes por Futebol escolheu dez times europeus cujo feito pode ser repetido pelo Leicester.

Confira:

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Hellas Verona 1984-1985

Na década de ouro do futebol italiano, enfrentando a Roma de Falcão, a Juventus de Platini, o Napoli de Maradona e tantos outros esquadrões, o Hellas Verona alcançou um grande feito. A equipe foi campeã italiana no ano de 1985, quatro pontos à frente do Torino. O título se torna ainda mais incrível ao lembrarmos que o time estava na segunda divisão apenas dois anos antes. Mesmo não sendo apontada como candidato ao título, desde o início do campeonato a equipe mostrou sua força com vitórias sobre rivais como Juventus, Napoli e Udinese (à epoca, defendida pelo brasileiro Zico) e liderando a competição desde as primeiras rodadas. Aquele Hellas Verona se assemelhava ao Leicester por apresentar um coletivo muito forte, dando suporte para as individualidades de nomes como Briegel, Di Gennaro, Fanna e Elkjaer brilharem. O alemão, titular da sua seleção nas copas de 82 e 86, impressionava pela sua capacidade física (ele chegou a ser um decatleta) e pela sua polivalência, capaz de atuar como zagueiro, lateral, volante e meia. Di Gennaro, por sua vez, era importantíssimo na ligação entre o meio de campo e o ataque, com muita velocidade e inteligência. Já o dinamarquês Elkjaer foi talvez o maior ídolo do Verona naquela temporada. Muito técnico, habilidoso e goleador, o atacante foi um dos grandes heróis da conquista, marcando vários gols decisivos.

Time-base: Garella; Ferroni, Tricella, Fontolan e Marangon; Sacchetti, Briegel, Fanna e Di Gennaro; Elkjaer e Galderisi.
Técnico:
Osvaldo Bagnoli.


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Sampdoria 1990-1991

A equipe da cidade de Gênova foi campeã em 1991, com seis pontos de vantagem para a Internazionale, segunda colocada. O time possuía vários craques distribuídos pelas três áreas do campo. Na defesa, os destaques eram o goleiro Pagliuca, titular da Itália nas copas de 1994 e 1998 e o zagueiro Pietro Vierchowod, campeão mundial em 1982, que ficou no clube por 12 anos e também defendeu equipes como Juventus, Milan e Roma. No meio de campo, um brasileiro ídolo na Itália: Toninho Cerezo. Cerezo foi um volante moderno, capaz tanto de marcar quanto atacar com qualidade, e era um dos motores daquela Sampdoria. Mais à frente, a categoria do carequinha Attilio Lombardo, quase um terceiro atacante, muito rápido e oportunista. No ataque, Roberto Mancini e Gianluca Vialli formavam uma grande dupla, conhecida como os “Gêmeos do Gol”. Enquanto Vialli era o artilheiro, Mancini atuava como um trequartista, combinando faro de gol com inteligência e habilidade. Aquela Sampdoria também mostrou sua força a nível europeu, chegando à final da Copa dos Campeões da Europa (atual UEFA Champions League) na temporada seguinte, perdendo para o Barcelona.

Time-base: Pagliuca; Mannini, Lanna, Vierchowod, Bonetti; Cerezo, Pari, Dossena, Lombardo; Mancini e Vialli.
Técnico:
Vujadin Boskov.

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Blackburn 1994-1995

Desde a criação da Premier League, em 1992, apenas uma equipe além de Manchester United, Manchester City, Arsenal e Chelsea conseguiu vencer a competição. Foi o Blackburn Rovers, em 1995, um ponto à frente do Manchester United. A ascensão da equipe foi meteórica, graças ao esforço e ao dinheiro do empresário Jack Walker, magnata da indústria metalúrgica e torcedor do clube. Foi por meio do investimento de Walker que o Blackburn formou um grande esquadrão, com nomes como Tim Flowers, Graeme Le Saux, Colin Hendry, Tim Sherwood, Chris Sutton e Alan Shearer. Armado em clássico 4-4-2 britânico, o time contava com a segurança de Flowers (na época, goleiro da seleção inglesa) no gol e do escocês Hendry na zaga. Na lateral-esquerda, Le Saux desempenhava um importante papel ofensivo com sua qualidade no apoio. No meio-campo, brilhava Tim Sherwood, capitão da equipe e principal responsável por pensar o jogo. A importância do meia era tanta que quando o treinador Kenny Dalglish pediu ao dono do time, Jack Walker, a contratação de um jovem Zinédine Zidane, recebeu a seguinte resposta: “Por qual motivo você quer Zidane quando temos Tim Sherwood?”. E no ataque, estava o principal nome da equipe: Alan Shearer. Trazido após se destacar no Southampton, Shearer foi o grande goleador do time e artilheiro do campeonato, com 34 gols.

