Florenzi, o candidato à herança Giallorossi

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Relações de amor verdadeiro são cada vez mais raras entre clubes e jogadores. No entanto, na Roma isso não tem sido problema. Francesco Totti e Danielle De Rossi dão, ainda hoje, testemunhos de que um sentimento que transcende a lealdade ainda existe no planeta bola. O que há entre os jogadores citados e a Roma é amor, em estado puro. Os atletas foram criados no time e defenderam-no com exclusividade. Apesar disso, a idade é um empecilho implacável no esporte de alto nível e o torcedor do clube da capital italiana terá de se acostumar com a diminuição da participação destes ícones. Na contramão, vê a braçadeira de capitão assumir outro braço de mesma origem e com potencial para fazer uma importante sucessão: Alessandro Florenzi.

Aos 24 anos, o jovem vai mostrando uma evolução constante em seu futebol e uma importante versatilidade, mas nem sempre foi assim – o jogador teve que mostrar seu valor. Nascido na capital italiana e criado na casa romanista, que o recebeu aos onze anos, estreou na já longínqua temporada 2010/2011, atuando durante míseros quatro minutos da vitória de sua equipe contra a Sampdoria, na última rodada da Serie A daquele ano. Na ocasião, substituiu ninguém menos que Totti. Todavia, o futuro o reservou uma importante passagem pelo modesto Crotone.

qpersnqfc5sqdaaow2mq

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Seu estágio nos Pitagorici, na temporada 2011/2012, foi fantástico, exatamente o que o jogador precisava. Atuando pelo meio e com liberdade, marcou onze vezes em 35 jogos da Serie B italiana. Diante de um desempenho deste calibre, o Crotone não teve escolha senão exercer sua opção de compra de 50% dos direitos do jogador, por irrisórios €250.000. No entanto, a Roma, que não havia deixado de monitorar o progresso de sua cria, o trouxe de volta por €1.250.000, certa de que o negócio valeria a pena. E como tem valido.

Desde que retornou, o atleta se firmou como peça importantíssima na equipe. Um atleta que tem sido “pau pra toda obra”. Não obstante, na temporada 2012/2013, diante da inconsistência do time que começou o ano comandado por Zdenek Zeman e terminou com o interino Aurelio Andreazzoli, o jogador não chamou tanto a atenção, embora tenha disputado 36 das 38 partidas da equipe no italiano, tendo sido opção de meio-campo tanto pelo centro quanto pelo lado.

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Veio a temporada 2013/2014 e com ela um divisor de águas na carreira do jovem: Rudi Garcia. É possível denegrir muito o trabalho feito pelo francês na direção romanista, mas há alguns pontos em que não se pode negar a vital importância de seu trabalho. A evolução de Florenzi é um deles.

Habitual opção como winger pelos dois flancos, o jogador perdeu minutos em campo, mas, como uma espécie de 12º jogador, cresceu. Com grande capacidade física, destaque na leitura do jogo e qualidade técnica, o jogador mostrou que seu melhor futebol se dá pelo lado e não pelo centro da cancha – embora exerça com qualidade o ofício de meia. Assim, passou a ter participação relevante nos gols da Roma, marcando seis vezes e criando oito assistências no ano. No entanto, a versatilidade do jogador voltaria a ser testada e, novamente, aprovada.

gguemed9menzok5f7l27

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Com a chegada da temporada 2014/2015 retornaram os problemas físicos do experiente Maicon e o declínio de sua forma se acentuou. Até então, o brasileiro era dono absoluto da lateral direita Giallorossi. Diante disso e da falta de confiança no grego Vasilis Torosidis, quem assumiu a titularidade pelo setor? Acertou quem respondeu Florenzi.

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Explorando as aptidões físicas e a qualidade para atuar pelo flanco, peculiares ao jogador, Rudi Garcia moldou um ótimo lateral, que ganha ainda mais valor com essa função, diante da raridade de bons jogadores da posição. O que Florenzi possivelmente não esperava, e que confirma a grande influência que já tem no elenco, era ganhar a faixa de capitão em algumas partidas da atual temporada.

É uma emoção única. Um motivo de grande orgulho, postou Florenzi no Facebook após capitanear a equipe contra a Udinese, em outubro de 2015.

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Foto: Divulgação/ ASRoma.com

Com toda uma história ligada à Roma, técnica e versatilidade, Florenzi vai construindo uma carreira bonita no clube da capital italiana. Se será tão efetivo e longevo quanto as atuais referências romanistas é difícil dizer, sobretudo diante de uma realidade que movimenta a cada dia valores mais expressivos. Apesar disso, os predicados para suceder os lendários e se firmar como a grande voz que a equipe precisa, o elemento anímico fundamental, o polivalente jovem vem mostrando.

Comentários

Advogado graduado pela PUC Minas, mestrando em Ciências da Comunicação (Universidade do Minho) e Jornalismo Esportivo (MARCA), 26 anos. Amante do futebol inglês, mas que aprecia o esférico rolado qualquer terra. Tem no atacante Marques e no argentino Pablo Aimar referências; e não põe em dúvida quem foi o melhor jogador que viu jogar: o lúdico Ronaldinho Gaúcho, na temporada 2004/05. Também n'O Futebólogo e na Revista Relvado.