Time-base: Flowers; Berg, Hendry, Pearce, Le Saux; Ripley, Atkins, Sherwood, Wilcox; Shearer e Sutton.
Técnico:
Kenny Dalglish.

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Deportivo La Coruña 1999-2000

Superar os gigantes Real Madrid e Barcelona no campeonato espanhol é tarefa difícilma. Mas o Deportivo La Coruña alcançou esse feito com um grande time, apoiado no talento brasileiro e nos gols do holandês Roy Makaay. A equipe era um verdadeiro esquadrão, com jogadores de qualidade em todos os setores do campo. O gol era ocupado pelo lendário camaronês Jacques Songo’o, já experiente, com três Copas do Mundo no currículo, mas ainda bastante ágil. A dupla de zaga era formada pelo brasileiro Donato, líder da defesa, e pelo marroquino Naybet, zagueiro de muita imposição física. No meio-campo, uma dupla de volantes formada por dois craques brasileiros. Mauro Silva, um dos maiores jogadores da história do clube, garantia a proteção à defesa, com vigor físico e qualidade na saída de bola. Ao seu lado, Flávio Conceição possuía mais liberdade para avançar e levava muito perigo aos adversários com seus fortes chutes de longa distância. Livre na armação, Djalminha era o grande nome do time, jogando solto, com muita habilidade, dribles desconcertantes e jogadas geniais. No comando do ataque, o faro de gol de Makaay, matador nato, com 22 tentos anotados.

Time-base: Songo’o; Manuel Pablo, Naybet, Donato, Romero; Mauro Silva, Flávio Conceição; Victor Sánchez, Djalminha, Fran; Makaay.
Técnico: Javier Irureta.


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Boavista 2000-2001

Em mais de 80 anos de disputa, apenas dois clubes conseguiram ganhar o Campeonato Português além de Porto, Benfica e Sporting. O mais recente deles foi o Boavista, vencedor em 2001 com um ponto de vantagem sobre o Porto. Sem muitos recursos, a aposta da equipe foi em jogadores de times menores e nos atletas das categorias de base. As panteras contavam com nomes que fariam sucesso no futebol português. A vaga no gol era ocupada por Ricardo, goleiro que brilhou com a seleção portuguesa na Eurocopa de 2004 e na copa de 2006. O arqueiro era um dos principais destaques do time. No meio-campo, a referência era o volante Petit, que garantia força na marcação e qualidade na saída de bola. O setor também possuía o toque de classe do boliviano Erwin Sánchez, ídolo do clube. Aliando visão de jogo e passes precisos, era o responsável pela armação das jogadas e ainda marcava seus gols. No ataque, os gols ficavam a cargo do brasileiro Elpídio Silva, atacante com passagens por diversos clubes portugueses.

Time-base: Ricardo; Rui Óscar, Litos, Pedro Emanuel, Erivan; Petit, Rui Bento, Erwin Sánchez; Martelinho, Elpídio Silva e Duda.
Técnico: Jaime Pacheco.


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Wolfsburg 2008-2009

Apoiado financeiramente pela Volkswagen, o Wolfsburg surpreendeu na Bundesliga e foi um dos poucos times a quebrar a hegemonia do Bayern nos últimos anos. Campeão com dois pontos de vantagem sobre os bávaros, era uma equipe com uma defesa segura e com uma dupla de ataque avassaladora. A meta era muito bem guardada pelo suíço Benaglio. Seguro, com ótima saída de gol e excelentes reflexos, ficou 11 jogos sem tomar gol. Na zaga, o grande destaque era o italiano Barzagli, com grande tempo de bola e bastante rápido. Jogou todas as partidas da equipe na temporada. No meio de campo, o bósnio Misimovic era o cérebro da equipe, um verdadeiro “camisa 10”. Muito técnico e habilidoso, armava o jogo, aparecia para finalizar, usava as duas pernas e era bom nas bolas paradas. No ataque, uma grande parceria entre o brasileiro Grafite e o bósnio Dzeko. Ambos centroavantes, combinaram de forma felicíssima, com a técnica do segundo e o oportunismo do primeiro. A dupla marcou 54 gols na temporada, terminando com a artilharia (Grafite, com 28 gols) e a vice (Dzeko, com 26) do campeonato.

Time-base: Benaglio; Riether, Barzagli, Simunek, Schäfer; Josué, Hasebe, Gentner, Misimovic; Grafite e Dzeko.
Técnico:
Felix Magath.

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Bursaspor 2009-2010

O Campeonato Turco se assemelha ao Português na questão de dominação dos gigantes. Tirando os três maiores clubes do país, Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas, apenas dois times tiveram o gostinho de erguer a taça de campeão nacional. O último deles foi o Bursaspor em 2010, com apenas um ponto de vantagem sobre o Fenerbahçe, no seu primeiro e único título até o momento. Com muito menos dinheiro que seus principais rivais, a equipe engatou uma sequência de vitórias na reta final e contou com o tropeço do Fener na última rodada para terminar na primeira colocação. Destaque para o meia argentino Pablo Batalla, um dos artilheiros da equipe, com oito gols marcados.

Time-base: Ivankov; Erdogan, Tandogan, Özturk, Ozan Has; Batalla, Keçeli, Ipek, Volkan Sen; Yildirim e Bahadir.
Técnico:
Ertugrul Saglam.

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Twente 2009-2010

No mesmo ano do Bursaspor, outra equipe europeia quebrou a hegemonia dos maiores clubes do seu país e se tornou campeã nacional pela primeira vez. Foi o Twente, vencedor do Campeonato Holandês um ponto à frente do Ajax. O time apostava na mistura de veteranos ídolos do clube com jovens promessas. No gol, o dono da camisa 1 era o holandês Sander Boschker, com mais 500 partidas pela equipe. Na zaga, o destaque era o brasileiro Douglas, que construiu uma carreira sólida na Holanda, chegando inclusive a ser convocado para a seleção do país. No meio de campo, o holandês Theo Janssen era o dono das bolas paradas, enquanto Wout Brama dava segurança aos defensores. Mais avançados, brilhavam o costa-riquenho Bryan Ruiz, vice-artilheiro do campeonato, com 24 gols e o eslovaco Miroslav Stoch. No comando do ataque, o suíço Nkufo, outra lenda do clube.

Time-base: Boschker; Stam, Wisgerhof, Douglas, Tiendalli; Brama, Janssen; Ruiz, Perez, Stoch; Nkufo.
Técnico:
Steve McClaren.

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Lille 2010-2011

Entre o fim da hegemonia do Lyon e o começo da dominação do PSG, o Campeonato Francês teve quatro campeões diferentes. Um deles foi o Lille, em 2011, vencedor com oito pontos de vantagem para o Marseille, conquistando um título que não vinha desde 1954. Baseada no toque de bola e na velocidade, a equipe possuía bons nomes como Debuchy, Rami, Cabaye, Gervinho, e o grande craque daquele time, um jovem Eden Hazard. O lateral-direito esbanjava saúde e apoiava bastante, sendo muito importante nas ações ofensivas do time. Já Rami mostrou-se um zagueiro de boa técnica e muito forte no jogo aéreo, garantindo a segurança da defesa. Na armação, Cabaye era o principal destaque com seus passes precisos, municiando os pontas Gervinho e Hazard e o centroavante Moussa Sow, artilheiro do campeonato naquela temporada, com 25 gols. Na ponta direita, Gervinho se utilizava da sua velocidade e dos seus dribles para atormentar as defesas adversárias. Pela esquerda, Hazard era o principal destaque do time, com gols, dribles e assistências. O time ainda chegou ao título da Copa da França na mesma temporada, ao bater o PSG por 1×0.

Time-base: Landreau; Debuchy, Chedjou, Rami, Béria; Mavuba, Balmont, Cabaye; Gervinho, Sow e Hazard.
Técnico: Rudi Garcia.

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Montpellier 2011-2012

Embora o Lille tenha surpreendido na temporada anterior, a conquista do Montpellier foi ainda mais inesperada, por se tratar do primeiro (e até hoje único) título nacional da equipe. Campeão com três pontos de vantagem sobre o PSG, o time contava com jovens e bons valores em todos os setores do campo. Na defesa, o principal nome era o centro-africano Mapou Yanga-Mbiwa. Na época com 23 anos, o zagueiro se destacava por sua força física e velocidade, além de boa técnica. No meio de campo, o jovem marroquino Belhanda era o destaque. Um verdadeiro maestro, Belhanda ditava o ritmo daquele Montpellier com muita habilidade, visão de jogo e técnica, além de se apresentar para finalizar em alguns momentos. No ataque, o grande matador do time, Olivier Giroud. Em grande fase, o centroavante foi um dos principais jogadores da campanha. Alto, bom no jogo aéreo, forte fisicamente e com ótima finalização, marcou 21 gols e foi o artilheiro do campeonato.

Time-base: Jourdren; Bocaly, Hilton, Yanga-Mbiwa, Bedimo; Saihi, Estrada; Camara, Belhanda, Utaka; Giroud.
Técnico: René Girard.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.